sábado, 16 de agosto de 2008

Monumentos - VII

Um amigo é hoje aniversariante, em sua homenagem publica-se a foto seguinte...


foto de António Martins (Capela de Nossa Senhora das Preces, Santuário - Setembro de 2004)

Os fontanários de Carvalhal-Miúdo

Existem quatro fontanários em Carvalhal-Miúdo...
Há um no cimo do lugar (creio que ainda funciona), que servia para dar apoio aos habitantes desta zona da aldeia (embora todos se pudessem servir de qualquer um, são públicos... mas às vezes existiam determinados preconceitos...).
Outro foi construído a meio da povoação (hoje despovoada), na encruzilhada da estrada que corta o lugar e a escadaria central. É o mais utilizado, hoje em dia, por se encontrar à volta das casas dos habitantes sazonais da aldeia. Tem dimensões superiores aos restantes e arquitectura um pouco diferente, foi recentemente pintado (já foi publicada a sua foto no blogue).

foto de António Martins (fontanário do fundo do lugar - Setembro de 2007)

No fundo do lugar estão os outros dois (julgo não funcionarem)... um similar ao existente no cimo da aldeia, de características arquitectónicas idênticas, e o outro servia para bebedouro de animais.


foto de António Martins (chafariz, que funcionava como antigo bebedouro para os animais - Setembro de 2007)

Noutros tempos, quando a vida na aldeia era enérgica e natural, com muitos habitantes, coexistiam muitos animais que auxiliavam nos trabalhos do campo. Nessa altura este chafariz tinha outra vitalidade, tal como os outros...


sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Monumentos - VI


foto de António Martins (Igreja Paroquial Nossa Senhora do Ó, Ançã - Setembro de 2005)

Época de grandes eventos desportivos...


Pois é, em Pequim, na China, vão acontecendo os Jogos Olímpicos. Com imensas expectativas relativamente à nossa presença no judo, e depois na esgrima, tudo se gorou... mas está a iniciar-se o atletismo (e há umas esperanças na vela).
Esta madrugada Francis Obikwelu (bonito nome português, deve ser oriundo das Beiras...), começou a fase qualificativa na prova dos 100m, venceu a sua série, daqui a pouco irá correr os quartos-de-final (acredito que possa fazer um brilharete). Mas há mais três atletas que, julgo, poderão efectuar excelentes prestações e encetar o caminho das tão desejadas medalhas, Nélson Évora, Naide Gomes e Vanessa Fernandes, vamos lá ver!...
Por cá, temos a 70ª. Volta a Portugal em Bicicleta, que chegou ao seu segundo dia de prova, com os estrangeiros a dominar (o meu filho anda por lá a tirar uns "bonecos" para o jornal A Bola).
Amanhã temos a Supertaça "Cândido de Oliveira", em futebol, no Estádio do Algarve (Sporting-F.C.Porto) e para a semana terá início a Liga Sagres. Assim vai caminhando a roda desportiva, em tempo de férias...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Monumentos - V


foto de António Martins (Igreja Matriz, Avô - Setembro de 2004)

Monumentos - IV


foto de António Martins (Mosteiro de S. Pedro de Folques, Folques, pormenor de uma sala - Setembro de 2004)


foto de António Martins ( Mosteiro de S. Pedro de Folques, Folques - Setembro de 2004)

Casimiro Fernandes Félix

...o homem que fez apaixonar o rio Ceira.
Não sendo oriundo das Ladeiras, foi a terra que escolheu para concretizar o seu lar, pelo matrimónio com uma ladeirense de gema, D. Lucinda, e porque interiorizou todo o contexto que envolve aquele lugar, do qual sentia imenso orgulho. Do casamento nasceram quatro filhos, três rapazes e uma rapariga... Aurélio, Luís, António e Lurdes.
Trabalhou em Lisboa em ramos ligados às actividades das pescas e do peixe. As faunas marítima e fluvial sempre foram de grande interesse para ele, conhecia centenas de espécies de peixe (para não dizer milhares) de água salgada, e no que concerne às existentes no rio Ceira tinha noção de todas... aliás distinguia o rio como as palmas das suas mãos.
Após a reforma regressou às Ladeiras em definitivo. Permitiu-se, então, debruçar um mais atento olhar sobre os desígnios da sua segunda paixão, o rio Ceira, diziam: "...que as águas do rio Ceira se haviam apaixonado por ele..."
Associou-se ao meu avô, nesse paradigma da pesca, e foram dos poucos a quem foi concedida licença para o efeito (poucos usufruiram desse direito). Recordo-me de um dia ter ido com eles ao rio, em mero passeio e para tomarmos banho, e observar a forma peculiar do seu nadar, quase sem movimentar as águas, mexendo as suas pernas como as das rãs (julgava eu, que sou leigo no assunto), e mergulhando e voltando à tona de água, em movimentos de extrema agilidade e versatilidade (na altura vieram-me à memória os filmes do Tarzan, tendo em conta o próprio ambiente que nos rodeava).
O lema era pescar e não destruír... quando hoje se fala em ecossistema, preservar as espécies, etc., sentia-se nele, naquele tempo, esse apurado sentido. Não se deviam apanhar peixes muito pequenos, se havia determinada espécie que escasseava, não se deveria eliminar, e a própria altura para se fazer a faina, tinha que ser estudada, era espectacular a sua sensatez nessa área.
Nos tempos de lazer verifiquei, igualmente, a sua capacidade para o jogo da sueca, do chinquilho e da moeda, entre outros... gostava de confraternizar, permanecer em grupo, conversar... apreciava a sua maneira de elucidar os jovens (notava-se que gostava de fazê-lo), sempre de uma forma pausada, mas consequente, e explicar, no sentido de dissipar dúvidas que regularmente existiam em nossas mentes.
Era um óptimo conversador... nas palavras proferidas ficava sempre qualquer coisa que valia a pena ter ouvido. Estar na sua companhia era, também, aprender e aumentar conhecimentos.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Monumentos - III


foto de António Martins (Capela de S.Pedro, Arganil (arredores) - Setembro de 2004)

Chamas devastadoras (1974)

Salpicos de lume na memória,
daquele incêndio usurpador...
que nos afastou da "glória";
trazendo resquícios de tanta dor!...

Foram eucaliptais, pinheirais,
olivais, matagais e castanheiros;
videiras e outros que tais...
menos palha para os palheiros!...

Animais em solta debandada,
pelo arder de seus trilhos,
num ruído ensurdecedor!...

Foi a bandeira desfraldada,
queimada pelos atilhos...
que perdeu, assim, fulgor!...

Por António Martins (hoje, fora de tempo... intemporal)

Monumentos - II


foto de António Martins (Igreja Matriz, Lousã - Setembro de 2004)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Monumentos - I


foto de António Martins (Igreja Matriz, Coja - Setembro de 2004)

Ramalhuda

Em Carvalhal-Miúdo... fica situada na antiga estrada que nos trazia até ao fundo do lugar, da aldeia, desde a EN2 (na parte que não foi alcatroada).
Quando se fazia o caminho a pé das Ladeiras para Carvalhal-Miúdo, descendo aos Lameiros, vinhamos desembocar à aludida estrada, à curva que antecedia a chegada à Ramalhuda. Aí, descendo uma pequena recta, a meio do lado direito, tinham os meus avós um rudimentar imóvel, onde estavam instalados o forno, o curral do gado (com casa de apoio) e um pequeno palheiro.
Tinhamos que subir uma pequena escadaria, elaborada a partir das fragas que faziam (e fazem) parte integrante daquele solo, e após abrirmos uma velha cancela em madeira, surgia-nos do lado direito o forno (com a lenha emergente acamada ao fundo, num espaço construído para o efeito), à esquerda, a primeira porta era a do curral (onde os meus avós recolhiam o seu gado, composto, normalmente, por 6/8 cabeças, sendo 2 cabras e restantes ovelhas), a segunda era um compartimento de apoio ao gado. Havia um palheiro, cuja entrada era pelas traseiras, na parte superior. O recinto que mediava tudo isto, e pelo qual nos movimentavamos, estava coberto de fetos e algum mato.
Neste forno cozia-se a broa e a popular chanfana, prato típico da região. Em recipiente de barro era levado ao forno para cozer (composto por carne de cabra velha, batata e temperado, essencialmente, com vinho tinto, para além das especiarias e condimentos necessários à sua elaboração). Ainda hoje, é um prato tradicional em determinadas zonas beirãs.
Deste local tinhamos outro privilégio... uma vista extraordinária e maravilhosa, onde podiamos, igualmente, observar a vila de Góis.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Outras terras... (Gramaça)


foto de Hugo Mendonça (Gramaça, paisagem - Maio de 2005)

domingo, 10 de agosto de 2008

C.M.Ladeiras em assembleia geral

Decorreu, ontem, dia 9 de Agosto a assembleia geral da Comissão de Melhoramentos das Ladeiras, na casa de convívio da referida aldeia, com a participação de 27 pessoas.
Todos os itens referentes ao exercício de 2007, e os restantes que compunham a Ordem de Trabalhos (colocados à apreciação e discussão da assembleia), foram aprovados por unanimidade.
Nada a dizer contra!...
Parabéns!!!
Força para o presente ano!...

Outras terras... (Aldeia das Dez)


foto de Hugo Mendonça (Aldeia das Dez, vista panorâmica - Maio de 2005)

A água dos Lameiros

Como era fresca e límpida a água que brotava por entre fragas, vinda algures da serrania, e se esvaía numa espécie de bica rudimentar, moldada ao longo dos anos (senão séculos) pelo seu correr contínuo, pelos Lameiros (Ladeiras)...
Inquiro-me: - Se ela era tão boa, tão fresca, no meu tempo de criança, como terá sido a água, naquele local, nos tempos de infância dos meus pais e dos meus avós?
A água era, no entanto, um pouco férrea (parece-me que chegaram a ser feitas análises laboratoriais à mesma... e foi detectada uma quantidade de ferro superior aos níveis considerados normais, senão teriam sido, mesmo, estudadas as questões do engarrafamento e da respectiva comercialização), pormenor que se vislumbrava, só pelo olhar, pela côr castanho dourado das pedras que circundavam o terminus do seu percurso.
Este leito de água encaminhava-se, depois, para um poço que se encontrava numa courela em frente, onde os donos (ou os seus caseiros...) semeavam milho, feijão, para além de diversas verduras, sujeitas à rega periódica.
Lembro-me que o milho que por ali crescia... havia anos em que atingia um porte soberbo, tal como os feijoeiros.
Como era fresquinha e saborosa a água dos Lameiros!...

sábado, 9 de agosto de 2008

Outras terras... (Moínhos de Gavinhos)


foto de António Martins (Moínhos de Gavinhos, vista parcial - Maio de 2005)

Carvalhal-Miúdo, uma casa por construir...

É, sem sombra para dúvidas, uma das grandes frustações dos meus pais, ao longo de toda a sua vida...
Já lá vão cerca de 35 anos (tinha eu dezasseis anos), quando o meu pai encetou conversações com o sr. Cassiano Bandeira, do Esporão, no sentido de elaborar um orçamento para a construção de uma casa em Carvalhal-Miúdo, a ser feita no Quintal.
Chegaram a conclusões e acordos, e já tudo se encaminhava para que o imóvel pudesse iniciar a sua edificação.
Surge, no entanto, na época uma situação na actividade profissional do meu pai, na qual era sócio com o tio Armando... a hipotése de adquirirem o trespasse de uma loja de rés-do-chão (a que possuíam, embora na mesma rua, era de 1º andar, logo esta teria melhor localização), e todo o dinheiro poupado seguiu para uma aplicação diferente da anteriormente desejada.
Foi o caír de um sonho, jamais possível de concretizar, conclui-se hoje.
A conjuntura geral, e o movimento político e financeiro, do país, fizeram com que esta tomada de posição não viesse a dar os melhores frutos (acumulados a outros factos que não interessa, aqui, abordar), redundando num conflito de dificuldades, que teve o seu final com a necessidade premente do meu pai se desfazer do estabelecimento, para não piorar a situação.
Gorou-se, no tempo, a ambição de contruír uma casa na terra. Se tivesse sido levada a efeito, faria (talvez!...) com que outros seguissem as mesmas pisadas e Carvalhal-Miúdo, se calhar, não estaria como hoje se encontra...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Outras terras... (Vale de Maceira)


foto de Hugo Mendonça (Vale de Maceira, vista geral - Maio de 2005)

Querido mês de Agosto

A mata silenciada pelo ruído inexistente,
só sopro do vento se ouve num repente...
no ramo de uma árvore um pássaro canta,
como que aquele, ténue, momento espanta,
de uma alegria efémera, infelizmente!...

Mas eis um veículo que surge na estrada,
alguém que regressa à antiga morada?!...
Mais atrás vem outro, e um outro mais,
é a chegada das férias para os naturais;
momentaneamente a alegria é redobrada.

É tempo de festas nas nossas aldeias,
Parecem abelhas chegando às colmeias...
Preâmbulo de saudade, vivência e alegria
Renasce a força perdida, surge a euforia,
Por breve tempo se fazem novas teias...

Que regalo ver na serra gente presente...
só os campos não estão como antigamente,
cultivados, lavrados, plantados a preceito,
quase nada se vislumbra do mesmo jeito,
será que é facto para estar contente?...

Deixem que um sonho dure trinta dias...
que o tempo urge, no pulsar das cortesias,
No desfragmentar a memória da mente,
Estou alegre, Carvalhal-Miúdo tem gente...
Só não consigo ouvir as antigas melodias!...


Por António Martins (hoje, mesmo hoje...)

Outras terras... (Avô)


foto de António Martins (Avô, vista parcial, a partir da praia fluvial - Maio de 2005)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O resineiro

"Resineiro engraçado, engraçado no falar. Eu hei-de ír à terra dele, se ele lá me quiser levar...", dizia (e diz) a cantiga da Tonicha, que começou a interpretar na década de 70.
Não me é fácil desenvolver um texto informativo sobre o teor e especificidade do trabalho do resineiro, porque não sou conhecedor (também o não sou, profundamente, sobre outras áreas laborais já afloradas, mas sempre há mais tópicos para serem desenvolvidos e mais pormenores memorizados), das tarefas que o mesmo impunha, mas vou tentar divulgar alguns passos de que me recordo.
A sua principal função era extraír a resina dos pinheiros, fazendo a sangria nos troncos dos mesmos (daqueles que, pela sua robustez e idade, já o permitiam), e colocando púcaros (pequenos vasos) de barro abaixo das mesmas, para onde escorreria a respectiva resina. Após o encher dos púcaros, eram substituídos por outros vazios... por vezes vezes era preciso fazer sangrar a árvore noutro local, para se continuar a obter resina do mesmo pinheiro.
Preparavam e exploravam a resina, que depois dos recipientes cheios era transposta para grandes bidons, a fim de ser negociada com os industriais das celuloses.
Fartavam-se de caminhar por essas serras fora, durante todo o dia (até ao pôr do sol), pelos mais diversos pinhais, de quem os donos tinham feito, com ele, acordo para o efeito.
Recordo-me de uma "patifaria" que em miúdo lhes faziamos... com aquelas fisgas "para os pássaros", tentávamos acertar naqueles vasinhos de barro, e quando lhes acertávamos (hoje concluo), lá se ía o acumular de muitos dias de trabalho. Isto há cada um!...

Outras terras... (Coimbra)


foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (Coimbra, vista parcial - Março de 2005)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Outras terras... (Arganil)


foto de António Martins (Arganil, vista geral, tirado do Mont'Alto - Setembro de 2004)

O porco... vizinho por um ano

Era assim... comprava-se o porco (ainda leitão) numa feira, ou num mercado qualquer, e ao longo do ano engordava-se, para nos meados do outono se proceder a sua matança...
Era instalado sempre muito perto da habitação do dono, por vezes por baixo da mesma (assim era com os meus avós), ou ao lado (mas haviam excepções), na denominada quintã. Era alimentado diariamente (daí a sua localização perto da casa, para se encontrar mais acessível), com restos vegetais diversos, farinhas, pedaços de abóbora (em miúdo, tinha o hábito de lançar abóboras inteiras para o animal comer, e a minha avó ficava sempre zangada... Que "tás" a fazer menino? Não deites comer para o suíno!... Ai o teu avô se vê o que "tás" a fazer, catrino!...) e outras iguarias.
Periodicamente a "cama" onde o porco se deitava, ou seja o mato por onde andava e fazia as suas necessidades fisiológicas, era substituído e reposto por outro novo, apanhado para o efeito.
A comida era colocada numa maceira em pedra... cada "curral" tinha duas, uma para os sólidos outra para os líquidos, a água (muitas destas peças são hoje aproveitadas, após limpas e preparadas, para serem colocadas em muitas casas rústicas, para servirem de lavatórios).
O tempo passava, e chegados ao mês de Novembro (normalmente), procedia-se à sua matança...
Em Carvalhal-Miúdo, os meus avós, chamavam muitas vezes o sr. António, do Esporão, para a fazer (existiam outras pessoas, habilitadas para esse procedimento), mas teria de ter o auxílio de mais dois ou três homens, para segurar o animal, que por aquela altura era já de grande porte e com poder físico substancial.
Após à matança, o porco era estendido numa mesa, elaborada para a situação, e era chamuscado, para se queimarem todos os seus pelos. Posteriormente era pendurado e aberto para se lhe extrairem os diversos tipos de carne. Uns íam para a salgadeira, para serem consumidos durante o ano, outras para o fumeiro (caso dos presuntos)... aqui ficavam, também, os enchidos, mas neste caso teria de haver uma preparação mais elaborada (lavagem das tripas, colocação no seu interior da carne adequada, em conjunto com alguma parte mais gorda, respectivo têmpero e após serem cosidas, com linha especial, iriam passar pelo percurso necessário até poderem ficar penduradas no fumeiro).
O dia da matança do porco, era um dia de festa nas aldeias. O dono do animal convidava muita gente, a família comparecia... da carne retalhada, alguma era frita e comida nesse dia (a torresmada fresca, era belíssima), a cabeça do animal (a cachola ou cacholeira), no dia seguinte. Enfim, eram dias muito especiais estes, os da matança do suíno...

domingo, 3 de agosto de 2008

Outras terras... (Goulinho)


foto de António Martins (Goulinho, vista parcial, que esteve em festa este fim-de-semana - Setembro de 2004)

Retalhos da vida e do pão...

"Casa onde não há pão, todos ralham ninguém tem razão...", diz o provérbio.
Antigamente, no tempo dos nossos avós, bisavós, trisavós, tetravós... o pão era base intrínseca de uma refeição, se não fosse ela própria. Era confeccionado nos próprios lugares, pelas próprias famílias, nos fornos a lenha (às vezes tinha-se um forno, para o efeito, outras recorria-se ao forno do vizinho, ou de um aldeão com que se tivesse mais confiança), era a broa, feita à base de farinha de milho.
A broa foi suporte integrante da alimentação regular de muita gente... contam os meus pais que, enquanto miúdos, uma fatia de broa com uma sardinha, retalhada por 3 ou 4, era sinónimo de um almoço (isto se não existissem mais filhos no seio de uma família).
Haviam muitas dificuldades por estas serras... e as pessoas tudo tentavam trazer dos campos para casa, com o amanhar das suas terras e mediante as espécies de sementeiras escolhidas... a batata, o feijão, as couves, etc.. Muitas vezes trabalhavam a dias para os proprietários mais abastados e o pagamento, desse labor, era feito em géneros alimentares...
Eram tempos muito difíceis, inimagináveis para a juventude de hoje em dia, mesmo tendo em conta que muitos vão sobrevivendo com dificuldades, principalmente nos grandes centros urbanos. Mas, mesmo aí, existem entidades associativas e estatais, vulgo banco alimentar contra a fome, "sopa dos pobres"... e lá se vão alimentando, embora possam dormir ao relento e desabrigadamente (mas isso são outras histórias...).
Nas décadas de 70 e 80, o padeiro começa a ír às povoações aldeãs, para fazer a sua venda... outro tipo de pão surge regularmente à mesa dos lares das nossas aldeias... o pão de trigo, o pão de mistura, entre outros.
Quando as populações, em determinados lugares começavam a rarear (Carvalhal-Miúdo é disso, infelizmente, um exemplo), os bens alimentares vêm ter com elas. Para os meus avós, já na terceira idade, foi bom, pois deixaram de ter necessidade de palmilhar quilómetros em busca do alimento base. A broa é que foi desaparecendo destas mesas, pelo menos "aquela broa!..."

Outras terras... (Piódão)


foto de António Martins (Piódão, vista geral - Setembro de 2004)

sábado, 2 de agosto de 2008

(In)consequências e (in)contingências...

Qual mágoa, qual
inerência?...
Qual virtude, qual
imensidão?...
jamais negarei a
insapiência,
ou ultrajarei a
insatisfação!...
Não vos quero
boquiabertos,
nem com espasmos
de sonolência.
Nunca de ouro
cobertos...
se não gostardes
paciência!...
Não sou matéria
espectante,
nem um soberbo
historiador!...
Só quero levar
por diante...
este percurso de
contador!...
De contos
mirabolantes,
ou relato do
quotidiano...
Já nada é como
dantes!...
Como será daqui
a um ano?...
Sonhador de muitas
maneiras,
de um sentir
já graúdo...
passo um olho
pelas Ladeiras,
e o outro por
Carvalhal-Miúdo.
Neste caminho
aqui à mão,
desenvolvido
na "net"...
não vou esquecer
o Esporão,
e outras(os) mais
dezassete!...

Por António Martins (hoje...)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Comissão de Melhoramentos de Ladeiras em assembleia, na casa de convívio

Está agendada para o próximo dia 9 de Agosto, pelas 17 horas, a assembleia geral da Comissão de Melhoramentos, na casa de convívio, nas Ladeiras.

Da ordem de trabalhos constam os seguintes itens:

- Apreciação e votação do relatório de contas da direcção;
- Parecer do conselho fiscal, referente ao ano de 2007;
- Tratamento e avaliação de diversos assuntos do interesse local.

foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (Casa de Convívio - Ladeiras, Julho de 2008)

Mina de água do Carvalhal-Miúdo

Segundo dados do INSAAR (Inventário Nacional de Sistemas de Abastecimento de Água e de Águas Residuais), na mina de água do Carvalhal-Miúdo, em cuja captação de água começou a partir de 1960, registada com o código 14010911, as águas são de origem subterrânea, o tipo de adução é gravítica e o tipo de captação é feito em galeria de mina.
Esta mina está localizada, naturalmente, no concelho e freguesia de Góis, e insere-se na Bacia Hidrográfica do Mondego e na Unidade Hidrogeológica do Maciço Antigo.
Fica a cargo da Câmara Municipal de Góis a sua gerência, estando actualmente em funcionamento e servindo, segundo os dados do INSAAR de 2006, entre 1 a 30 pessoas, conforme a altura do ano.
O volume de água anual captado estima-se em 58,80 m3.

Mais informações consulte o site do INSAAR.

Jogos de verão de 1987, organizados pelas Ladeiras


fotos de Adriano Filipe, gentilmente cedidas (em cima, o avô Luís tem ao colo a neta Inês que ganhou um troféu, o pai "baboso" observa; ao lado, a entrega do troféu ao concorrente mais idoso)

terça-feira, 29 de julho de 2008

Os cantoneiros

Eram indivíduos, funcionários públicos, que tinham por função manter as estradas nas melhores condições possíveis. Tapavam buracos, limpavam as bermas, pintavam os marcos de sinalização e quilometragem... no inverno colocavam areia sobre o gelo, que se formava nas curvas onde menos penetrava o sol, a fim de tentar evitar a existência de despistes.
Estabeleciam-se grupos específicos, de cantoneiros, para uma determinada secção de uma precisa estrada, pela qual eram responsáveis na sua limpeza, conservação e necessária reparação.
Tinham uma roupagem singular... chapéu de abas semi-largas, arredondado no topo, vestimenta tons cinza azeitonada e/ou acastanhada e botas de ensebar.
Recordo o sr. Manuel Fernandes, de Cimo de Alvém (onde residia), cabo dos cantoneiros, e o seu respectivo grupo. Muitas vezes faziam paragem na taberna do meu avô, para descansar um pouco e beber qualquer coisa.
Normalmente trabalhavam em grupo de dois ou três elementos, às vezes quatro.
A sua actividade era coordenada pela Junta Autónoma das Estradas, que possuía as denominadas casas dos cantoneiros, que serviam para dar guarida aos mesmos, e de armazém para as suas ferramentas e demais utensílios necessários ao seu labor.
Existia uma casa dos cantoneiros na Póvoa (Cerdeira), onde chegou a morar um outro cantoneiro de igual nome, ou seja Manuel (esta casa era utilizada por um outro grupo), que mais tarde casou no Esporão e por lá acentou residência...
Apesar das imensas críticas que lhes eram dirigidas, questionando o seu esforço e a capacidade no desempenho do seu trabalho... temos de concretizar que não era nada fácil, andar ao sol e ao frio (conforme a época do ano), naquele serviço.

foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (EN2 - Entrada para Carvalhal-Miúdo, Julho de 2008)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Festa das Ladeiras (rescaldo)

Como decorreram as festas das Ladeiras de Góis (dias 25, 26 e 27 ), na palavra do presidente da Comissão de Melhoramentos, Luís António Rodrigues Martins (pelo telefone)...

Apesar do primeiro dia ter sido assolado pela chuva, que chegou a tombar com alguma abundância, a opinião final é de regozijo...


Dia 25

N.C.L.G.- (Por volta da meia-noite) Então que tal correu o dia hoje?

L.A.R.M. - Foi fraco, pois teve sempre a chover... ainda apareceram algumas pessoas, mas ao iniciar-se a participação do conjunto começou a chuver abundantemente, e foi a debandada geral. Isto acabou muito cedo. Tivémos esta infelicidade. É azar. Vamos ver amanhã!...


Dia 26

N.C.L.G. - E hoje? O tempo está melhor? As coisas estão de feição?

L.A.R.M. - Sim, hoje está tudo muito melhor. O tempo está bom, veio bastante gente. Está tudo a divertir-se...

(Há a salientar a presença do meu primo Luís Cunha Martins, que já há alguns anos não ía às Ladeiras).


Dia 27

N.C.L.G. - (Pergunta feita dia 28) Que é que tem a dizer sobre o final da festa?

L.A.R.M. - Os últimos dois dias foram mesmo bons. No sábado foi grande o divertimento e o baile durou até às 3 e tal da madrugada. Os jogos tradicionais também correram bem. Ontem houve grande afluência de pessoas, participaram cerca de 60 no almoço, onde saliento o bacalhau e as migas da serra com entrecosto, mas estava tudo bom... foi só elogios!... Distribuiram-se os troféus dos jogos e o baile terminou por volta das 23h. Pena foi o primeiro dia... mas o saldo pode considerar-se positivo.

Para o ano há mais!...

N.C.L.G. - Certo. Votos de boas férias!...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

As alcunhas

A alcunha poderá ser um factor de riqueza, muitas vezes de humanismo, pois pode definir uma força de acção, um procedimento repetido, uma maneira de estar, uma atitude constante ou uma simples tomada de posição. Será o resultado da análise de determinado colectivo que vê e observa, regularmente, cada indivíduo que é alcunhado (é óbvio, que muitas pessoas são alcunhadas depreciativamente).
Estas referências têm, muitas vezes, mais conteúdo e representatividade que o próprio nome da pessoa.
Muitos seres humanos ficam conhecidos para a posteridade pela alcunha que, um dia, lhe foi atribuída. Não temos de ficar melindrados porque os nossos entes queridos, já desaparecidos, são relembrados pela sua alcunha. Por exemplo, o meu bisavô (paterno e materno) era conhecido pelo "Cantata", porque cantava às raparigas (o que hoje se denomina dar piropos), contava-lhes estórias e anedotas para as fazer sorrir, o meu avô materno era o "dr. Canoilo", porque gostava de se apresentar bem vestido, aprumado de costas direitas, quando na presença do sexo feminino (era muito bonito, com uns olhos doces...) e o meu avô paterno era cognomizado pelo "Camarão", pelo seu aspecto forte e de altura exemplar (na década de trinta estava na berra um pugilista, o melhor português de todos os tempos, José Santa, conhecido pelo "Santa Camarão", e o meu avô, pelo seu perfil, foi com ele conotado. Santa Camarão foi recentemente condecorado, a título postumo, pelo Estado Português e tem uma estátua em Ovar, no Largo Santa Camarão, em frente à casa onde morou). Por ser comparado ao Santa Camarão, é para mim, motivo de orgulho, pois o "boxeur" era uma pessoa de uma sensabilidade muito grande, sempre pronto a auxiliar o seu semelhante.
Mas isto das alcunhas já vem de há milhares de anos, os reis de Portugal têm todos um cognome (que não é mais que uma alcunha). D. Afonso I, muitos não sabem quem era, retirou-se o número romano para colocar o nome Henriques, na perspectiva de diferenciar o fundador de Portugal... mas se falarmos no "Conquistador" o leque de conhecedores do rei será aumentado, em largo número.
Assim é (e foi) no Serviço Militar, muitos companheiros são reconhecidos, através dos tempos, pela sua alcunha e/ou pelo seu número de militar.
Na política... Mário Soares é muitas vezes referenciado pelo "bochechas".
Robin dos Bosques (Robin Hood) ou Zé do Telhado (o português), que roubavam aos ricos para dar aos pobres...
Se falarmos em Sebastião José de Carvalho e Melo, muitos desconhecerão quem foi, mas se fizer referência ao seu título "Marquês de Pombal", já quase toda a gente o reconhecerá...
E tantos outros, os grandes guerreiros da História, os jogadores de futebol, os actores, os nossos colegas de trabalho...
Imensas pessoas das nossas aldeias, foram conotadas com uma alcunha, e hoje se falarmos sobre elas, com as novas gerações, referindo os seus nomes (José, João ou Manuel), ficam na dúvida de quem eram, mas se aflorarmos a sua alcunha (seja X, Y ou Z), logo são relembradas e reconhecidas.
A alcunha dá ao indivíduo a força de um estigma, muito para além da sua vida terrena, da vida dos seus filhos, ou dos seus netos...
E neste período contemporâneo, ganhou muita força nas escolas, marcando os alcunhados para o reconhecimento na sua existência. O meu filho é o "pastel" (por ser do Belenenses).
Eu recordo os tempos de escola, de uma forma sentimentalista e carinhosa, quase diariamente... e as alcunhas que foram apostas aos mais diversos colegas, mais os trazem à memória, no contexto universal da própria família escolar...
"Vilas", "Seixal", "Bucelas", "Cagalhão", "Pescada", "Pintassilgo", "Toi", "Faról", "Calmeirão", "Poeta", "Cuspidelas", "Sopas", "Banana", "Monas", "Faísca", "Beethoven", "Lagarto" entre tantas, e tantas, outras... eu era o "Cebolas" (para as meninas o "Cebolinhas")...

Góis na 1ª. Divisão Distrital da A.F.Coimbra


A Associação Educativa e Recreativa de Góis irá disputar a Série A da 1ª. Divisão Distrital da Associação de Futebol de Coimbra, na presente época futebolistica, 2008/2009, competindo com os seguintes clubes:

- A. D. Lagares da Beira, U. C. Eirense, C. O. J. A., A. D. C. S. Pedro de Alva, Mocidade F. C., G. D. Pampilhosense, C. R. A. D. Lamas, Travanca de Lagos, G. D. "Os Idosos", Académica/S. F. e G. D. Arouce-Praia.

A prova terá o seu início a 21 de Setembro.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Uma curiosidade...

Acerca da toponímica das aldeias Carvalhal-Miúdo e Carvalhal do Sapo.

"(...) O Carvalhal recebeu o seu nome por causa das muitas carvalhas que costumavam crescer nesta área. A aldeia é oficialmente conhecida por Carvalhal do Sapo, já que no concelho existe uma outra aldeia com o nome de Carvalhal Miúdo. Para distinguir as duas, a Câmara Municipal de Góis acrescentou ‘do Sapo’ em referência ao rio que passa por baixo da aldeia. Os habitantes, como foi-nos dito, tinham preferido a designação ‘Carvalhal do São João’ segundo o seu Santo Padroeiro. No censo da região de Góis do ano 1527 são ambos os ‘Carvalhal’ mencionados. O actual Carvalhal do Sapo tinha nesta altura 5 fogos. Assim estas duas aldeias coexistiram durante séculos (...)"

in Góis Property

fotos retiradas do site Góis Property (1ª imagem mostra parte de Carvalhal-Miúdo e a 2ª imagem mostra a aldeia do Carvalhal do Sapo)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Carvalhal-Miúdo...uma aldeia na Serra da Lousã


foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (Carvalhal-Miúdo, vista de Cortecega - Julho de 2008)

terça-feira, 22 de julho de 2008

Guilherme Santa Cruz

Natural de Cortecega. Veio a ser meu tio após desposar, em Carvalhal-Miúdo, a minha tia, de sangue, Arminda (retornando, com ela, para a sua aldeia de nascimento, após matrimónio). Desse casamento nasceram três filhos, Vítor (já falecido), Zulmira e Paulo. Trabalhador incansável, trazia as suas courelas num primor. Gostava de receber em sua casa, de forma humilde, mas sempre muito bem...era um puro e verdadeiro amigo!...
Chegou a vir para Lisboa na busca de uma vida melhor, mas não se deu bem... regressou às origens. Há episódios engraçados na sua passagem pela capital... como o de levar sopa, na lancheira, para o trabalho, sempre com o braço em movimento, chegando ao destino com o caldo todo entornado... Contam meus pais, que uma bela tarde decidiram ír a uma uma cervejaria para lhe proporcionarem a possibilidade de provar uns camarões... "compadre!... gafanhotos não!... ná, não quero!..."
Era um homem de um grande, grande coração... Lembro no fim das férias, quando íamos regressar, lá vinha ele despedir-se de nós, com uma saca de batatas às costas (vindo a pé, com a família, de Cortecega) para levarmos para Lisboa.
Aquela humildade tinha uma força incontrolavelmente boa... Quando, em certo momento da vida, meu pai passou por algumas dificuldades financeiras, foi das poucas pessoas que lhe ofereceu auxílio... "compadre, veja lá, se precisa de algum dinheiro?!... Tenho isto! Está à vontade!..."
Tinha aquele problema com o álcool... mas a vida não é perfeita!... E cada um de nós tem o seu destino!...
Tio, hei-de recordá-lo para a minha existência, com aquela saudade, que esteja onde estiver saberá perceber qual é!... Dê um abraço meu ao Vítor!... Até Lá!....
"Ta t'eu pa!..."


foto de António Martins (Cortecega, vista de Carvalhal-Miúdo, Setembro de 2007)

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Adeus, Carvalhal-Miúdo...até um dia destes!

Chegaram ao fim alguns dias de férias retemperadoras, com passagens por Cardigos (uma vila simpática, terra dos pais da minha namorada), Vila de Rei (com o seu marco geodésico onde se localiza o centro do país), Sertã (com os seus belos maranhos), Proença-a-Nova (onde encontrei praias fluviais de excelência), Piodão (linda como sempre, mas atenção ao abuso no negócio de turismo), Fraga da Pena (queda de água cristalina e fria, situada num local paradisíaco, no concelho de Arganil), Lousã (onde me banhei na Sra. da Piedade), Vila Nova de Poiares (que bela Chanfana!!!), Góis (Carvalhal-Miúdo, Ladeiras, Esporão, Cabreira - imperdível uma visita à praia fluvial do Lagar de Azeite -, Pena, Caselhos - onde houve um belo festejo, embora pouco concorrido), Mora (com as suas maravilhosas migas de espargos e uma inevitável visita ao Fluviário - que recomendo),... acabando em Vila Nova de Milfontes (onde tive oportunidade de fazer alguns dias de praia e visitar a FACECO, em São Teotónio).


foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (Despedida de Carvalhal-Miúdo rumo ao Sul, Julho de 2008)

domingo, 20 de julho de 2008

Clube de Futebol "Os Belenenses"

Hoje vou desanuviar um pouco...
Tempo de férias... praia, campo, viagens, em suma descanso laboral.
Início de nova época de futebol...
Como o meu avô (de Carvalhal-Miúdo) era do Belenenses, o meu pai é, eu sou, o meu filho é... e o meu tio Casimiro, também, é. E como o presidente da C.M.Ladeiras é, igualmente, dos pastéis, e o seu filho, idem (meu tio e meu primo)...
Aproveito para fazer uma pequena referência a um clube de que gosto muito, apresentando uma pequena súmula do seu palmarés futebolístico, a nível nacional...
I Liga/I Divisão: 65 presenças. Melhor: Campeão (1945/46)
II Liga/Divisão de Honra: 2 presenças. Melhor: 2º lugar (1991/92 e 1998/99)
II Divisão B: 2 presenças. Melhor: Campeão (1983/84)
Taça de Portugal: 67 presenças. Melhor: Vencedor (1941/42, 1959/60 e 1988/89)
Supertaça: 1 presença
Antiga I Liga: 4 presenças. Melhor: 2º lugar (1936/37)
Campeonato de Portugal: 12 presenças. Melhor: Vencedor (1926/27, 1928/29 e 1932/33)
E, pronto, aqui fica a referência, para a próxima voltaremos aos nossos principais assuntos...


foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (C.F."Os Belenenses", 1ª. Mão da 1ª. Eliminatória da Taça UEFA, Allianz Arena, em Munique, Bayern venceu 1-0 - Setembro de 2007)

sexta-feira, 18 de julho de 2008

"Ti Zé Sapateiro"

José Maria Alves (era o seu nome efectivo), com domicílio em Carvalhal-Miúdo, casado com a D. Maria... desse enlace nasceram sete bebés, quatro do sexo feminino (Silvina, Virgínia, Lucinda e Patrocínia) e três do sexo masculino (António, Casimiro e Armando).
Consertava calçado e fazia os sapatos brochados (tinham essa denominação, pelo espigão, de cabeça chata e larga, que era introduzido nas solas, a fim delas sofrerem menos desgaste). Concebia, igualmente, as tamancas feitas a partir da madeira. No fabrico destes artefactos, chegou a ter a colaboração de minha mãe, ainda adolescente.
Manipulava, paralelamente, as suas pequenas courelas.
No tempo das ceifas, no Alentejo, ía para lá trabalhar (para tentar ganhar algum pecúlio, que os rendimentos, naquele tempo, eram escassos).
Tinha uma pedra especial (presa ao chão), onde afiava as facas e os intrumentos da sua actividade, incluindo a roçadoura. Disponibilizava a sua pedra para os vizinhos poderem afiar, também, os seus intrumentos laborais.


foto de António Martins (Carvalhal-Miúdo, à direita local onde antigamente se encontrava a pedra para afiar os objectos cortantes, à esquerda a casa do "Ti Zé Sapateiro", agora restaurada pelos seus descendentes, Setembro de 2007)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Um abraço às nossas aldeias...

Dos Penedos aos Povorais,
vai o salto de um coelho...
é querer e chorar por mais,
paisagem vista ao espelho!...

A Pena não vou olvidar,
por paragem obrigatória...
da Folgosa ao Cadafaz,
é sempre a mesma história.

Para a Cerdeira a mensagem,
na Póvoa vou recordar...
onde os meus pais por miragem,
começaram, um dia, a estudar!...

Num roteiro pitoresco,
feito de simples maneira...
das Rodas nos vem o fresco,
da Cimeira e da Fundeira!...

Ao Esporão agora escrevo,
também com grande carinho;
esquecer-te, não me atrevo!...
"berço" do meu padrinho.

Para um contorno perfeito,
vou passar pela Ribeira...
num itinerário a preceito,
que nos fica ali à beira!...

Não me lembra quem lá vem,
nem disso eu faço alarde...
encosto em Cimo de Alvém,
meu pensamento, toda a tarde...

Ladeiras, por ti passei,
e isso ninguém o nega...
olho em frente, avistei
do outro lado Cortecega.

Carvalhal-Miúdo não esqueço,
calço, agora, os meus chinelos,
vou já, por qualquer preço,
com destino a Carcavelos!...

Alguns nomes de aldeias citei,
outros ficaram em carteira...
Mas para terminar me lembrei,
da povoação da Cabreira!...

Por António Martins (hoje... numa alusão incompleta ao Concelho de Góis)


foto de António Martins (Esporão, parte mais antiga da aldeia- Setembro de 2007)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Chico Larau

Homem pobre, deficiente, sem família (abandonado pela sua progenitora). Trabalhava a dias, guardando gado e apanhando mato (laborou para a família Neves em Carvalhal-Miúdo, onde viveu, em anexos pertencentes a essa família), mas raramente foi remunerado pelos seus serviços prestados... davam-lhe alimentação e sítio para dormir.
Fumava imenso (o tabaco Onça, que embrulhava em papel... mas muitas vezes não havia dinheiro para essa cobertura e, então, fazia o cigarro com as folhas mais finas das espigas de milho).
Nesse tempo, pleno de dificuldades, habitualmente comia sopa de castanhas piladas, por vezes algumas já tinham bicho, que ele ingeria, sem problemas, dizendo que era bichinho de pau santo.
Outro episódio (que repetia diversas vezes), era o de colocar um lacrau nas suas mãos, duramente calejadas, e o animal não conseguia picá-las...
Sendo conotado com o que, na giria, se denomina por "Zé Ninguém", continua a ter o seu nome pronunciado, mesmo por quem, na realidade, não sabe quem ele foi (até pelos mais jovens), tendo, por isso, todo o direito a ser recordado (embora de forma efémera), neste blogue. Teve uma vida de quase escravatura, com o mínimo de meios de subsistência. Faleceu num asilo, para idosos, em Coimbra.


foto de Adriano Filipe (Carvalhal-Miúdo, tirada a partir do Lavadouro - 25 anos atrás...)

terça-feira, 15 de julho de 2008

Festas das Ladeiras 2008 - 25, 26 e 27 de Julho

Uma vez mais terão lugar, no último fim-de-semana de Julho (6ª. feira, sábado e domingo), as festas de Ladeiras de Góis, numa organização da sua Comissão de Melhoramentos (com o acordo da edilidade local, delegada para o efeito). Seguidamente passamos a dar conta da respectiva programação:

6ª. feira, dia 25
17H - Abertura;
- Quermesse (que funcionará permanentemente, todos os dias);
22H - Baile, com o conjunto musical "Os Cheirinhos do Sul".

Sábado, dia 26
- Jogos tradicionais;
16H - Missa (na casa de convívio);
17H - Jogos tradicionais (continuação);
22H - Baile, com o conjunto musical "A Banda Mix" (de Vilarinho-Coimbra).

Domingo, dia 27
13H - Almoço tradicional;
16H - Leilão de ofertas;
17H - Entrega de troféus aos vencedores dos Jogos tradicionais;
18H - Actuação do Grupo de Concertinas "Irmãos Baptista";
- Encerramento.

Venham às Ladeiras para confraternizar, conterrâneos e amigos. As Festas são para todos!... Compareçam!!!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Metamorfose da vida

Ainda tenho na retina
as amanhadas courelas...
hoje ninguém imagina,
a alegria que era vê-las!...

Passaram anos e anos...
das mais variadas maneiras;
com verdades e enganos,
todos por ti, ó Ladeiras!...

Não te posso recordar,
somente pelas coisas boas;
porque a vida não é assim...

Nunca deixarei de te amar
e à música que tu entoas;
quando aguardas por mim!...

Por António Martins (hoje...)


domingo, 13 de julho de 2008

Idalina, das Ladeiras

...Não era, propriamente, uma peixeira (embora vendesse peixe), é que ela só vendia uma espécie... a sardinha. Portanto, era uma sardinheira!
Havia uma outra característica na sua apresentação e que lhe era peculiar... enquanto que as pessoas que andavam de canastra à cabeça, na faina da venda do peixe, colocavam o seu produto sob frescos vegetais (gelo não poderia ser, porque rapidamente derreteria... e quando iniciou a sua actividade seria coisa que não haveria por estes lados da serra), ela punha as suas sardinhas em cima de fetos, na sua canastra.
Era uma mulher muito animada, quando na companhia que lhe surtisse esse efeito (tinha o seu feitio, quando se aborrecia... mas isso qualquer um tem...), e possuia, apesar de tudo, um determinado carisma. Mãe solteira, vivia com imensas dificuldades para sustentar seus filhos, tendo de fazer pela vida, por essas aldeias da serra, na venda da sua sardinha, incluindo a "sui-generis" petinga, que foi ao longo de muitos anos o pequeno-almoço, senão o almoço, destas gentes que viviam do labor diário, nos seus campos.
Exerceu esta actividade pelos anos 50 aos anos 70.
Adorava o seu "copito" de vinho, que bebia, até, para matar a sede...
E contam, que um belo dia terá apostado que seria capaz de beber o conteúdo dum garrafão de cinco litros (em vinho), a acompanhar o simples chupar de um caroço de azeitona... não sei se terá ganho essa aposta?!...
Mas que foi uma personagem relevante para estas aldeias, lá isso foi.
Recordamo-la, hoje, com a inerente saudade!...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

XX Aniversário da Comissão de Melhoramentos do Esporão (1975)


Jantar Comemorativo do XX Aniversário da Comissão de Melhoramentos do Esporão (Casa do Alentejo, Lisboa - 13 de Dezembro de 1975)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Tão longe e tão perto (ou vice-versa)

Tenho os olhos rasos de água
quando me recordo de ti...
Carvalhal-Miúdo é com mágoa,
que constato, o tanto que perdi!...

Longos anos de leve ausência,
ultrapassados sem o sentir...
dessa única, frutuosa, essência,
não reflectida no teu porvir!...

Adiei inúmeras conversas,
iras, queixumes e confissões;
num tempo tido por incerto.

Existindo, não me dês meças,
nem me instaures sermões...
Nunca estive, assim, tão perto!...

Por António Martins (hoje, à passagem do 1º mês de existência de "Notas de Carvalhal-Miúdo e Ladeiras de Góis")


foto de António Martins (Carvalhal-Miúdo, visto a partir do Cabeço - Setembro de 2007)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Incêndio - Agosto de 1974

Carvalhal-Miúdo, férias... Manhã de dia 10 de Agosto de 1974, estávamos a terminar o pequeno-almoço... de repente alguém gritou: "Há fogo no Roubal!..."
Foi uma correria... apareceram pessoas das Ladeiras (os meus primos Luís e Jorge, também estavam de férias), do Esporão (recordo-me, plenamente, do "Ti" Américo...mais tarde explico porquê!...) e de outros lados. Fizeram-se aceiros para evitar a propagação do incêndio... sacudidela daqui, batidela dacolá... baldes de água que vinham chegando... e as chamas são dadas como controladas e de seguida extintas, pouco tempo depois...
...................................
Almoçávamos... num ápice todos se levantam!... Que é? Que é?...
Anda fogo lá em baixo, outra vez!...
Lá foram todos a correr, novamente. Mesmas atitudes, semelhantes movimentos, mais auxílio que chega (lembro-me do "Ti" Américo, do Esporão...), bate-se daqui, bate-se dacolá... mas, numa rapidez inesperada, o vento muda... o fogo altera o seu percurso e a sua "atitude", e, desembreadamente, inícia uma intensa galopada, ávido de mato para consumir e queimar. Todos começam a fugir!... Eu levava uns sapatos calçados que escorregavam nas carumas (dois passos para a frente, três ou quatro para trás...). O Luís gritava pelo meu nome e pelo do Jorge... já não se via ninguém e nada se vislumbrava (parecia que éramos incapazes de discernir e ver, fosse o que fosse...). Nunca mais conseguia chegar a terreno fixe, para poder zarpar dali... nisto surge uma mão amiga, era a do "Ti" Américo...
O fogo começou a galgar terreno, de forma tal, que, humanamente, se tornou impossível combatê-lo (pelos menos por civis, como nós), subiu a caminho da estrada nacional... outros focos apareceram, devido às fagulhas que o vento transportava (Celada da Corte, recordo-me...), e foi um ver se te avias!...
Vieram bombeiros de toda a parte, aviões de diversos lados... era jorrar água das mangueiras (gritos daqui, orientações dacolá), líquido para suster o incêndio, deitado pelos meios aéreos (ainda levei com parte nas costas, fiquei com o corpo todo pegajoso...). Nunca se bebeu tanto leite por estes lados!...
As pinhas estalavam, os troncos das árvores sucumbiam (menos os dos eucaliptos, que meses depois haveriam de dar novos ramos...) e as labaredas eram cada vez maiores. Só passadas algumas horas (e muitas...), o fogo foi dado como controlado.
Foram dois ou três dias de suplício e permanente vigilância. A quantidade de árvores queimadas, e terra ardido, foi imensa.
Só quando cheguei a Lisboa, depois das férias (mais tarde, bem mais tarde...), e depois de estabilizar ideias, dei conta do que realmente sucedeu e do desastre ambiental que foi... para além do prejuízo havido.
Ainda hoje, quando recordo este grande acidente (da natureza?!...), vem-me logo à lembrança o "Ti" Américo, do Esporão...

Obrigado sr. Américo!!!

foto de António Martins (No dia seguinte, novo episódio do incêndio - Celada da Corte, Agosto de 1974)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Notas poéticas sobre Carvalhal-Miúdo e Ladeiras de Góis

Ladeiras, lugar de encantos...
aldeia onde meu pai nasceu;
que por entre seus recantos,
sua infância, por lá viveu!...

E Carvalhal-Miúdo desponta,
Num dos cabeços da Serra...
O que é para muitos, afronta,
Para minha mãe, é sua terra!...

Sítios pitorescos a monte...
Canto da parede, Lameiros,
Cerrado e Costa do Pinhal.

Abeceira, Vale da Fonte,
Barroca, Calçada dos Sobreiros,
Coiço, Mioteira e Roubal.

Por António Martins (hoje...)


foto de António Martins (Ramalhuda - Carvalhal-Miúdo - Setembro de 2007)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Manuel Bandeira (pai)

Natural do Esporão, da Boleirinha. Era padrinho de baptismo da minha mãe...
Veio para Lisboa laborar na Fábrica da Central de Cervejas (no edifício contíguo à actual Cervejaria Portugália, na Avenida Almirante Reis). Ao aposentar-se (naquela altura não existia a reforma) regressou à sua casa, da aldeia onde nasceu.
Na luta pela sobrevivência teve de ír trabalhar a dias, nas terras de outrém... conforme as lides agrícolas, e as respectivas necessidades, dos possuídores de courelas e terrenos para amanhar e manipular.
Não foi fácil a sua vida, viveu com muitas dificuldades, e humildemente...
Antigamente, era hábito (aquando da passagem de férias) levar para os residentes (familiares e amigos) mercearias e outros produtos de efectiva premência. Para ele (da parte dos meus pais), ía sempre uma parcela, o que agradecia imenso... mas quando o meu pai lhe dava duas onças de tabaco, e o respectivo papel, até os seus olhos brilhavam!...
Sempre de cigarro na boca (era apagar um, acender outro, preparado, sempre, de forma idêntica...), trabalhou até quase ao fim da vida (perto dos 90 anos...). Ainda tenho na retina, ele, de provecta idade, com um molho de mato às costas...
Recordo as suas docilidade e ternura!...

domingo, 6 de julho de 2008

António Rodrigues "Linardo"

Uns dos grandes impulsionadores (senão o mais acérrimo...) do movimento dos anos 40 (um grupo de cinco ou seis pessoas, emanadas pelo mesmo ideal), tentado a organizar uma Comissão de Melhoramentos para a aldeia de Carvalhal-Miúdo, que por diversas situações nunca conseguiram levar a bom termo (nunca se concretizou a sua oficialização, embora o movimento tivesse conseguido alguns melhoramentos para a aldeia).
Comerciante em Lisboa, no ramo das engraxadorias (muitos conterrâneos vinham para a capital e inseriam-se a trabalhar nesta actividade). Teve dois filhos do seu segundo casamento, com a D. Olinda, Maria Emília (hoje residente no Esporão) e António (com o qual privei imenso, na minha infância, como companheiro de brincadeiras, pelos campos de Carvalhal-Miúdo). Do primeiro casamento, com D. Alice, teve três filhas.
Domiciliado em Lisboa, no Bairro Alto (o meu pai, em solteiro, chegou a ter um quarto alugado em sua casa), tinha o seu lar em Carvalhal-Miúdo, no Cimo da Sebe (local com uma vista previligiada). Eu gostava muito de frequentar aquela casa e os lugares que a circundavam... havia, por lá, um pequeno terreiro onde até era possível jogar à bola...
Após a sua reforma regressou, definitivamente, a Carvalhal-Miúdo, procedendo ao cultivo e ao trabalhar das suas terras até que as forças o possibilitaram.
Era um grande regionalista e defensor das suas origens...

foto de Casimiro Martins Rodrigues (António Rodrigues, 1ª, à direita, junto à entrada principal da casa dos meus avós - Final da década de 70)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O milho, a farinha de milho e a broa

O milho era parte integrante na agricultura dos nossos antepassados, nestas aldeias. Era preponderante, e um ano com produção de muitos alqueires era fundamental. Do milho, após moagem, "nascia" a farinha, que tinha imensas aplicações, entre as quais o fabrico do pão desta serra... a broa.
Todavia até chegar a essa fase, ter-se-iam de passar por muitas outras...
Tudo começava com a preparação da terra, lavrando-a e cavando-a, a preceito, fazendo-se a sementeira a seguir (meados de Março). Quando a planta começava a fervilhar, procedia-se à sacha e ao seu arrendado (retirar ervas daninhas e acamar a terra). Depois tinhamos o desfolhar (as folhas colocavam-se ao sol, a secar, e depois de secas eram empalhadas, enleiradas e guardadas, em palheiros para alimento do gado), um tempo depois, a planta era despontada (o tirar da bandeira e da barbela) e mais tarde era retirada a espiga, que era levada para o palheiro, para posteriormente, se proceder ao seu escapelar (descamisar).
Nesta fase, as pessoas das aldeias costumavam-se juntar, auxiliando-se umas às outras e em reuniões nocturnas fazia-se esse trabalho, acompanhado de cânticos, contar de estórias e anedotas (lembro-me ainda de algumas escapeladas no palheiro do Cabeço). Aí separava-se a maçaroca (espiga) da palha envolvente e quando se encontrava uma espiga de milho-rei (milho vermelho) era uma festa... abraços e mais abraços.
Seguidamente tinhamos o debulhar e/ou o malhar e, depois, de todo o grão estar solto procedia-se à sua secagem em eiras, ou em terrenos calcados, ao sol.
De Carvalhal-Miúdo os donos do milho transportavam-no em sacas, às costas, para o moínho no Porto Ribeiro, junto ao Rio Ceira para proceder à moagem. Depois de moído, o milho já em farinha, retornava, pela mesma via, da mesma forma, e era guardada em arcas.
A farinha era consumida durante o ano, para os animais (galinhas, misturada com restos de couves, pele das batatas, etc.) e para a alimentação (papas de milho diversas, com sardinha, enchidos...), para fazer a broa.
A farinha, neste caso, era peneirada, amassada, fermentada e ficava a tendar... depois fazia-se a broa, ía ao forno a lenha e aí cozia. Em tempos de festas também de confeccionavam as bolas (tipo de broas recheadas com sardinhas, bacalhau, cebola, enchidos, carne...).
E a broa que a minha avó fazia era tão boa!...

foto de António Martins (Despontar do milho - Courela das Loisas - anos 70)

Comissão de Melhoramentos de Carvalhal-Miúdo

Apesar do desconhecimento de muitos (até então, nosso também) a Comissão de Melhoramentos de Carvalhal-Miúdo foi criada, mesmo que de forma não-oficial, durante o inverno do ano de 1948, numa reunião, na Rua Nova do Loureiro, nº 24 - 5º andar, em Lisboa, organizada pelo seu grande impulsionador António Rodrigues "Linardo", que conjuntamente com Casimiro Rodrigues Martins, Fernando Alves e António Alves alinhavaram as primeiras traves mestras do que seria premente melhorar e cuidar na aldeia.
Depois, outros habitantes e nascidos na aldeia, mas residentes noutras localidades, começaram a envolver-se igualmente e a criar um simples, mas efectivo, esqueleto de funcionamento com angariação de quotas, entre outras coisas.
Segundo apurámos, e ao contrário do que está escrito no blog da Comissão de Melhoramentos do Esporão (ler aqui), desconhece-se que estas aldeias se tenham fundido em Comissão única a não ser durante o projecto comum de electrificação das aldeias em questão, no final dos anos 60.
Dos muitos melhoramentos efectuados na aldeia, e com a ajuda da Câmara Municipal de Góis e outras organizações, criou-se infra-estruturas de abastecimento de água a partir de uma mina situada no Vale do Velho; construíram-se quatro chafarizes (três de uso humano e um para os animais) e construção do Lavadouro (esta última, não há certeza, mas pensa-se que já com a Comissão desagregada).
A Comissão de Melhoramentos de Carvalhal-Miúdo, nunca oficializada e agregada na Casa do Concelho de Góis, durou apenas até meados dos anos 50 (possivelmente 55 ou 56, não temos certeza), pelo que, com o passar dos anos, se tornou muito difícil efectuar qualquer tipo de melhoramento na aldeia.
A estrada de ligação à EN2 alcatroada para a povoação apenas teve efectividade nos anos 80, com a total responsabilidade da Câmara Municipal de Góis, após alguns pedidos insistentes por parte dos habitantes; a construção de uma escada em cimento a atravessar a povoação também foi conseguida nos anos 80 (por obra feita pela Câmara Municipal de Góis) e, mais tarde, já nos anos 90, a autarquia acabou por alcatroar o pouco que faltava de estrada que atravessa a povoação até ao fim da mesma, onde está o Lavadouro.
Com a desertificação do interior, neste caso particular de Carvalhal-Miúdo, e por vezes, o desinteresse da Câmara Municipal de Góis, a povoação deixou de ter algum interesse (para muitos - para nós não!). Talvez, se no passado a Comissão de Melhoramentos tivesse sido oficializada e mantida as coisas pudessem ser agora diferentes, mas de "ses" agora não interessa falar.
Este blog serve também, não apenas para contar histórias de Carvalhal-Miúdo e das Ladeiras e, consequentemente, das suas gentes, como também servirá, pensamos, para que ninguém se esqueça que estas povoações existem e precisam que olhem por elas, pois ainda há pessoas que gostam de viver nelas ou, simplesmente, visitá-las.

NOTA: Toda esta informação foi apurada de acordo com o que as pessoas mais velhas, e ainda vivas, nos disseram enquanto foram inquiridas sobre o tema. Agradecemos a todos aqueles que tenham informações mais fidedignas que as nos transmitam para que assim possamos recriar, com maior fidelidade, toda a história verdadeira da Comissão de Melhoramentos de Carvalhal-Miúdo. Obrigado!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O Esperado...

...Diária e ansiosamente era aguardado pelas gentes da serra, nas suas respectivas localidades... Francisco Paula, o carteiro, que trazia as notícias dos familiares e amigos, para os habitantes serranos. Todos os dias palmilhava cerca de 30 km, num percurso feito a partir de Góis, com o saco da correspondência às costas, passando por todas as aldeias desta zona do concelho, demonstrando, sempre, as mesmas afabilidade e amabilidade, muito prestável para com todos os conterrâneos.
Quando soava o som da corneta, era ver gente saír de suas casas para lhe perguntarem se havia alguma carta para eles e /ou lhe trazerem uma sua para resposta a uma outra, ou na intenção dela obterem notícias de volta.
Outros houve, que exerceram a mesma função, fazendo, igualmente, o itinerário a pé, antes da bicicleta e da motorizada (lembro-me do Claudino...), mas o Chico Paula (como era conhecido), pelo seu carisma, tornou-se, quase, numa figura mítica da serra...

foto de Adriano Filipe (Não é o "Chico" Paula, mas terá sido um dos últimos carteiros a fazer as entregas a pé - percurso Carvalhal-Miúdo/Esporão - anos 70)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

"Chico Peras"

...Era a alcunha de Francisco Almeida.
Não era da terra, mas a Carvalhal-Miúdo veio desposar a D. Maria do Céu. Desse casamento nasceram cinco filhos, todos do sexo masculino. Tinha como profissão peixeiro e, em consequência disso, calcorriou inúmeros lugares por esta serra fora. Mais tarde largou essa actividade e dedicou-se mais à lavoura. Lembro-me, de ainda miúdo, estar junto a ele, no cimo da sebe, onde preparava o seu burro, animal que ficava num curral neste sítio (embora ele, o dono, morasse um pouco mais a baixo, na casa da figueira)... servia o macho para transportar o esterco dos animais (estrume) para as fazendas, a fim do referido exercer a função de adubo para as terras. O sr. Chico dava muita atenção aos miúdos, e ía explicando a sua tarefa, conforme os passos e os movimentos dados, depois perguntava-nos: - Querem um figo?...
Há um facto relevante na sua relação para com a aldeia e, posteriormente, para com toda a região: - Nas suas viagens, de compra e venda de peixe, acabou por trazer consigo o eucalipto (um, dois, três, depois mais...) que foi plantando nestes campos. Contribuiu, de certa forma, para (num futuro), se poder evidenciar (observando-se a época em questão, anos 50 e 60), algum vértice de riqueza, com o implantar da árvore e a proliferação do negócio da madeira, das resinas e da indústria do papel, no concelho. É certo que o eucalipto tornou-se uma árvore nefasta, pela secura que provocou nas terras, pois as suas raízes vão sugar a água a grandes distâncias, mas sob o ponto de vista evolutivo, veio proporcionar algum progresso. Hoje, talvez, se raciocine de um outro modo, e com perspectiva diferente...

foto de António Martins (ao cimo, à direita, ainda se veêm a figueira e as paredes claras da casa... Carvalhal-Miúdo - Setembro 2007)

terça-feira, 1 de julho de 2008

As Alminhas

Muitas povoações portuguesas têm estes pequenos monumentos religiosos (forma de culto, e hábito, que nos foi legado por alguns dos povos que habitaram a Península Ibérica, ex.: Celtas e Romanos, embora sem qualquer certeza) e quase todas, do nosso concelho os possuiem e os ostentam.
Para além do seu valor intrínseco no contexto da arte popular portuguesa (de que são uma original forma expressiva), são centros de meditação e culto, onde, habitualmente, se dizem orações a favor das almas do Purgatório (demonstração inequívoca da religiosidade do nosso povo).
Diversos energúmenos vandalizam este importante património (principalmente aquelas que não estão protegidas por grades), umas vezes em busca de alguns valores, que ali estão depositados, outras pela "simples" forma macabra de apenas destruír.
Em Carvalhal-Miúdo, as Alminhas foram recentemente limpas e pintadas, as suas paredes exteriores, por benfeitores particulares.

foto de António Martins (Alminhas, Carvalhal-Miúdo, Setembro de 2007)

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Abel das Neves

Personalidade diferente da generalidade das gentes, destes lugares da serra...
Tendo a sua vivência em Carvalhal-Miúdo, casou com a D. Zulmira... dessa união nasceram quatro filhos, três do sexo masculino e um do sexo oposto. Um homem que parecia trazer, quase sempre, consigo uma expressão sorridente. Adorava confraternizar, beber o seu copinho e degustar o seu petisco (sempre nos acompanhava, quando íamos até às Ladeiras, ou ao Esporão, para humedecer nossas gargantas).
Quando aos domingos, dia de descanso da faina campestre, nos juntávamos com os residentes, lá surgiam os jogos de sueca... hábito, que para ele, era recebido de bom grado.
Recordo-me do sr. Abel, já velhinho, sentado no Lavadouro de Carvalhal-Miúdo, nos dias de calor, do verão, saboreando o fresco que trespassava aquele imóvel.
Conta-se que, quando era mais novo sentia especial gosto por ser mandador de bailes (esta capacidade refere-se ao baile mandado, em que alguém, de certa forma, tenta coordenar os passos a serem executados pelos bailadores)... tendo ele uma fonética única, e própria (onde o som era emitido de forma a que a palavra proferida parecia uma outra), era gáudio para muitos que o ouviam, ou seja, ele mandava, por exemplo, assim: - Um para dentro, outro para fora!... (o som r, expulsava-se de sua boca como algo semelhante a d..., portanto estão a perceber aquilo que, por ilusão, se parecia ouvir...)

foto de desconhecido (Sr. Abel, 1º, em cima, da direita, ao lado de sua esposa - Serra da Estrela, Agosto de 1970)

sábado, 28 de junho de 2008

José Rodrigues

Mais um dos nove irmãos do clã Rodrigues... natural das Ladeiras, como os restantes, casou em Carcavelos com a, posteriormente minha tia, Alice... desse enlace nasceu o Hélder. Trabalhou, até à reforma, em Lisboa, para a firma Rodrigues & Rodrigues.
Um homem único no seu sentido de humor, pelo jogo que fazia com as palavras e com as situações do dia-a-dia... era óptimo estar na sua presença. Era deligente, perspicaz e tinha, igualmente, uma graciosidade exposta pela ténue utilização poética do humor, na aplicação oral de grafismos de quadras, nas suas mais variadas expressões e revelações. Era interventivo, na conotação mais mordaz da palavra, participativo e empreendedor desse dom, que a natureza lhe proporcionou. Até, por vezes, o sério, vindo da sua parte, trazia condimentos de humor, apimentados com leve sarcasmo. Muitos dos seus episódios, de vida, haveria para comentar e aprofundar, que o espaço para os desenvolver, e fazer desenrolar, seria imenso... vou falar, um pouco, sobre uma coisa das mais simples do Mundo, mas, significativamente, engraçada (presenciada, ao vivo, traria mais sorrisos aos semblantes...).
Ainda namorava, com minha mulher (embora se vá namorando sempre!!!), quando num domingo, de há 32 anos, fomos convidados para um almoço na casa de campo do tio António Rodrigues, um seu irmão, em Capelas (zona de Torres Vedras), com mais família e amigos (um dia inolvidável...assim o considerou meu avô, Casimiro Rodrigues, até aos últimos dias da sua vida). No percurso para lá, fizémos uma pequena paragem em Torres, para tomar o pequeno almoço. Entrámos numa pastelaria (não me recordo qual), minha mulher (ora, namorada) ficou algum tempo exitante, expectante, a olhar para o balcão-montra da referida. O meu tio, que observava aquela situação, desde o início, abeirou-se dela e inquiriu-lhe (como se de semi-piropo se tratasse): -"A menina deseja um bolinho?"
(Já a tinha apresentado, quando de Lisboa saímos...)
Intrometi-me e disse ao tio"Zé": -"Tio, é a minha namorada!..."
Respondeu, ele: -"Sim, está bem!... Mas, então não lhe posso oferecer um bolinho?!..."
Até sempre tio! Grato pelos bons momentos que me proporcionou (embora não tantos, como deveriam ter sido...), e pela aprendizagem que deles usufruí!...

foto de Alice Rodrigues (Tio José, o 3º, em cima, a contar da direita - EN2, algures entre as Ladeiras e Esporão - década de 60)

Viagem à Ilha da Madeira (Organizada pela Comissão de Melhoramentos do Esporão)-1976

De 3 a 9 de Julho, teve lugar esta viagem à Madeira, que circunstanciou a minha estreia nos transportes aéreos. Foi uma organização da C. M. Esporão e, após a sua conclusão, efectuei a incrição como sócio da mesma, a convite do sr. Avelino Martins.
A semana turística decorreu de forma exemplar, com muita alegria e em são convívio.
Tivémos a oportunidade de conhecer o majestoso Funchal, o grandioso Pico de Barcelos, a estonteante Eira do Serrado, o profundo Curral das Freiras, a localidade pescatória de Câmara de Lobos, a beleza do Cabo Girão, a formosura do Monte (e seu parque), os viveiros de Ribeiro Frio, a sublime Ponta de S. Lourenço, a exótica Santana, o fulminante panorama observado no Miradouro de S. Jorge, as cascatas de água de S. Vicente, a enternecedora Ribeira da Janela e as belíssimas piscinas naturais de Porto Moniz, entre muitos outros locais de interesse, na Ilha.
Ficámos instalados no Hotel Santa Maria (no centro do Funchal), onde na noite de dia 8 usufruímos de uma espectacular e esfuziante "Noite de Folclore".
Para além disso, foi entabulado um concurso de quadras populares onde teriam de constar, obrigatoriamente, as palavras Madeira e Esporão. Oportunidade gratificante, por privar com amigos e colegas de tropa do sr. Avelino (e da Companhia de Seguros Bonança...), entre os quais o sr. José Manuel (que me teceu alguns elogios, demonstrando admiração, pela quantidade de quadras que apresentei a concurso... só que nenhuma delas foi a vencedora!...) e um outro, de Coruche, que conhecia o meu primo Luís C. Martins, e seus pais (o Luís nasceu em Coruche).
A viagem foi estupenda e ainda, hoje, está registada na minha mente!...

foto de desconhecido (Santana, Madeira - Parte do grupo excursionista, Julho de 1976)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

"Lá vêm os putos da Serra!..."

...Exclamavam as pessoas em Góis, que diariamente os viam chegar saltando dos carros dos madeireiros (e de outros, de quem conseguiam boleias), numa azáfama encalorada, junto à Fábrica de Bolos, eram os verões da década de 70!...
Raramente estive de férias na companhia do meu primo Luís Cunha Martins... nossos pais trabalhavam juntos e quando um usufruía de um determinado mês, o outro teria de optar por outro diferente, mas conta ele...
"Por voltas das 3 da tarde (15 horas), os miúdos juntavam-se nas Ladeiras, vindos das mais diversas aldeias da Serra, montavam nos carros dos madeireiros (com sua anuência) e lá íam a caminho de Góis, a fim de "saborearem" os belos banhos no Rio Ceira, era diversão até mais não... (referencia, ele, alguns dos miúdos que habitualmente se viam nestas andanças: -Ivo, Abílio e Jaime (Cerdeira); Paulo, Filipe, Paula (mulher do "Zé Manel", do Esporão)) e Pedro (neste há um pormenor a considerar... esteve por Lisboa e regressou às suas origens para exercer a função de guardador de gado (ovelhas e cabras) (Ribeira); Luís, Abílio e Alfredo (Esporão); "Zé Manel" (Vale Torto); Jorge, Anabela, Rosa Maria, Ana Paula, "Gi", Maria e, ele próprio (Ladeiras), entre outros)". Chegavam a Góis, e junto à Fábrica de Bolos aguardavam uns pelos outros (surgiam uns num carro, outros noutro, num movimento sucessivo, conforme a boleia obtida), aí, e depois de se reagruparem, compravam um bolinho (às vezes, surripiavam 2 ou 3... ora vejam lá?!...). De seguida, íam tomar banho, no Rio Ceira, a caminho de Carcavelos, junto ao moínho... mais tarde, novo banho, junto ao açude de Góis (onde, hoje, se encontra a esplanada de verão) e à tardinha era a hora de retornar. Entretanto passavam pelo Café Figueiredo, bebiam uma cervejinha (malandrice!...) e, uma vez mais, reunidos, junto às bombas de gasolina, à saída de Góis, no caminho para a Serra, procuravam novas boleias para regressarem às respectivas povoações.
Ocasiões havia em que o transporte não era conseguido com facilidade e, nessas alturas, chegavam a casa um pouco mais tarde... logo as caras apresentadas pelos seus pais, eram para não fazer sorrir... Mas, no dia seguinte alguém, em Góis, ía murmurar novamente... "Lá vêm os putos da Serra!..."

foto de António Martins (Ponte sobre o rio Ceira, Góis, Agosto de 1992)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

"Karaoke" no Esporão

No próximo dia 28, sábado, terá lugar, pelas 22 horas, na Casa de Convívio do Esporão, o "karaoke" dos Santos Populares.
No Esporão, aguardam a sua presença e a comprovação dos seus dotes vocais... Vá! Participe!...

Para mais informações, clique no "link" TERRAS DO ESPORÃO.

Alfredo Rodrigues

Irmão de meu avô materno e de minha avó paterna. Pessoa muito dócil, reconfortante, sempre pronto a deixar uma mensagem de esperança (mas ao mesmo tempo pessimista, característica essa que envolveu, e envolve, muitos estados de espírito de diversos componentes da nossa família)... sentimentos aflorados, voz pausada, mente lúcida, cultura acima da média, para a época (dos irmãos foi o que mais estudos obteve), figura de muito bom aspecto. Sempre pronto a ouvir (sabendo ouvir, o que é importante...) e a aconselhar. Tinha uma caligrafia maravilhosa (minuciosa), e uma escrita peculiar, adornada (muito gostava de receber as suas cartas, por isso lhe escrevia periodicamente...). Contrariamente ao que era habitual, pois os jovens tinham o sonho de ír para Lisboa, em busca de uma melhor vida, ele foi para Coimbra. Por lá casou, com a tia Idalina (tia depois de ter casado com ele, é óbvio...), desse matrimónio nasceram dois filhos (um do sexo feminino, Maria Helena e outro do sexo masculino, Luís Alfredo), trabalhou nos Correios, onde chegou a ser Chefe de Estação. Era uma presença muito querida... e eu estava sempre à espera do seu postal de Natal!

foto de Casimiro Rodrigues Martins (os irmãos...Casimiro, José, Alfredo, Olinda, Alzira, António e Manuel...faltam o Armando e o Francisco - Ladeiras, anos 50)