quarta-feira, 24 de setembro de 2008

"Lola" & "Mirito" (singela homenagem)

Desta feita vou falar de alguém que se encontra bem vivo, aliás vivos, um casal que muito admiro, Casimiro Martins Rodrigues, natural de Carvalhal-Miúdo e Maria Aurora Nunes Henriques Rodrigues, natural de Lisboa (mas com ascendência no Esporão)... os meus tios Casimiro e Aurora.
Casimiro, filho mais novo dos meus avós (Casimiro e Olinda), único do sexo masculino, foi para Lisboa para trabalhar nos "trapos", junto do tio António, na Calçada do Carmo. Viveu em casa dos meus pais e foi meu companheiro de quarto, durante a minha meninice. Cumpriu o serviço militar em Santa Margarida, e em 1960 foi chamado para a Índia (Goa). Foi um dos últimos naquele território asiático, sob as ordens de Vassalo e Silva. Esta situação trouxe alguma ansiedade a toda a família, pois após a rendição das tropas portuguesas (contrariamente ao que Salazar pretendia) levou à prisão de todos eles, por meses, e por cá era desconhecido o paradeiro dos soldados, em particular (pelo nosso interesse familiar) do tio Casimiro.
Enquanto isso a tia Aurora largava os estudos escolares e iniciava a sua actividade profissional ao balcão de uma das lojas mais importantes de Lisboa (no comércio de roupa interior de senhora) a "Meia Hora", na Trindade.



Podemos observar, em cima, o bilhete postal enviado pelo tio Casimiro, a 1 de Maio de 1960, com a imagem do Paquete "Niassa" (que transportou as tropas portuguesas), quando se prestava a passar por Porto Saíde, no Egipto, e nos dava a previsão da chegada à Índia para dia 14.
Foram momentos de grande amargura, os referentes a esta passagem, pela falta de informação da evolução dos acontecimentos e do estado de saúde dos militares, em geral.
Creio que regressou a Portugal em 1962, estava eu na antiga 2ª. classe. Lembro-me de acordar com ele a meu lado, junto de uma prenda que me trouxe (uma metralhadora de dava luz por todos lados)... Aí, foram tempos de festa!...


(Casamento a 8-5-1966, na Igreja da Penha de França, em Lisboa)

O tio Casimiro regressou às Confecções Acar e a tia Aurora continuou a fazer o percurso para o seu local de trabalho pela Calçada do Carmo. Ora isso veio a dar azo a uma observação continua... e daí ao namoro foi um passo rápido. Casaram em 1966. Mais tarde a tia Aurora trabalhou na rua do Ouro, num estabelecimento de artigos para criança "O Bom Bebé" e ainda teve uma sociedade, no mesmo ramo, com a sua amiga Amélia, na Rua dos Remédios. O tio Casimiro trabalhou muitos anos nos "trapos", mais tarde teve uma sociedade com o primo António (já falecido), numa estância de madeiras e artigos para a construção civil. Trabalhou, ainda, no sector de artigos para desporto e lazer e hoje está na Rua dos Fanqueiros, onde voltou aos trapos. A tia Aurora depois trabalhou em diversos ramos (conforme as oportunidades vinham surgindo)... padaria, comércio de loiças e brindes, etc..

Neste momento, sei que estão no Esporão a passar as Festas de S. Miguel... Boas férias e boas festas. Adoramo-vos!...

2 comentários:

Anónimo disse...

Amigo António
Boa tarde,os meus parabéns pelo trabalho apresentado.
A homenagem ao seus tios é linda e merecida.
Casal amigo por quem tenho muito simpatia,são admiráveis.
Um abraço
A.Filipe

Carvalhal-Miúdo disse...

Grato pelas suas palavras. Gosto muito deles...o meu tio é como se fosse um irmão mais velho.
Um abraço