sábado, 10 de janeiro de 2009

Saliências I

Góis

É a nossa vila!...
Sede de concelho, pertence ao distrito e diocese de Coimbra e comarca de Arganil, com cerca de 2600 habitantes. Encontra-se situada nas abas da serra da Lousã, junto ao sopé de um alcantilado morro com 1045 metros de altitude em forma de gigantesca pirâmide na margem direita do Ceira. Recebeu foral em 1516.

foto de António Martins ( foto tirada do lado da estrada para Carcavelos - Setembro de 2004)

De interesse a igreja paroquial (reconstrução dos séculos XVI-XVII), em cuja capela-mor se encontra um dos mais belos túmulos do Renascimento em Portugal (1531), a ponte manuelina, de dorso em concorva e com três arcos visíveis, e a chamada Casa da Quinta, com os tectos ornamentados com pinturas. Constituído por cinco freguesias, o concelho tem cerca de 6400 habitantes. Possui indústrias de lacticínios e papel e lagares de azeite.


foto de António Martins (Praia fluvial de Góis, junto à estrada para Carcavelos - Setembro de 2004)

Alguns dos dados acima indicados podem não estar em conformidade com a actualidade, pois foram recolhidos em enciclopédia com cerca de doze anos. No entanto servem para solidificar e aumentar o conhecimento sobre os mais prementes aspectos da vila de Góis, no que à sua história e património se refere. Outras ocasiões haverá para serem referenciados e citados diferentes (igualmente significativos) pressupostos.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

"Luana" - a minha gata

Hoje vou fugir um pouco à abrangência temática que é dada ao presente blogue, como já fiz numa ou noutra ocasião... para desanuviar um pouco.
"Luana" é a minha gatinha de raça Persa, nasceu a 30 de Julho de 2005, veio para minha casa a 5 de Novembro do mesmo ano, sua côr tartaruga bicolor (cálico) ( não é muito habitual). É uma indispensável companhia. Às vezes tem as suas traquinices, mas também é muito meiguinha.
Tem um olhos muito bonitos. Já tive um precalço com ela, pois caíu da varanda de nossa casa (um 3º andar) para a rua. Simplesmente fracturou dois dedinhos de uma pata dianteira. Pelo facto teve de permanecer umas semanas ligada e com uma máscara na cabeça para não chegar à parte afectada.
É o enlevo cá de casa...


foto de Gonçalo Lobo Pinheiro ("Luana", a nossa gata - Fevereiro de 2007, pelo Carnaval)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Os namorados entre os cunhados e a sogra

Mais uma visita de meu pai à sua amada, minha mãe, durante um tempo de lazer no início da década de cinquenta. Saíram da casa e vieram dar uma voltinha até ao Cabeço (mas sempre acompanhados, não fosse o desejo intensificar-se...) e veio o "esquadrão" quase completo.
Da esquerda para a direita: - Casimiro Martins Rodrigues, Alice Martins Rodrigues, Casimiro Rodrigues Martins, Isaura Martins Rodrigues (atrás), Arminda Martins Rodrigues e Olinda Martins Rodrigues (minha avó).

foto de desconhecido (Carvalhal-Miúdo, a caminho do Cabeço - Início da década de 50)

sábado, 3 de janeiro de 2009

O casamento dos meus tios Isaura e António

Isaura Martins Rodrigues, natural de Carvalhal-Miúdo (minha tia, irmã de minha mãe) e António dos Santos Rodrigues, natural de Góis, uniram-se pelo matrimónio na Igreja Matriz de Góis, sendo o copo de água (almoço, com direito a jantar) em Carvalhal-Miúdo, em casa de meus avós. Já lá vão quarenta e tal anos. Recordo (ainda era um miúdo) nunca ter visto tanta gente em casa dos meus avós (depois disso só quando eles fizeram cinquenta anos de matrimónio, mas, mesmo assim, em menor quantidade de convidados), até foram contratadas cozinheiras para elaborar, e servir, o manjar (não sei dizer quem...também não perguntei a ninguém o nome das senhoras). Os meus tios vieram depois para Lisboa morar numa fracção de um prédio da Rua Heliodoro Salgado (em frente ao imóvel onde moram meus pais), a minha tia exerceu a sua actividade laboral fazendo limpezas a dias e/ou tomando conta de crianças, o meu tio, inicialmente, dedicou-se à pintura de interiores e a trabalhos inerentes à construção civil. Posteriormente mudaram-se para o Cacém e mais tarde para Coimbra (mais propriamente para Taveiro). Aí a minha tia continuou a dedicar-se a funções semelhantes às tidas na capital e o meu tio foi trabalhar para Caixa Nacional de Pensões, em Coimbra, onde exerceu durante anos as funções de porteiro, num departamento junto ao terminal rodoviário de autocarros de carreira. Após se reformarem construiram uma casa em Carvalhal-Miúdo, de que a minha tia, praticamente, não desfrutou, pois veio a falecer pouco depois (a casa encontra-se, actualmente, abandonada, já que o meu tio estabeleceu seu domicílio em Góis).
Em particular para si, tia Isaura, fica aqui esta simples homenagem. Até lá...


foto de fotógrafo desconhecido (tios Isaura e António, já casados, à porta da Igreja Matriz de Góis).

P.S. - Reconheço na foto, atrás dos noivos, a minha irmã, a minha mãe, o meu primo Hélder (filho do tio José Rodrigues) e o sr. Júlio (natural de Cimo de Alvém, mas casado em Carvalhal-Miúdo, onde residia na circunstância).

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Bom Ano de 2009

O blogue "Notas de Carvalhal-Miúdo e Ladeiras de Góis", vem desejar a todos os seus leitores e amigos um feliz, produtivo, saudável e rentável ano de 2009. Queremos alicerçar os nossos votos estendendo-os a outros amigos da blogosfera: - Terras do Esporão (na pessoa de Abílio Bandeira, grande incentivador para que o presente blogue exista...forte abraço); Aldeia do Esporão (à Marisa, que teve um final de 2008 doloroso pelo desaparecimento terreno de seu pai e ao Paulo Afonso, pela sua cumplicidade e amizade); Sobreiras do Esporão (ao amigo Adriano, sempre presente); Voz do Goulinho (ao amigo Assunção pela sua amizade, seu companheirismo e sua frontalidade...de longa data); O Rouxinól de Pomares (ao amigo António, doutras terras, mas beirãs...foi um prazer tê-lo conhecido, pessoalmente); Moínhos/Loureiro (ao amigo Vítor, pela empatia e presença assídua); Colmeal, Penedos, companheiros do sítio Luso-Poemas (que nos têm mimado com amiudes comentários, sempre elogiosos e nos endereçaram votos de Boas Festas); às Comissões de Melhoramentos do Esporão e de Ladeiras de Góis pela sua regular afabilidade e um singelo agradecimento a Impulsos (na pessoa da Cleo, que por aqui também passou e me incentivou noutras lides...a poesia).
A todos em geral, súbitos e assíduos frequentadores deste blogue, bom ano de 2009.
Aquele abraço...
A administração,
António M.R.Martins
Gonçalo Lobo Pinheiro

Monumentos XXIV - Capela do Senhor dos Aflitos, na Lousã

Foi a quarta capela a ser construída do conjunto de ermidas da Nossa Senhora da Piedade. Edificada em 1912, situa-se no morro fronteiro junto ao castelo. Esta é também de reduzidas dimensões, apresentando um estilo neo-romântico com cantarias e o altar revivalista executado pelo escultor conimbricense João Machado.


foto de António Martins (Capela do Senhor dos Aflitos, na Lousã - Agosto de 2008)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

As moças dos anos 50

...Um grupo de jovens casadoiras nos anos 50, nas Ladeiras, posa para a objectiva. Na altura, para o caixote.
Da esquerda para a direita, temos:
- Laurentina das Neves Martins, Isaura Martins Rodrigues, Maximina Rodrigues Martins, Maria Cristina Domingos Barata, Maria Helena Rodrigues, Odete Rodrigues, Maria Raquel Domingos Barata e Zulmira Baeta Neves.


foto de Casimiro Rodrigues Martins (Ladeiras, final da década de 50)

Piscinas naturais da Srª. da Piedade - Lousã

Situadas em ambiente paradísiaco, no interior da Serra da Lousã, bem perto da vila com o mesmo nome.
Nos dias quentes de verão nelas se pode usufruír de uma frescura agradável, pelo verde que se encontra em seu redor. É um convite ao mergulho e ao nadar intensamente ou, ainda, ao simples banhar em águas totalmente refrescantes.
É um óptimo local para férias, no nosso Portugal, para uma curta passagem ou para um fim-de-semana diferente, em plena paz de espírito. Ali se pode destemperar o acumular de "stress" criado no dia-a-dia dos centros urbanos e acalmar a parte neurótica de cada indivíduo, inerente às causas nefastas, e às dificuldades, da própria vida.


foto de António Martins (...a água corre e vai enchendo as piscinas - Agosto de 2008)

As piscinas naturais são alimentadas por águas que nascem na própria serra e deslizam pelo seu interior, exteriorizando-se quando o seu percurso emerge por entre barrocos, fragas e rudes leitos, elaborados pelo seu regular correr, à procura de um suave (mas por vezes abrupto) desenbocar. Na foto acima uma das pequenas cascatas, junto às piscinas naturais, que tem por efeito natural a renovação das suas respectivas águas.

foto de António Martins (as piscinas naturais, com as pontes que dão para passar as margens dos seus leitos, a antiga e a moderna, criada para fins turísticos - Agosto de 2008)

Não é demais publicitar este lindo enquadramento, onde o visitante tem a oportunidade de se maravilhar com as panorâmicas circundantes, respirar puros ares da serra, banhar-se em águas puras e cristalinas, refrescantes sobremaneira, degustar-se no restaurante local, visitar monumentos da periferia e dedicar-se à sua fé católica, meditando, orando ou simplesmente observando, numa visita ao santuário de Nossa Senhora da Piedade.
Visitem este aprazível local, certamente, não se arrependerão...

sábado, 27 de dezembro de 2008

Dia do baptizado da minha irmã - Ladeiras 1957

Nos anos 50 ainda se encontrava muita gente nas aldeias de Carvalhal-Miúdo e Ladeiras. Isso não tem muito a ver com a foto abaixo, porque na mesma se encontram pessoas que vieram de Lisboa (em maior quantidade) e Coimbra, por ocasião do casamento dos meus tios Arminda e José Casimiro. A imagem é referente ao dia seguinte, em que ocorreu o baptizado católico da minha irmã.
Maria Alzira (minha irmã) encontra-se ao centro, em baixo, um pouco atrás de mim, ao colo de minha mãe. Meu pai está em cima, à esquerda, vestido com seu belo fato (e de gravata à maneira, a condizer e a perceito...), todo janota.


foto de desconhecido (Ladeiras, finais de 1957)

P.S. - Sem qualquer tipo de ordem, passo a indicar os nomes de algumas das pessoas que se encontram na foto acima: António Martins (meu padrinho), Casimiro Neves, José Rodrigues, Manuel Rodrigues, Casimiro Martins, David Martins, Laurentina Martins, Isaura Martins Rodrigues, Arminda Rodrigues Martins, José Casimiro Rodrigues Martins, "Ti" Maria Jacinta, António Rodrigues Martins, Maximina Rodrigues Martins, Olinda Rodrigues Martins, Zulmira Baeta Neves, Maria Cristina Barata, Alice Martins Rodrigues, Maria Alzira Rodrigues Martins (a festejada do dia), Olinda Martins Rodrigues, Idalina Rodrigues, D. Adelaide (de Coimbra), António Manuel Rodrigues Martins, Maria Helena Rodrigues, Casimiro Rodrigues, Casimiro Rodrigues Martins, Alzira do Rosário Rodrigues, Luís Alfredo Rodrigues, entre os restantes.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A aldeia do Esporão está mais pobre...

São as circunstâncias da vida... aqueles que nascem um dia hão-de perecer. Mas apesar desse facto ser real, nunca se está à espera desse culminar existêncial.
Nestes últimos dias o Esporão perdeu dois carismáticos naturais da aldeia, a D. Anália Rodrigues Bandeira (tia da minha tia Aurora) e o sr. António das Neves Barata (pai da Marisa, administradora do blogue Aldeia do Esporão).
Não tenho muitas referências memoriais da D. Anália (apesar de as ter em relação ao marido, algumas de agradecimento, como referi em tempos sobre um incêndio havido em Carvalhal-Miúdo), mas quanto ao sr. António tenho diversas recordações da minha juventude em relação à sua pessoa. Sempre uma boa disposição no semblante, e a sua rouca voz ainda me ecoa ao ouvido, neste momento.
Aos familiares dos falecidos o blogue Notas de Carvalhal-Miúdo e Ladeiras de Góis, apresenta as sentidas condolências, e um abraço especial à Marisa pelo falecimento de seu pai. Ao Esporão aquele abraço fraterno pelo desaparecimento destes seus dois filhos, nossos conterrâneos amigos.
Em relação a eles, haver-nos-emos de encontrar num outro sítio qualquer... até sempre!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A visita às suas aldeias (anos 50)

Nos anos cinquenta a tendência era de os jovens naturais das aldeias da serra irem à procura de uma melhor vida nas grandes cidades (Coimbra ou Lisboa, em primeiro lugar). Chegados lá, íam procurar trabalho junto das gerações mais velhas (de naturais da região), que há mais tempo por lá se encontravam, e assim estabeleciam os primeiros contactos com uma nova actividade profissional.
Muitos eram colocados no ramo das engraxadorias, outros nos lanifícios. Também foram muitos para a restauração (mas existiam muitas outras profissões, onde se instalavam a laborar).
Assim que tinham um pequeno período de férias regressavam à sua terra natal para matar saudades. Vestiam os seus melhores fatos a fim de se apresentarem a perceito junto dos seus conterrâneos.
Na foto abaixo vislumbramos uma situação, de um desses determinados dias, onde existiu o regresso por um pequeno período de tempo.
Podemos observar (da esquerda para a direita), os então jovens, Odete, Luís António e Maria Helena (todos primos). Mais atrás vemos um grupo de pessoas e um automóvel (caso raro para os tempos de então...). Tudo se passa nas Ladeiras... a estrada ainda não era de alcatrão, mas pela imagem parece estar no início das suas obras que a vieram fazer integrar (mais tarde) a EN2.


foto de Casimiro Rodrigues Martins (Ladeiras, anos 50)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Coimbra - Dois de muitos pormenores 7

PONTE DE SANTA CLARA

Inaugurada em 30 de Outubro de 1954, veio substituir a antiga ponte férrea. A ponte de Santa Clara é a mais antiga das três pontes sobre o rio Mondego na cidade de Coimbra.


foto de Hugo Mendonça (Ponte de Santa Clara e rio Mondego - Janeiro de 2005)

PADARIA POPULAR (Agostinho Rodrigues Bela) "SNACK-BAR"

Situada no Largo Freiria nº. 13, em Coimbra, perto de uma das ruas mais movimentadas da baixa coimbrã. Boa localização. Vale pelo grande painel de azulejos que compõe a frontaria, de aspecto antigo e bem ao estilo da cidade. Talvez valha a pena passar por lá, entrar e saborear as refeições.


foto de António Martins (frontaria da Padaria Popular/Snack-Bar - Dezembro de 2005)

Mioteira

Muitos locais nos meandros e nas periferias das nossas aldeias estabelecem um recordar dos tempos de infância e este, em particular, é um deles.
Recordo caminhar até lá, em tempos de férias, na companhia do António e do Delmar, munidos de fisgas atrás dos inocentes passarinhos. Depois eram correrias por aqueles vales, pisando tojos e silvados, sem sequer parar para ver se existiam picadelas. À noite, por vezes, é que era um sarilho para retirar este ou aquele pico que se havia espetado nas mãos, nas pernas ou em qualquer outra parte do corpo. Mas no dia seguinte, se calhasse, éramos capazes de ír fazer coisas semelhantes, por percursos e caminhos idênticos.
A Mioteira começa quando acabam os Lameiros, ao fundo do barroco da Celada da Corte, e termina quase no início dos terrenos circundantes do Vale da Fonte.
Estas terras foram, igualmente, como tantas outras, noutros tempos, amanhadas.
A Mioteira teve sempre, pelo menos para mim, um tanto ou quanto de misticismo.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Coimbra - Dois de muitos pormenores 6

ESTÁTUA DE D. JOÃO III

Estátua de proporções colossais, coroa a praça baptizada com o mesmo nome do monarca, da autoria de Francisco Franco, inaugurada em 1943, onde o rei D. João III (1502-1557) é homenageado como benemérito da Universidade de Coimbra (freguesia da Sé Nova).



foto de António Martins (Estátua de D. João III, em frente à Universidade - Abril de 2006)

MUSEU MILITAR DE COIMBRA

Em 5 de Dezembro de 1985 é criado a título transitório, como órgão do Quartel General da extinta Região Militar do Centro, o Museu Militar de Coimbra. Em 6 de Dezembro de 1985, aproveitando-se as comemorações do VIII centenário da morte de D. Afonso Henriques, patrono do Exército, é inaugurado oficialmente o Museu Militar. O museu está instalado numa dependência anexa do Convento de Santa Clara-a-Nova, edifício histórico do século XVII. Situado no Largo da Raínha, em Santa Clara. Encerra a 1 de Janeiro e a 25 deDezembro. Expõe material militar: armas e uniformes, assim como artigos diversos com conotação militar.


foto de Hugo Mendonça (fachada do edifício do Museu Militar de Coimbra - Janeiro de 2005)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Meus pais em tempos de namoro...

Início da década de 50.
Meu pai tirou uns dias de férias e aproveitou para visitar o seu amor (as saudades já eram muitas!...) e foi até Carvalhal-Miúdo.
Lá estão os felizes pombinhos, na foto em baixo, com um leve sorriso para a fotografia...
Por baixo vê-se uma parte de um cão, existente na época na aldeia, que se presume seja o Benfica (mas aqui há dúvidas!...).



foto de desconhecido (Alice Martins Rodrigues e Casimiro Rodrigues Martins, algures em Carvalhal-Miúdo, anos 50)

domingo, 30 de novembro de 2008

Coimbra - Dois de muitos pormenores 5

MIRADOURO DO VALE DO INFERNO

Situado na margem esquerda do Mondego, que oferece uma das melhores vistas de uma cidade plena de miradouros, sendo, possivelmente, a mais espectacular. Fica na antiga estrada que descia para a ponte de Santa Clara e onde o visitante poderá usufruír de uma deslumbrante e completíssima panorâmica sobre a cidade de Coimbra.

Foto de António Martins (Miradouro do Vale do Inferno, Janeiro de 2005)

PONTE RAÍNHA SANTA ISABEL

Projectada pelo engenheiro António Reis, a mais recente travessia rodoviária sobre o rio Mondego é composta por duas faixas de rodagem, com três vias em cada sentido. A sua inauguração, em 2004, veio permitir o acesso mais rápido à zona do Vale das Flores e Pólo II da Universidade, para quem vem do IC2 ou da margem esquerda da cidade.


foto de Hugo Mendonça (Panorâmica sobre a cidade Coimbra, com a ponte Raínha Santa Isabel em destaque - Janeiro de 2005)

Vale da Fonte

Como o próprio nome indica este pedaço de terra situa-se num vale, pela descida da encosta da Celada da Corte e no lado oposto da Mioteira.
Eram terras onde havia boa produção de géneros agrícolas por serem fartas em água, sendo, com efeito, bastante fertéis quando trabalhadas. Normalmente, por lá eram semeados produtos que estavam sujeitos à rega periódica, pela características locais, já enumeradas.
Para quem vinha de Carvalhal-Miúdo o acesso era rápido, por estreitos caminhos, pois era sempre a descer... só que no regresso é que eram elas! Mas isso acontecia com a maior parte dos terrenos amanhados pelos habitantes desta aldeia, já que a sua situação geográfica, num cabeço (era significado de estar num ponto alto), perspectivava que a maior parte das terras para cultivo ficassem em planos inferiores.
Os meus avós maternos possuiam courelas no Vale da Fonte, que eram muitíssimo frutuosas, pelos rendimentos alimentares ali obtidos. Sobressaíam o milho, as couves e o feijão, para além de outras de menor índice produtivo.
Em miúdo, cheguei a ír até ali, algumas vezes, com o meu avô. Era um local muito fresco, onde as nossas vozes pareciam ecoar. Daí, lá chegado, gostar de cantar alto e/ou gritar, a fim de poder ouvir a ressonância, e o efeito, dessa atitude.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Coimbra - Dois de muitos pormenores 4

ARCO DE ALMEDINA

O Arco de Almedina (nome de cidade marroquina), na baixa de Coimbra, local onde se inicia a Rua de Almedina que nos leva por caminhos íngremes até à Universidade, é nem mais nem menos que um remanescente da cerca de muralhas que um dia envolveram a cidade.
Supõe-se que este Arco tenha sido construído durante os reinados de D. Afonso III e D. Dinis.


foto de António Martins (Arco de Almedina, em Coimbra - Dezembro de 2005)

CAFÉ-RESTAURANTE SANTA CRUZ

Fica situado na Praça 8 de Maio, em Coimbra, ao lado da Igreja com o mesmo nome. É um local mítico da cidade, muito bonito e onde se pode saborear o bom café, conversar em boa companhia e observar a beleza que compõe este belíssimo edifício. Na sua frontaria pode-se ver artística composição de vitrais.


foto de António Martins (Café-Restaurante Santa Cruz, em Coimbra - Dezembro de 2005)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A venda do meu avô (Ladeiras)

Retrocedendo no tempo, venho recordar como era a venda do meu avô quando eu era criança. Tudo era diferente na oferta daquele tipo de comércio, na época (de igual modo, embora com estruturas e grandiosidade díspares, era diferente esta actividade no que concerne à forma de comercializar este tipo de produtos, nas mercearias das vilas e cidades).
Os açúcares (branco e amarelo) vendiam-se a peso, tal como a farinha, o feijão (nas suas diversas espécies). Existiam cartuchos de cartão de diversos tamanhos que correspondiam aos conteúdos específicos e pretendidos pelo cliente, conforme a porção que era pedida o produto era introduzido no cartucho adequado e que podia conter o peso dessa quantidade.
Também o azeite, os óleos, o vinagre eram vendidos avulso (1/2 l; 1l; 1 1/2l, etc.). Normalmente o cliente trazia o seu próprio vasilhame para o produto que queria comprar e pedia para encher, ou por qualquer outra capacidade, que nele coubesse.
A marmelada, as manteigas e as banhas também eram vendidas consoante a necessidade do cliente, o mesmo acontecia com os queijos.
No que se refere à mudança do aspecto do estabelecimento, para os dias de hoje, não é substancial, de todo, mas o conteúdo da loja é que era totalmente diferente. Por trás do balcão das mercearias (quando entramos, do lado direito), onde estava colocada uma balança de braços, havia uma grande vitrana, feita de diversas portas envidraçadas e por baixo os diversos depósitos (cubas), com os açúcares, farinhas (trigo e milho). Muito gostava de levantar a tampa onde estava o açúcar amarelo e meter uma bolinha do mesmo à boca, era uma delícia (muito diferente do de hoje, tinha um supremo paladar). Para a esquerda, sobre umas fragas que incorporam o deslizar do solo, que sustenta a base da casa, até ao sólido chão da loja, haviam umas prateleiras inseridas em móveis abertos, que serviam de montra e onde se apresentavam muitos tipos de produtos, desde os tabacos, fósforos, cadernos escolares, lápis, borrachas, etc.
Virando-nos mais para a esquerda tinhamos um outro balcão, perpendicular aos das mercearias, que era para a zona de taberna, propriamente dita. Ali se vendia o vinho ao copo, aguardentes, licores, sumos, laranjadas, pirolitos, gasosas e, obviamente, oferecia-se a água dos Lameiros. O balcão das mercearias era revestido a madeira, enquanto que o da parte das bebidas tinha o seu tampo em mármore. Havia também uma grande balança no sólo para se pesarem grandes pesos. Existiam três mesas (uma grande e duas pequenas), nelas os clientes podiam-se sentar a beber os seus copinhos e a comer os seus petiscos. Quanto aos petiscos poderiam ser torresmos, carapaus em molho de escabeche ou fritos, petinga frita, peixe do rio, queijo, marmelada e havia sempre uma sopinha à moda da região para quem quisesse, para além do pão (escuro e claro, por vezes a broa).
Quando começava a anoitecer ainda era tudo iluminado a candeeiros de petróleo.
Por cima da loja era a habitação e nos anexos subjacentes existiam currais, arrecadações, palheiros, etc.
Ai que saudades daqueles soberbos paladares e dos espectaculares e frescos aromas...ainda não existia a ASAE.

sábado, 22 de novembro de 2008

Armando Rodrigues

O último dos irmãos Rodrigues (irmão do meu avô materno e da minha avó paterna), sendo o único que se encontra junto dos vivos, com a bonita idade de 88 anos. Natural das Ladeiras (como os restantes), veio para a capital, pela mão do irmão António, onde aprendeu o ofício de alfaiate, tirando mesmo um curso para o efeito.
Casou com Maria da Nazaré, pertencente a uma família oriunda da belíssima região de Constância, de um seio onde foram, igualmente, nadas mais duas meninas. Do matrimónio nasceu um rebento do sexo feminino, Ana-Bela.
Exerceu a actividade de alfaiate em diversas empresas, chegando a trabalhar no meio por conta própria.
Mais tarde, associou-se ao meu pai numa loja da Rua dos Remédios (em Alfama), com o ramo de alfaiataria e pronto-a-vestir, onde se confeccionava imensa obra para diversos feirantes (alguns de nomeada) da nossa praça, na época. A firma teve a denominação de Casimiro & Rodrigues (inicialmente era para ser Martins & Rodrigues, mas tal não foi autorizado pela entidade que na altura tratava deste tipo de registos comerciais). Ao Armando cabia-lhe a parte de alfaiataria, onde chegaram a trabalhar mais de uma dezena de costureiras e dois oficiais, para além do pessoal que trabalhava para a empresa em suas próprias casas (costureiras, modistas e alfaiates).
Alguns anos depois mudaram a sua sede social, e respectivo estabelecimento, para a Rua dos Fanqueiros, nº 234 - 1º andar, onde permaneceram, em conjunto, durante quase vinte anos. No final da década de 70 a sociedade desmantelou-se por discordâncias mútuas. A empresa continuou com outros sócios.
Actualmente, o tio Armando, encontra-se retido no seu lar (praticamente acamado), por motivos da sua frágil saúde.
Dele tenho as melhores recordações (principalmente no meu tempo de infância e juventude), para além dos imbróglios acontecidos. Sempre me dispensou enorme carinho, me endereçou um abraço ou teve uma palavra de incentivo. Assim, julgo que nutriu, sempre, uma boa amizade pela minha pessoa, facto que tentei retribuir, dentro do possível.
A vida nunca é como queremos, mas sim como acontece. Há sempre contingências e incontingências de permeio. Deus decidirá o nosso destino... um abraço tio.