segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Caminho de Carvalhal-Miúdo para as Ladeiras

Enamorado, também, de outras palavras (as da poesia), que me vão inspirando encantos e desencantos, e envolto no desiderato que vai culminando com o letal destino, deveras sofrido, da perda lenta e agreste de mais um grande amigo, tenho deixado um pouco ao abandono este precioso local, pelo qual tenho muito enlevo...
Hoje vou escrever sobre o caminho que nos levava do Carvalhal-Miúdo às Ladeiras e vice-versa. Era habitual após o almoço os homens irem até às Ladeiras passar a tarde na taberna do meu avô, onde por ela fora se bebiam uns copitos e se comiam uns petiscos, com as rodadas que se íam pagando, cada um de sua vez. Também se juntavam a jogar à sueca e depois a equipa que perdia pagava a sua rodada.
Aos sábados e domingos o meu avô de Carvalhal-Miúdo também nos acompanhava, pois descansava da sua faina quotidiana nos campos e dos cuidados a ter com o gado. No regresso à noitinha dava-lhes um fardo de palha que distribuia, em pontos estratégicos, pelo curral. Nestes dias as mulheres também vinham até à venda.
Partindo de Carvalhal-Miúdo subia-se à Ramalhuda e aí se tomava o caminho pelo meio da vegetação, passando pelos castanheiros, pelo Robal até aos Lameiros e daí se subia para a taberna, onde outras pessoas já por lá se encontravam. Depois, ao escurecer sucedia o regresso, muitas vezes com muita risada por companhia. Pudera, depois de uma tarde a beber do tinto.
Era o habitual encontro de fim-de-semana...



foto de António Martins (Casimiro Rodrigues (meu avô) segue à frente, de seguida vem Casimiro Rodrigues Martins (meu pai) e atrás o sr. Abel das Neves, início dos anos setenta)

1 comentário:

Elvira Bernardo disse...

Alô. Esta é uma bela descrição do que se passava em tempos idos no local "a venda", pertencente a teus avôs paternos. Recordo-me muito bem de ouvir falar destes passatempos em que também os meus avôs participavam. E, de facto, naqueles tempos este local e outros, como na Cerdeira, eram também frequentados pelas mulheres da terra. Lembro-me de ouvir contar que a minha avó Elvira, às tardes de Domingo, vestia o seu fato para este dia, que incluia o seu avental "domingueiro" e ia com o meu avô passar um pouco da tarde à venda ou à póvoa. Estória; esta do avental domingueiro, da qual podia não falar, mas aqui deixo ficar... São as tais estórias de "antigos" nas aldeias, entre outras, das quais qualquer dia ninguém fala e menos se lembram. E haviam, como dizes, as rodadas de tinto tanto para homens como para mulheres... quase todas! Bons tempos esses, acho - que, apesar destes excessos/inconveniências, eram mais saudáveis do que os de hoje. Beijinho.