quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Determinantes IV


foto de António Martins (Góis, pelos caminhos de Santiago - Setembro de 2004)

sábado, 20 de setembro de 2008

Bodas de Ouro (Arminda e José Casimiro)

Arminda Rodrigues Martins, natural de Ladeiras e José Casimiro Rodrigues Martins, natural do Esporão, comemoram hoje, dia 21 de Setembro de 2008, o 50º aniversário do seu enlace matrimonial, por consequência as denominadas "Bodas de Ouro".
A foto abaixo publicada é referente ao dia seguinte ao evento, que teve a particularidade da noiva assumir a responsabilidade de apadrinhar, pelo baptismo católico, a minha irmã Maria Alzira, em conjunto com o seu irmão Luís António (hoje presidente da Comissão de Melhoramentos das Ladeiras).

Como tudo se desenvolve num ápice e se desenrola num repente... o tempo urge!...
Parabéns aos noivos, de há cinquenta anos, com os votos de muita saúde para os anos que se vão avizinhando.

foto de Casimiro Rodrigues Martins (Da esquerda para a direita: José Casimiro, Arminda, Maria Alzira (ao colo) e Luís António, Ladeiras - 22 de Setembro de 1958)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Determinantes III

RIO ALVA
O rio Alva é um afluente do Mondego, nascendo na encosta sudoeste da Serra da Estrela, percorre cerca de 50 km até desaguar no rio Mondego, o que ocorre na localidade de Porto de Raiva, concelho de Penacova, após o Mondego ser quebrado pela Barragem da Aguieira.


foto de António Martins (Rio Alva, Ponte das Três Entradas - Setembro de 2004)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Para o ano são as bodas de ouro...

Foi há quarenta e nove anos...
No passado dia 6 de Setembro, os meus tios, António e Maximina comemoraram quarenta e nove anos de matrimónio, para o ano serão as bodas de ouro.
Para eles os parabéns e votos de muita saúde...
De seguida uma foto (creio que tirada nas Ladeiras) referente ao dia. Para recordar (que é, também, viver)!...



foto de desconhecido (Casamento de António Rodrigues Martins e Maximina Rodrigues Martins, 6 de Setembro de 1959)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Determinantes II

RIO CEIRA
O rio Ceira nasce na Serra do Açor, é afluente da margem esquerda do rio Mondego e nele desagua, alguns quilómetros a montante de Coimbra.

foto de António Martins (rio Ceira, arredores de Góis - Setembro de 2004)

Celada da Corte (Ladeiras)

Junto ao segundo amontoado de casario (do lado esquerdo), para quem circula de norte para sul, existe, do lado contrário, uma estrada florestal que nos leva a um local denominado Celada da Corte. Este território que se desenvolve pela encosta abaixo, é um dos poucos locais das Ladeiras de onde podemos avistar Carvalhal-Miúdo.
Na estrada que para lá nos leva, e continua para o Monte Redondo, é possível seguirmos para Carcavelos ou então para o Rio Ceira.
No tempo dos meus bisavós (até ao tempo de meus pais, crianças), por aqueles lados, muitos dos terrenos eram amanhados, e era por lá que se localizava uma das molas sustentadoras da casa dos meus antepassados ladeirenses.
Chegou a obter-se, dali, uma produção anual de cerca de quarenta e cinco alqueires de milho e de mais de um alqueire de feijão frade, para além de outros produtos agrícolas.
Hoje nada disso por ali existe... há pinheiros e muitos (demais) eucaliptos!...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Determinantes I

UNIVERSIDADE DE COIMBRA
O grau de exclusividade de universidade passou para Coimbra em 1308, após concessão a Lisboa na passagem de 1288 para 1289. Regressou a Lisboa em 1348, voltou à cidade do Mondego em 1354; tornou para a capital em 1377 e acabou por se fixar em Coimbra no ano de 1537.


foto de António Martins (Universidade, Coimbra - Abril de 2006)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Monumentos - XIX


foto de António Martins (Cristo, Calvário, Miranda do Corvo - Agosto de 2008)

Festa de S. Miguel, no Esporão

A Comissão de Melhoramentos do Esporão, com a contribuição da Equipa de Gestão da Casa de Convívio, vai levar a efeito nos próximos 26, 27 e 28 de Setembro, a tradicional festa em honra de S. Miguel (antigamente esta festa, embora sempre no Esporão, era organizada e comparticipada pelas aldeias do Esporão, Ladeiras e Carvalhal-Miúdo. Era indicado no ano antecedente ao evento um mordomo por cada aldeia para, em consonância com a C. M. Esporão, levarem a cabo a respectiva organização dos festejos).

Programa:

Dia 26, Sexta-feira
19h - Abertura do bar, quermesse e exposição e venda de artesanato;
22h - Baile e "karaoke" com o duo "Liliana e Azevedo".

Dia 27, Sábado
13h - Almoço tradicional, com sopa serrana, churrasco misto, arroz do lombo, sobremesas, cafés, etc.;
15h 30m - Actuação da Tuna Mouronhense;
22h - Baile com o conjunto típico "Estrelas Incomparáveis";
24h - Sorteio das rifas.

Dia 28, Domingo
13h 30m - Sardinhada (oferta da organização). Só têm de comprar bebidas;
17h - Inauguração das obras realizadas na Capela de S. Miguel, com celebração de missa.

Obs. - A inscrição para o almoço deve ser feita com:
- Ilda Celeste (966607136); Maria Olinda (916444455) e Manuel Baptista (919229833), ou junto de qualquer membro da Direcção e/ou da Equipa de Gestão da Casa de Convívio.

Preços:
Adultos - € 12,00;
Crianças (7 aos 12 nos) - € 6,00.

O Esporão e a sua Comissão de Melhoramentos contam com a sua presença. Certamente ír-se-à divertir imenso. Compareça!!!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Canção às Ladeiras

Letra: Graciete Barata
Música: Augusto Barata

Refrão:

Ladeiras tens recantos tão bonitos
Ladeiras és terra bem portuguesa
Dizem já todos quantos te visitam
Ai Ladeiras és Suiça portuguesa.

Meus senhores, minhas senhoras
Uma coisa eu vou dizer
Cinco escudos um tijolo
Para o convívio render.

Nossa casa de convívio
Há-de ser realidade
Com a graça dos amigos
Que ajudam de verdade.

Refrão:
Ladeiras, tens recantos tão bonitos…

Ás mulheres das Ladeiras,
Um pedido eu vou fazer
Que dêem todas as mãos
Para a capela se erguer.

Para orar com tanto ardor
Radiantes de alegria
À senhora mãe de Deus
Um pai-nosso Avé Maria

Refrão:
Ladeiras tens recantos tão bonitos…

Ter assim tantos amigos
Neste grandioso dia
Pois vieram ver a luz
Nesta nossa romaria.

Agora vou terminar
A todos muito obrigado
Para o ano se Deus quiser
De novo aqui hei-de voltar.

Refrão:
Ladeiras, tens recantos tão bonitos…







NOTA: Obrigado ao Pedro Barata pela disponibilidade de toda esta informação.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Monumentos - XVIII


foto de Hugo Mendonça (Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Piodão - Maio de 2005)

Os anos loucos do volfrâmio e Stanley Mitchell

Foi nas décadas de 30 e 40 (com maior relevância entre 1936 e 1945) que se desenvolveu a pesquisa e procura deste minério no concelho de Góis. Esta exploração foi-se incrementando com a chegada a Góis de um engenheiro-mineiro, o britânico Stanley Mitchell, que tinha vindo para Portugal, anos antes (com 27 anos), para as Minas da Panasqueira.
Ao instalar-se em Góis, pôde verificar e comprovar a riqueza do subsolo por aquelas redondezas. Nesse sentido procurou dinamizar a indústria mineira na região, onde o volfrâmio (porque muito procurado, estávamos na iminência da Segunda Grande Guerra) ocupou papel fundamental. Chegaram a estar em actividade mais de duzentas minas e mais de quinhentos trabalhadores mineiros, empenhados naquela descoberta diária, para além de todo o pessoal adjacente que transportava o pecúlio obtido (minha mãe chegou a transportar o produto retirado, antes de ser devidamente limpo, em cestas, na zona do Rabadão) e laborava noutros sectores que no seu todo colocavam num permanente e eficaz activo a indústria mineira em Góis.
A exploração do subsolo, nas jazidas de volfrâmio (e ouro), marcaria uma importante etapa no desenvolvimento de Góis. Vieram gentes de fora e houve circulação de dinheiro, como jamais se ouvira falar. Possibilitou-se o emprego remunerado para muita gente, numa altura de muito desemprego.
A primeira venda oficial de volfrâmio, extraído do subsolo do concelho de Góis, data de 1937. Conta-se... particulares que obtinham, de forma rudimentar, o tão precioso minério, nas terras que possuiam, chegaram a vender o seu quilo por 1.500$00.
Stanley Mitchell construiu, à sua custa, a Casa de Caridade "Rosa Maria" (nome da sua filha mais nova, natural de Góis), que funcionou como pequeno hospital, equipado com os serviços de raios x e de diatermia, que mais tarde ofereceu à Associação Educativa e Recreativa de Góis (posteriormente fez parte dos corpos gerentes desta Associação).
Foi agraciado pelo Governo Português, com o grau de Oficial da Ordem de Benemerência, e homenageado pela Câmara Municipal de Góis, pela Casa do Concelho de Góis e pela Casa da Comarca de Arganil.
O seu nome está na toponímia da vila de Góis. Faleceu em Lisboa, no mês de Agosto de 1957.
Recentemente foi alvo de nova homenagem póstuma, na pessoa de uma das suas filhas.
Colaboração memorial de Casimiro Rodrigues Martins;
Recolha de dados no sítio Movimento Cidadãos por Góis.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Monumentos - XVII















fotos de António Martins (Castelo, Lousã - Agosto de 2008)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Manuel Rodrigues

Mais um dos nove irmãos Rodrigues, nascidos nas Ladeiras, o mais velho, que eu não conheci (faleceu com a idade de 60 anos, antes do meu nascimento). Casou com uma ladeirense, Cristina, e dessa união nasceram dois filhos, Luís e António.
Ainda o Luís era pequeno, o casal rumou a Lisboa, em busca de uma melhor vida, domiciliando-se no Bairro Alto.
Na capital, começou a trabalhar numa taberna/tasca, na Travessa dos Inglesinhos, como funcionário. Toda a sua vida profissional foi ligada a esta actividade, nos seus diversos ramos, restauração, comércio de vinhos... com fugazes intromissões no negócio das mercearias.
Chegou a ser sócio do meu avô materno (seu irmão) numa taberna na Rua dos Mastros e numa mercearia na Rua de Moçambique (nesta última, sujeitaram-se a um verdadeiro percalço comercial, onde tudo saiu errado... foi uma "etapa" plena de prejuízo).
Trabalhou, depois, no restaurante Capotes Brancos, situado ao cimo da viela do elevador da Glória. Registou o seu último "prélio" comercial na loja do prédio onde residia, na Rua da Barroca, num 3º andar, abrindo, ali, um restaurante seu.
Deste lar saíram mais dois belenenses, sócios (durante muito tempo). Encontrámo-nos, muitas vezes, nos saudosos domingos de futebol no Estádio do Restelo.

Outras terras... (Miranda do Corvo)


foto de António Martins (Miranda do Corvo, vista parcial - Agosto de 2008)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Às vezes, outras vezes...

Às vezes...
procuro ansiosamente
o caminho para te encontrar!...
Outras vezes...
busco teimosamente
a forma de me afastar!...
Às vezes...
sem querer
acabo por te encontrar!...
Outras vezes...
sem querer
acabo por me afastar!...
Às vezes...
saudosamente
quero-te encontrar!...
Outras vezes...
pausadamente
quero-me afastar!...
Às vezes, às vezes!...
Outras vezes, às vezes!...
Sinto que são vezes demais,
mas gostava que mais vezes fossem!...
Às vezes...
encontro-te
sem te procurar!...
Outras vezes...
permaneço
àvido de me afastar!...
Às vezes, sou eu!...
Outras vezes, não sou!...
Tantas e tantas vezes!...
Por António Martins (Às vezes tenho disto... hoje, a esta hora)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Carvalhal-Miúdo, paisagem...


foto de Jorge Martins (Carvalhal-Miúdo, a partir do cimo da sebe, ao fundo Góis - Agosto de 2008)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Monumentos - XVI


foto de António Martins (Capela de Nª. Srª. das Necessidades, Monte do Colcurinho - Maio de 2005)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Outras terras... (Ponte das 3 entradas)


foto de António Martins (Ponte das 3 Entradas - Maio de 2005)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Monumentos - XV


foto de António Martins (Castelo de Montemor-o-Velho, Março de 2005)

Barroca (Carvalhal-Miúdo)

Situada na encosta de Carvalhal-Miúdo... vai confinar com outra que desce do Esporão.
Era neste local que os meus avós possuiam umas videiras que forneciam umas uvas brancas deliciosas (aquele tipo que na giria era conhecido por "colh.. de galo").
Por lá tinham dois pequenos terrenos e uma velha casa, com telhado, para onde, temporalmente, traziam o gado, que ali ficava uns tempos a transformar o mato em esterco para posteriormente ser utilizado no adubar das terras.
O solo daqueles pedaços de terra continha muita pedra, fraga, portanto não era bom para amanhar... lá existiam oliveiras e outras espécies de árvores, para além das aludidas videiras.
Apesar de tudo era uma zona controversa, pelo que tinha de mítico, era especial para a família. O meu avô, em final de vida, vendeu aqueles terrenos, o que veio consistir em enorme desgosto e frustração, pelo vazio que trouxe a sua perda, para a maior parte dos membros da família...

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Nélson Évora, campeão olímpico (Triplo Salto)

Pequim 2008 - Jogos Olímpicos...
Já temos um campeão olímpico, já temos uma medalha de ouro.
Nélson Évora, no triplo salto, saltou 17,67mts (ao seu 4º. ensaio) e sagrou-se campeão olímpico, ganhando, assim, o tão almejado ouro.
Acabou de dar a volta de honra ao estádio, levando consigo a bandeira lusa.
Parabéns campeão!!!
Obrigado por seres amigo do meu filho...


foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (Nélson Évora, Taça da Europa, Grupo B da I Liga , Milão (Itália) - Junho de 2007)

Monumentos - XIV


foto de Hugo Mendonça (Monumento a José Nunes de Oliveira Santos, fundador dos Armazéns do Chiado (Lisboa), Barril de Alva - Maio de 2005)

António Rodrigues

Falamos, hoje, sobre mais um irmão do meu avô materno e da minha avó paterna... De todos os irmãos, talvez aquele que conseguiu acumular mais património, pelo menos à primeira vista.
Veio para Lisboa trabalhar para os "trapos" (termo com que, na giria, denominávamos o ramo comercial da venda de pronto-a-vestir e de alfaiataria. No tempo em que ele começou, o vender obra já feita, resumia-se a modelos e confecção um pouco inconsistentes), para empregado da firma Rodrigues & Rodrigues, na rua de S.Paulo.
Por Lisboa casou com a D. Ilda (que assim ficou a ser tia do meu pai, e dos outros sobrinhos... mais tarde, minha tia também) e desse matrimónio nasceram três seres do sexo feminino (Helena, Odete e Palmira, mais conhecida por "Bibi") e um do sexo masculino (Carlos).
Foi o tio António Rodrigues que foi buscar o meu pai às Ladeiras, sua terra de nascimento, e o trouxe para sua casa, em Lisboa, em 15 de Outubro de 1940, tinha ele dez anos. Desse modo veio recriar na sua mente o gosto pela actividade que exercia, que depois veio a ser a vida profissional do meu pai.
Chegou a ter quatro estabelecimentos ao mesmo tempo... aquele que foi o primeiro e se manteve até aos fim dos seus dias, na Calçada do Carmo (Confecções Acar), ao fundo dessa rua no seguimento para a Estação da CP, do Rossio, do lado esquerdo manteve, durante algum tempo, um pequeno Bar, e possuiu uma loja na Arruda-dos-Vinhos e outra em Alverca, dedicadas ao mesmo ramo de actividade da original, ambas com alfaiataria.
A sua residência era no mesmo prédio da loja da Calçada do Carmo. Teve algumas conotações com a vida boémia, onde algumas mulheres estiveram nesse desiderato... não sei se terá sido verdade, ou se terá sido manifestação da má língua e do desencanto.
Tinha uma casa em Capelas, perto de Torres Vedras, onde realizou grandes encontros de família, com belos almoços, amistosos e deslumbrantes... com muita alegria e são convívio. Tanto o meu padrinho como o meu avô, o referenciaram até ao fim de suas vidas.
Parece que neste momento ainda me soa ao ouvido o som da sua rouca voz...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Monumentos - XIII


foto de Hugo Mendonça (Igreja Matriz ou de S.Bartolomeu, Aldeia das Dez - Maio de 2005)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Monumentos - XII


foto de António Martins (Igreja de Santa Cruz, Coimbra - Dezembro de 2005)

Casimiro Martins (Esporão)

Foi um grande regionalista. Mentor e organizador da Comissão de Melhoramentos do Esporão, e com importante trabalho realizado em prol da sua aldeia. Trouxe a electricidade para o Esporão (foi um dos grandes impulsionadores para que ela, também, viesse para Carvalhal-Miúdo), mas esteve noutros melhoramentos para a sua aldeia, onde se destacam o lavadouro e a estrada que liga o seu centro à EN2. Faleceu num brutal acidente de viação quando regressava da sua aldeia, na zona da Asseiceira, fazem no próximo ano 4o anos, portanto ainda com muito para dar, mas isto são contingências da própria vida.
Em homenagem à pessoa que foi, e recordando-o, passo a transcrever um texto publicado no extinto Correio da Serra, boletim regionalista, propriedade da secção recreativa e desportiva da Comissão de Melhoramentos do Esporão, no seu nº. 2, do 1º trimestre de 1984, enaltecendo, também, essa desaparecida publicação...
"CASIMIRO MARTINS, O HOMEM QUE VIVEU E MORREU PELO REGIONALISMO"
"1969-1983, catorze anos se passaram sobre o dia em que um trágico acidente de viação ceifou a vida a Casimiro Martins.
Casimiro Martins fundador e sócio nº. 1 da Comissão de Melhoramentos do Esporão, onde durante catorze anos exerceu as funções de Presidente de Direcção, acumulando com outros cargos tais como membro do Conselho Fiscal e da Assembleia Geral. Casimiro Martins era ainda director da Casa do Concelho de Góis, da Liga de Melhoramentos da Folgosa da Madalena, da Associação dos Antigos Alunos da Escola Rodrigues Sampaio, do Grupo Desportivo do Comércio e Indústria, bem como Vice-Presidente da Direcção da Liga dos Amigos de Queluz.
Casimiro Martins nasceu para ser dirigente, estava-lhe na massa do sangue, o seu entusiasmo, a sua vontade de lutar e vencer era algo de contagiante, quem lhe tirasse o regionalismo tirava-lhe a alegria de viver.
Casimiro Martins, deu tudo o que tinha, inclusivé a própria vida, à terra que o viu nascer, o Esporão. Foi durante o mandato de Casimiro Martins que a Comissão de Melhoramentos conseguiu levar a efeito a sua maior obra de sempre, a electrificação da povoação, aquilo que muitos julgavam impossivel e que se tornou realidade; para se compreender a grandiosidade desta obra, basta observar quem em 1983 houve povoações do nosso concelho que inauguraram a luz eléctrica (o Esporão fê-lo em 1969) portanto há quinze anos e, numa obra totalmente custeada pela Comissão de Melhoramentos do Esporão.
Mas não foi só a electrificação, foi o lavadouro, a estrada que liga a povoação à Estrada Nacional (que já não chegou a ver a sua concretização, mas a ele se deve todo o processo), e outros pequenos melhoramentos que fizeram com que os moradores do Esporão muito lhe ficassem a dever.
Para Casimiro Martins as dificuldades não o faziam parar, o impossivel era palavra que não constava no seu dicionário, sempre com um sorriso passava obstáculo por obstáculo até atingir o objectivo final por ele proposto, quando os outros desistiam, ele continuava sózinho, tudo fazendo em prol da sua terra amada, o ESPORÃO.
Ao trazermos aqui hoje a figura de Casimiro Martins, quisemos prestar-lhe uma justa homenagem. Nós que não tivémos a oportunidade e o ensejo de com ele trabalhar, mas por tudo o que lemos e ouvimos, perante a imagem do que foi Casimiro Martins sentimo-nos muito pequeninos como regionalistas, mas são exemplos como este que nos fazem seguir em frente, e não desistir aos primeiros obstáculos. O exemplo de Casimiro Martins dá-nos mais força e vontade de trabalhar em prol desta terra que todos amamos... O ESPORÃO."
Com a devida vénia, aqui fica registada, para sempre, a nossa justíssima homenagem...

Monumentos - XI


foto de António Martins (Igreja Matriz, Tábua - Maio de 2005)

"Passeio por Carvalhal-Miúdo", no blog Aldeia do Esporão

"16 de Agosto de 2008... O dia amanhece chuvoso, uma surpresa... e que tal um passeio a pé?". Assim começa o post do blog Aldeia do Esporão, no passado dia 17.

Para ler o resto do post aceda aqui.

Para ver a reportagem fotográfica do passeio clique aqui.

Obrigado pela vossa visita...voltem sempre!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Aniversário do blogue "Terras do Esporão"

Porque é de elementar justiça, temos de fazer uma referência ao primeiro aniversário do blogue amigo e vizinho "Terras do Esporão". À pessoa do seu administrador , o Abílio, o meu singelo abraço de parabéns (foi o grande impulsionador para a existência deste blogue, pelo seu ânimo e pela sua palavra), extensivo aos restantes colaboradores.
Continuem com a força, qualidade e perseverança, até aqui manifestadas, que, concerteza, muitos mais aniversários serão comemorados.
Votos das maiores felicidades!!! Bem hajam!...
A administração do blogue "Notas de Carvalhal-Miúdo e Ladeiras de Góis"

Monumentos - X


Foto de Hugo Mendonça (Fontanário, Barril de Alva - Maio de 2005) - Pormenor interessante o da água saír de um barril...

Courela das Loisas

Em Carvalhal-Miúdo.
Esta parcela de terreno era a menina dos olhos dos meus avós. Situa-se por baixo da antiga eira, com palheiro de apoio, pertencente à casa da família Neves, que conflui com o caminho pedestre que nos levava ao rio Ceira.
Com uma extensão razoável, tendo por comparação as habituais áreas das terras amanhadas da região.
Dalí os meus avós extraiam milho, feijão, batata, uva (das videiras que ladeavam o terreno), azeitona (de algumas oliveiras que se encontravam nos seus limites), abóboras, entre outros produtos agrícolas.
Os meus avós cuidavam deste terreno com muito enlevo e nele trabalhavam imenso. Só na sua meia-idade lhes veio a pertencer (já anteriormente o amanhavam, mas como caseiros).
Foi das últimas courelas a deixarem de ser amanhadas...

Monumentos - IX


foto de António Martins (Igreja de São Tiago, Coimbra - Dezembro de 2005)

domingo, 17 de agosto de 2008

Monumentos - VIII


foto de António Martins (Igreja de S.Pedro, Lourosa - Maio de 2005)

P.S. - Esta igreja é um dos mais característicos templos da arquitectura peninsular do séc. X e único exemplar de basílica moçárabe existente em Portugal. Encontra-se a 9 km de Oliveira do Hospital. Foi construída entre 912 e 950.

Cabeço (Carvalhal-Miúdo)

Como o próprio nome faz entender, o Cabeço fica situado num ponto alto... local previligiado, donde se vislumbram belíssimas panorâmicas, onde o ar não falta.
Ali tinham os meus avós uma pequena courela, com algumas árvores de fruta (creio que pereiras) e umas videiras, que lhes forneciam uma uva branca maravilhosa (tinham umas outras de uma uva branca excepcional, mas num outro local, denominado Barroca, que numa oportunidade futura abordaremos).
Neste aprazível recanto existiam pedaços de terra plana e rija que servia de eira na função de secar diversos produtos agrícolas, tais como o milho e o feijão.
Também, noutros tempos, por ali se fizeram alguns bailes a toque de concertina, ferrinhos e guitarra.
Para aqueles lados, também era habitual levar-se muitas vezes o gado, a fim de degustarem a erva que por ali havia, e porque era fácil, naquele local, coordenar os movimentos dos animais com maior eficácia.

Outras terras... (Penacova)


foto de António Martins (Penacova, vista parcial - Março de 2006)

sábado, 16 de agosto de 2008

Monumentos - VII

Um amigo é hoje aniversariante, em sua homenagem publica-se a foto seguinte...


foto de António Martins (Capela de Nossa Senhora das Preces, Santuário - Setembro de 2004)

Os fontanários de Carvalhal-Miúdo

Existem quatro fontanários em Carvalhal-Miúdo...
Há um no cimo do lugar (creio que ainda funciona), que servia para dar apoio aos habitantes desta zona da aldeia (embora todos se pudessem servir de qualquer um, são públicos... mas às vezes existiam determinados preconceitos...).
Outro foi construído a meio da povoação (hoje despovoada), na encruzilhada da estrada que corta o lugar e a escadaria central. É o mais utilizado, hoje em dia, por se encontrar à volta das casas dos habitantes sazonais da aldeia. Tem dimensões superiores aos restantes e arquitectura um pouco diferente, foi recentemente pintado (já foi publicada a sua foto no blogue).

foto de António Martins (fontanário do fundo do lugar - Setembro de 2007)

No fundo do lugar estão os outros dois (julgo não funcionarem)... um similar ao existente no cimo da aldeia, de características arquitectónicas idênticas, e o outro servia para bebedouro de animais.


foto de António Martins (chafariz, que funcionava como antigo bebedouro para os animais - Setembro de 2007)

Noutros tempos, quando a vida na aldeia era enérgica e natural, com muitos habitantes, coexistiam muitos animais que auxiliavam nos trabalhos do campo. Nessa altura este chafariz tinha outra vitalidade, tal como os outros...


sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Monumentos - VI


foto de António Martins (Igreja Paroquial Nossa Senhora do Ó, Ançã - Setembro de 2005)

Época de grandes eventos desportivos...


Pois é, em Pequim, na China, vão acontecendo os Jogos Olímpicos. Com imensas expectativas relativamente à nossa presença no judo, e depois na esgrima, tudo se gorou... mas está a iniciar-se o atletismo (e há umas esperanças na vela).
Esta madrugada Francis Obikwelu (bonito nome português, deve ser oriundo das Beiras...), começou a fase qualificativa na prova dos 100m, venceu a sua série, daqui a pouco irá correr os quartos-de-final (acredito que possa fazer um brilharete). Mas há mais três atletas que, julgo, poderão efectuar excelentes prestações e encetar o caminho das tão desejadas medalhas, Nélson Évora, Naide Gomes e Vanessa Fernandes, vamos lá ver!...
Por cá, temos a 70ª. Volta a Portugal em Bicicleta, que chegou ao seu segundo dia de prova, com os estrangeiros a dominar (o meu filho anda por lá a tirar uns "bonecos" para o jornal A Bola).
Amanhã temos a Supertaça "Cândido de Oliveira", em futebol, no Estádio do Algarve (Sporting-F.C.Porto) e para a semana terá início a Liga Sagres. Assim vai caminhando a roda desportiva, em tempo de férias...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Monumentos - V


foto de António Martins (Igreja Matriz, Avô - Setembro de 2004)

Monumentos - IV


foto de António Martins (Mosteiro de S. Pedro de Folques, Folques, pormenor de uma sala - Setembro de 2004)


foto de António Martins ( Mosteiro de S. Pedro de Folques, Folques - Setembro de 2004)

Casimiro Fernandes Félix

...o homem que fez apaixonar o rio Ceira.
Não sendo oriundo das Ladeiras, foi a terra que escolheu para concretizar o seu lar, pelo matrimónio com uma ladeirense de gema, D. Lucinda, e porque interiorizou todo o contexto que envolve aquele lugar, do qual sentia imenso orgulho. Do casamento nasceram quatro filhos, três rapazes e uma rapariga... Aurélio, Luís, António e Lurdes.
Trabalhou em Lisboa em ramos ligados às actividades das pescas e do peixe. As faunas marítima e fluvial sempre foram de grande interesse para ele, conhecia centenas de espécies de peixe (para não dizer milhares) de água salgada, e no que concerne às existentes no rio Ceira tinha noção de todas... aliás distinguia o rio como as palmas das suas mãos.
Após a reforma regressou às Ladeiras em definitivo. Permitiu-se, então, debruçar um mais atento olhar sobre os desígnios da sua segunda paixão, o rio Ceira, diziam: "...que as águas do rio Ceira se haviam apaixonado por ele..."
Associou-se ao meu avô, nesse paradigma da pesca, e foram dos poucos a quem foi concedida licença para o efeito (poucos usufruiram desse direito). Recordo-me de um dia ter ido com eles ao rio, em mero passeio e para tomarmos banho, e observar a forma peculiar do seu nadar, quase sem movimentar as águas, mexendo as suas pernas como as das rãs (julgava eu, que sou leigo no assunto), e mergulhando e voltando à tona de água, em movimentos de extrema agilidade e versatilidade (na altura vieram-me à memória os filmes do Tarzan, tendo em conta o próprio ambiente que nos rodeava).
O lema era pescar e não destruír... quando hoje se fala em ecossistema, preservar as espécies, etc., sentia-se nele, naquele tempo, esse apurado sentido. Não se deviam apanhar peixes muito pequenos, se havia determinada espécie que escasseava, não se deveria eliminar, e a própria altura para se fazer a faina, tinha que ser estudada, era espectacular a sua sensatez nessa área.
Nos tempos de lazer verifiquei, igualmente, a sua capacidade para o jogo da sueca, do chinquilho e da moeda, entre outros... gostava de confraternizar, permanecer em grupo, conversar... apreciava a sua maneira de elucidar os jovens (notava-se que gostava de fazê-lo), sempre de uma forma pausada, mas consequente, e explicar, no sentido de dissipar dúvidas que regularmente existiam em nossas mentes.
Era um óptimo conversador... nas palavras proferidas ficava sempre qualquer coisa que valia a pena ter ouvido. Estar na sua companhia era, também, aprender e aumentar conhecimentos.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Monumentos - III


foto de António Martins (Capela de S.Pedro, Arganil (arredores) - Setembro de 2004)

Chamas devastadoras (1974)

Salpicos de lume na memória,
daquele incêndio usurpador...
que nos afastou da "glória";
trazendo resquícios de tanta dor!...

Foram eucaliptais, pinheirais,
olivais, matagais e castanheiros;
videiras e outros que tais...
menos palha para os palheiros!...

Animais em solta debandada,
pelo arder de seus trilhos,
num ruído ensurdecedor!...

Foi a bandeira desfraldada,
queimada pelos atilhos...
que perdeu, assim, fulgor!...

Por António Martins (hoje, fora de tempo... intemporal)

Monumentos - II


foto de António Martins (Igreja Matriz, Lousã - Setembro de 2004)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Monumentos - I


foto de António Martins (Igreja Matriz, Coja - Setembro de 2004)

Ramalhuda

Em Carvalhal-Miúdo... fica situada na antiga estrada que nos trazia até ao fundo do lugar, da aldeia, desde a EN2 (na parte que não foi alcatroada).
Quando se fazia o caminho a pé das Ladeiras para Carvalhal-Miúdo, descendo aos Lameiros, vinhamos desembocar à aludida estrada, à curva que antecedia a chegada à Ramalhuda. Aí, descendo uma pequena recta, a meio do lado direito, tinham os meus avós um rudimentar imóvel, onde estavam instalados o forno, o curral do gado (com casa de apoio) e um pequeno palheiro.
Tinhamos que subir uma pequena escadaria, elaborada a partir das fragas que faziam (e fazem) parte integrante daquele solo, e após abrirmos uma velha cancela em madeira, surgia-nos do lado direito o forno (com a lenha emergente acamada ao fundo, num espaço construído para o efeito), à esquerda, a primeira porta era a do curral (onde os meus avós recolhiam o seu gado, composto, normalmente, por 6/8 cabeças, sendo 2 cabras e restantes ovelhas), a segunda era um compartimento de apoio ao gado. Havia um palheiro, cuja entrada era pelas traseiras, na parte superior. O recinto que mediava tudo isto, e pelo qual nos movimentavamos, estava coberto de fetos e algum mato.
Neste forno cozia-se a broa e a popular chanfana, prato típico da região. Em recipiente de barro era levado ao forno para cozer (composto por carne de cabra velha, batata e temperado, essencialmente, com vinho tinto, para além das especiarias e condimentos necessários à sua elaboração). Ainda hoje, é um prato tradicional em determinadas zonas beirãs.
Deste local tinhamos outro privilégio... uma vista extraordinária e maravilhosa, onde podiamos, igualmente, observar a vila de Góis.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Outras terras... (Gramaça)


foto de Hugo Mendonça (Gramaça, paisagem - Maio de 2005)

domingo, 10 de agosto de 2008

C.M.Ladeiras em assembleia geral

Decorreu, ontem, dia 9 de Agosto a assembleia geral da Comissão de Melhoramentos das Ladeiras, na casa de convívio da referida aldeia, com a participação de 27 pessoas.
Todos os itens referentes ao exercício de 2007, e os restantes que compunham a Ordem de Trabalhos (colocados à apreciação e discussão da assembleia), foram aprovados por unanimidade.
Nada a dizer contra!...
Parabéns!!!
Força para o presente ano!...

Outras terras... (Aldeia das Dez)


foto de Hugo Mendonça (Aldeia das Dez, vista panorâmica - Maio de 2005)

A água dos Lameiros

Como era fresca e límpida a água que brotava por entre fragas, vinda algures da serrania, e se esvaía numa espécie de bica rudimentar, moldada ao longo dos anos (senão séculos) pelo seu correr contínuo, pelos Lameiros (Ladeiras)...
Inquiro-me: - Se ela era tão boa, tão fresca, no meu tempo de criança, como terá sido a água, naquele local, nos tempos de infância dos meus pais e dos meus avós?
A água era, no entanto, um pouco férrea (parece-me que chegaram a ser feitas análises laboratoriais à mesma... e foi detectada uma quantidade de ferro superior aos níveis considerados normais, senão teriam sido, mesmo, estudadas as questões do engarrafamento e da respectiva comercialização), pormenor que se vislumbrava, só pelo olhar, pela côr castanho dourado das pedras que circundavam o terminus do seu percurso.
Este leito de água encaminhava-se, depois, para um poço que se encontrava numa courela em frente, onde os donos (ou os seus caseiros...) semeavam milho, feijão, para além de diversas verduras, sujeitas à rega periódica.
Lembro-me que o milho que por ali crescia... havia anos em que atingia um porte soberbo, tal como os feijoeiros.
Como era fresquinha e saborosa a água dos Lameiros!...

sábado, 9 de agosto de 2008

Outras terras... (Moínhos de Gavinhos)


foto de António Martins (Moínhos de Gavinhos, vista parcial - Maio de 2005)

Carvalhal-Miúdo, uma casa por construir...

É, sem sombra para dúvidas, uma das grandes frustações dos meus pais, ao longo de toda a sua vida...
Já lá vão cerca de 35 anos (tinha eu dezasseis anos), quando o meu pai encetou conversações com o sr. Cassiano Bandeira, do Esporão, no sentido de elaborar um orçamento para a construção de uma casa em Carvalhal-Miúdo, a ser feita no Quintal.
Chegaram a conclusões e acordos, e já tudo se encaminhava para que o imóvel pudesse iniciar a sua edificação.
Surge, no entanto, na época uma situação na actividade profissional do meu pai, na qual era sócio com o tio Armando... a hipotése de adquirirem o trespasse de uma loja de rés-do-chão (a que possuíam, embora na mesma rua, era de 1º andar, logo esta teria melhor localização), e todo o dinheiro poupado seguiu para uma aplicação diferente da anteriormente desejada.
Foi o caír de um sonho, jamais possível de concretizar, conclui-se hoje.
A conjuntura geral, e o movimento político e financeiro, do país, fizeram com que esta tomada de posição não viesse a dar os melhores frutos (acumulados a outros factos que não interessa, aqui, abordar), redundando num conflito de dificuldades, que teve o seu final com a necessidade premente do meu pai se desfazer do estabelecimento, para não piorar a situação.
Gorou-se, no tempo, a ambição de contruír uma casa na terra. Se tivesse sido levada a efeito, faria (talvez!...) com que outros seguissem as mesmas pisadas e Carvalhal-Miúdo, se calhar, não estaria como hoje se encontra...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Outras terras... (Vale de Maceira)


foto de Hugo Mendonça (Vale de Maceira, vista geral - Maio de 2005)

Querido mês de Agosto

A mata silenciada pelo ruído inexistente,
só sopro do vento se ouve num repente...
no ramo de uma árvore um pássaro canta,
como que aquele, ténue, momento espanta,
de uma alegria efémera, infelizmente!...

Mas eis um veículo que surge na estrada,
alguém que regressa à antiga morada?!...
Mais atrás vem outro, e um outro mais,
é a chegada das férias para os naturais;
momentaneamente a alegria é redobrada.

É tempo de festas nas nossas aldeias,
Parecem abelhas chegando às colmeias...
Preâmbulo de saudade, vivência e alegria
Renasce a força perdida, surge a euforia,
Por breve tempo se fazem novas teias...

Que regalo ver na serra gente presente...
só os campos não estão como antigamente,
cultivados, lavrados, plantados a preceito,
quase nada se vislumbra do mesmo jeito,
será que é facto para estar contente?...

Deixem que um sonho dure trinta dias...
que o tempo urge, no pulsar das cortesias,
No desfragmentar a memória da mente,
Estou alegre, Carvalhal-Miúdo tem gente...
Só não consigo ouvir as antigas melodias!...


Por António Martins (hoje, mesmo hoje...)

Outras terras... (Avô)


foto de António Martins (Avô, vista parcial, a partir da praia fluvial - Maio de 2005)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O resineiro

"Resineiro engraçado, engraçado no falar. Eu hei-de ír à terra dele, se ele lá me quiser levar...", dizia (e diz) a cantiga da Tonicha, que começou a interpretar na década de 70.
Não me é fácil desenvolver um texto informativo sobre o teor e especificidade do trabalho do resineiro, porque não sou conhecedor (também o não sou, profundamente, sobre outras áreas laborais já afloradas, mas sempre há mais tópicos para serem desenvolvidos e mais pormenores memorizados), das tarefas que o mesmo impunha, mas vou tentar divulgar alguns passos de que me recordo.
A sua principal função era extraír a resina dos pinheiros, fazendo a sangria nos troncos dos mesmos (daqueles que, pela sua robustez e idade, já o permitiam), e colocando púcaros (pequenos vasos) de barro abaixo das mesmas, para onde escorreria a respectiva resina. Após o encher dos púcaros, eram substituídos por outros vazios... por vezes vezes era preciso fazer sangrar a árvore noutro local, para se continuar a obter resina do mesmo pinheiro.
Preparavam e exploravam a resina, que depois dos recipientes cheios era transposta para grandes bidons, a fim de ser negociada com os industriais das celuloses.
Fartavam-se de caminhar por essas serras fora, durante todo o dia (até ao pôr do sol), pelos mais diversos pinhais, de quem os donos tinham feito, com ele, acordo para o efeito.
Recordo-me de uma "patifaria" que em miúdo lhes faziamos... com aquelas fisgas "para os pássaros", tentávamos acertar naqueles vasinhos de barro, e quando lhes acertávamos (hoje concluo), lá se ía o acumular de muitos dias de trabalho. Isto há cada um!...

Outras terras... (Coimbra)


foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (Coimbra, vista parcial - Março de 2005)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Outras terras... (Arganil)


foto de António Martins (Arganil, vista geral, tirado do Mont'Alto - Setembro de 2004)

O porco... vizinho por um ano

Era assim... comprava-se o porco (ainda leitão) numa feira, ou num mercado qualquer, e ao longo do ano engordava-se, para nos meados do outono se proceder a sua matança...
Era instalado sempre muito perto da habitação do dono, por vezes por baixo da mesma (assim era com os meus avós), ou ao lado (mas haviam excepções), na denominada quintã. Era alimentado diariamente (daí a sua localização perto da casa, para se encontrar mais acessível), com restos vegetais diversos, farinhas, pedaços de abóbora (em miúdo, tinha o hábito de lançar abóboras inteiras para o animal comer, e a minha avó ficava sempre zangada... Que "tás" a fazer menino? Não deites comer para o suíno!... Ai o teu avô se vê o que "tás" a fazer, catrino!...) e outras iguarias.
Periodicamente a "cama" onde o porco se deitava, ou seja o mato por onde andava e fazia as suas necessidades fisiológicas, era substituído e reposto por outro novo, apanhado para o efeito.
A comida era colocada numa maceira em pedra... cada "curral" tinha duas, uma para os sólidos outra para os líquidos, a água (muitas destas peças são hoje aproveitadas, após limpas e preparadas, para serem colocadas em muitas casas rústicas, para servirem de lavatórios).
O tempo passava, e chegados ao mês de Novembro (normalmente), procedia-se à sua matança...
Em Carvalhal-Miúdo, os meus avós, chamavam muitas vezes o sr. António, do Esporão, para a fazer (existiam outras pessoas, habilitadas para esse procedimento), mas teria de ter o auxílio de mais dois ou três homens, para segurar o animal, que por aquela altura era já de grande porte e com poder físico substancial.
Após à matança, o porco era estendido numa mesa, elaborada para a situação, e era chamuscado, para se queimarem todos os seus pelos. Posteriormente era pendurado e aberto para se lhe extrairem os diversos tipos de carne. Uns íam para a salgadeira, para serem consumidos durante o ano, outras para o fumeiro (caso dos presuntos)... aqui ficavam, também, os enchidos, mas neste caso teria de haver uma preparação mais elaborada (lavagem das tripas, colocação no seu interior da carne adequada, em conjunto com alguma parte mais gorda, respectivo têmpero e após serem cosidas, com linha especial, iriam passar pelo percurso necessário até poderem ficar penduradas no fumeiro).
O dia da matança do porco, era um dia de festa nas aldeias. O dono do animal convidava muita gente, a família comparecia... da carne retalhada, alguma era frita e comida nesse dia (a torresmada fresca, era belíssima), a cabeça do animal (a cachola ou cacholeira), no dia seguinte. Enfim, eram dias muito especiais estes, os da matança do suíno...

domingo, 3 de agosto de 2008

Outras terras... (Goulinho)


foto de António Martins (Goulinho, vista parcial, que esteve em festa este fim-de-semana - Setembro de 2004)

Retalhos da vida e do pão...

"Casa onde não há pão, todos ralham ninguém tem razão...", diz o provérbio.
Antigamente, no tempo dos nossos avós, bisavós, trisavós, tetravós... o pão era base intrínseca de uma refeição, se não fosse ela própria. Era confeccionado nos próprios lugares, pelas próprias famílias, nos fornos a lenha (às vezes tinha-se um forno, para o efeito, outras recorria-se ao forno do vizinho, ou de um aldeão com que se tivesse mais confiança), era a broa, feita à base de farinha de milho.
A broa foi suporte integrante da alimentação regular de muita gente... contam os meus pais que, enquanto miúdos, uma fatia de broa com uma sardinha, retalhada por 3 ou 4, era sinónimo de um almoço (isto se não existissem mais filhos no seio de uma família).
Haviam muitas dificuldades por estas serras... e as pessoas tudo tentavam trazer dos campos para casa, com o amanhar das suas terras e mediante as espécies de sementeiras escolhidas... a batata, o feijão, as couves, etc.. Muitas vezes trabalhavam a dias para os proprietários mais abastados e o pagamento, desse labor, era feito em géneros alimentares...
Eram tempos muito difíceis, inimagináveis para a juventude de hoje em dia, mesmo tendo em conta que muitos vão sobrevivendo com dificuldades, principalmente nos grandes centros urbanos. Mas, mesmo aí, existem entidades associativas e estatais, vulgo banco alimentar contra a fome, "sopa dos pobres"... e lá se vão alimentando, embora possam dormir ao relento e desabrigadamente (mas isso são outras histórias...).
Nas décadas de 70 e 80, o padeiro começa a ír às povoações aldeãs, para fazer a sua venda... outro tipo de pão surge regularmente à mesa dos lares das nossas aldeias... o pão de trigo, o pão de mistura, entre outros.
Quando as populações, em determinados lugares começavam a rarear (Carvalhal-Miúdo é disso, infelizmente, um exemplo), os bens alimentares vêm ter com elas. Para os meus avós, já na terceira idade, foi bom, pois deixaram de ter necessidade de palmilhar quilómetros em busca do alimento base. A broa é que foi desaparecendo destas mesas, pelo menos "aquela broa!..."

Outras terras... (Piódão)


foto de António Martins (Piódão, vista geral - Setembro de 2004)

sábado, 2 de agosto de 2008

(In)consequências e (in)contingências...

Qual mágoa, qual
inerência?...
Qual virtude, qual
imensidão?...
jamais negarei a
insapiência,
ou ultrajarei a
insatisfação!...
Não vos quero
boquiabertos,
nem com espasmos
de sonolência.
Nunca de ouro
cobertos...
se não gostardes
paciência!...
Não sou matéria
espectante,
nem um soberbo
historiador!...
Só quero levar
por diante...
este percurso de
contador!...
De contos
mirabolantes,
ou relato do
quotidiano...
Já nada é como
dantes!...
Como será daqui
a um ano?...
Sonhador de muitas
maneiras,
de um sentir
já graúdo...
passo um olho
pelas Ladeiras,
e o outro por
Carvalhal-Miúdo.
Neste caminho
aqui à mão,
desenvolvido
na "net"...
não vou esquecer
o Esporão,
e outras(os) mais
dezassete!...

Por António Martins (hoje...)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Comissão de Melhoramentos de Ladeiras em assembleia, na casa de convívio

Está agendada para o próximo dia 9 de Agosto, pelas 17 horas, a assembleia geral da Comissão de Melhoramentos, na casa de convívio, nas Ladeiras.

Da ordem de trabalhos constam os seguintes itens:

- Apreciação e votação do relatório de contas da direcção;
- Parecer do conselho fiscal, referente ao ano de 2007;
- Tratamento e avaliação de diversos assuntos do interesse local.

foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (Casa de Convívio - Ladeiras, Julho de 2008)

Mina de água do Carvalhal-Miúdo

Segundo dados do INSAAR (Inventário Nacional de Sistemas de Abastecimento de Água e de Águas Residuais), na mina de água do Carvalhal-Miúdo, em cuja captação de água começou a partir de 1960, registada com o código 14010911, as águas são de origem subterrânea, o tipo de adução é gravítica e o tipo de captação é feito em galeria de mina.
Esta mina está localizada, naturalmente, no concelho e freguesia de Góis, e insere-se na Bacia Hidrográfica do Mondego e na Unidade Hidrogeológica do Maciço Antigo.
Fica a cargo da Câmara Municipal de Góis a sua gerência, estando actualmente em funcionamento e servindo, segundo os dados do INSAAR de 2006, entre 1 a 30 pessoas, conforme a altura do ano.
O volume de água anual captado estima-se em 58,80 m3.

Mais informações consulte o site do INSAAR.

Jogos de verão de 1987, organizados pelas Ladeiras


fotos de Adriano Filipe, gentilmente cedidas (em cima, o avô Luís tem ao colo a neta Inês que ganhou um troféu, o pai "baboso" observa; ao lado, a entrega do troféu ao concorrente mais idoso)

terça-feira, 29 de julho de 2008

Os cantoneiros

Eram indivíduos, funcionários públicos, que tinham por função manter as estradas nas melhores condições possíveis. Tapavam buracos, limpavam as bermas, pintavam os marcos de sinalização e quilometragem... no inverno colocavam areia sobre o gelo, que se formava nas curvas onde menos penetrava o sol, a fim de tentar evitar a existência de despistes.
Estabeleciam-se grupos específicos, de cantoneiros, para uma determinada secção de uma precisa estrada, pela qual eram responsáveis na sua limpeza, conservação e necessária reparação.
Tinham uma roupagem singular... chapéu de abas semi-largas, arredondado no topo, vestimenta tons cinza azeitonada e/ou acastanhada e botas de ensebar.
Recordo o sr. Manuel Fernandes, de Cimo de Alvém (onde residia), cabo dos cantoneiros, e o seu respectivo grupo. Muitas vezes faziam paragem na taberna do meu avô, para descansar um pouco e beber qualquer coisa.
Normalmente trabalhavam em grupo de dois ou três elementos, às vezes quatro.
A sua actividade era coordenada pela Junta Autónoma das Estradas, que possuía as denominadas casas dos cantoneiros, que serviam para dar guarida aos mesmos, e de armazém para as suas ferramentas e demais utensílios necessários ao seu labor.
Existia uma casa dos cantoneiros na Póvoa (Cerdeira), onde chegou a morar um outro cantoneiro de igual nome, ou seja Manuel (esta casa era utilizada por um outro grupo), que mais tarde casou no Esporão e por lá acentou residência...
Apesar das imensas críticas que lhes eram dirigidas, questionando o seu esforço e a capacidade no desempenho do seu trabalho... temos de concretizar que não era nada fácil, andar ao sol e ao frio (conforme a época do ano), naquele serviço.

foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (EN2 - Entrada para Carvalhal-Miúdo, Julho de 2008)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Festa das Ladeiras (rescaldo)

Como decorreram as festas das Ladeiras de Góis (dias 25, 26 e 27 ), na palavra do presidente da Comissão de Melhoramentos, Luís António Rodrigues Martins (pelo telefone)...

Apesar do primeiro dia ter sido assolado pela chuva, que chegou a tombar com alguma abundância, a opinião final é de regozijo...


Dia 25

N.C.L.G.- (Por volta da meia-noite) Então que tal correu o dia hoje?

L.A.R.M. - Foi fraco, pois teve sempre a chover... ainda apareceram algumas pessoas, mas ao iniciar-se a participação do conjunto começou a chuver abundantemente, e foi a debandada geral. Isto acabou muito cedo. Tivémos esta infelicidade. É azar. Vamos ver amanhã!...


Dia 26

N.C.L.G. - E hoje? O tempo está melhor? As coisas estão de feição?

L.A.R.M. - Sim, hoje está tudo muito melhor. O tempo está bom, veio bastante gente. Está tudo a divertir-se...

(Há a salientar a presença do meu primo Luís Cunha Martins, que já há alguns anos não ía às Ladeiras).


Dia 27

N.C.L.G. - (Pergunta feita dia 28) Que é que tem a dizer sobre o final da festa?

L.A.R.M. - Os últimos dois dias foram mesmo bons. No sábado foi grande o divertimento e o baile durou até às 3 e tal da madrugada. Os jogos tradicionais também correram bem. Ontem houve grande afluência de pessoas, participaram cerca de 60 no almoço, onde saliento o bacalhau e as migas da serra com entrecosto, mas estava tudo bom... foi só elogios!... Distribuiram-se os troféus dos jogos e o baile terminou por volta das 23h. Pena foi o primeiro dia... mas o saldo pode considerar-se positivo.

Para o ano há mais!...

N.C.L.G. - Certo. Votos de boas férias!...