quinta-feira, 24 de julho de 2008

Uma curiosidade...

Acerca da toponímica das aldeias Carvalhal-Miúdo e Carvalhal do Sapo.

"(...) O Carvalhal recebeu o seu nome por causa das muitas carvalhas que costumavam crescer nesta área. A aldeia é oficialmente conhecida por Carvalhal do Sapo, já que no concelho existe uma outra aldeia com o nome de Carvalhal Miúdo. Para distinguir as duas, a Câmara Municipal de Góis acrescentou ‘do Sapo’ em referência ao rio que passa por baixo da aldeia. Os habitantes, como foi-nos dito, tinham preferido a designação ‘Carvalhal do São João’ segundo o seu Santo Padroeiro. No censo da região de Góis do ano 1527 são ambos os ‘Carvalhal’ mencionados. O actual Carvalhal do Sapo tinha nesta altura 5 fogos. Assim estas duas aldeias coexistiram durante séculos (...)"

in Góis Property

fotos retiradas do site Góis Property (1ª imagem mostra parte de Carvalhal-Miúdo e a 2ª imagem mostra a aldeia do Carvalhal do Sapo)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Carvalhal-Miúdo...uma aldeia na Serra da Lousã


foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (Carvalhal-Miúdo, vista de Cortecega - Julho de 2008)

terça-feira, 22 de julho de 2008

Guilherme Santa Cruz

Natural de Cortecega. Veio a ser meu tio após desposar, em Carvalhal-Miúdo, a minha tia, de sangue, Arminda (retornando, com ela, para a sua aldeia de nascimento, após matrimónio). Desse casamento nasceram três filhos, Vítor (já falecido), Zulmira e Paulo. Trabalhador incansável, trazia as suas courelas num primor. Gostava de receber em sua casa, de forma humilde, mas sempre muito bem...era um puro e verdadeiro amigo!...
Chegou a vir para Lisboa na busca de uma vida melhor, mas não se deu bem... regressou às origens. Há episódios engraçados na sua passagem pela capital... como o de levar sopa, na lancheira, para o trabalho, sempre com o braço em movimento, chegando ao destino com o caldo todo entornado... Contam meus pais, que uma bela tarde decidiram ír a uma uma cervejaria para lhe proporcionarem a possibilidade de provar uns camarões... "compadre!... gafanhotos não!... ná, não quero!..."
Era um homem de um grande, grande coração... Lembro no fim das férias, quando íamos regressar, lá vinha ele despedir-se de nós, com uma saca de batatas às costas (vindo a pé, com a família, de Cortecega) para levarmos para Lisboa.
Aquela humildade tinha uma força incontrolavelmente boa... Quando, em certo momento da vida, meu pai passou por algumas dificuldades financeiras, foi das poucas pessoas que lhe ofereceu auxílio... "compadre, veja lá, se precisa de algum dinheiro?!... Tenho isto! Está à vontade!..."
Tinha aquele problema com o álcool... mas a vida não é perfeita!... E cada um de nós tem o seu destino!...
Tio, hei-de recordá-lo para a minha existência, com aquela saudade, que esteja onde estiver saberá perceber qual é!... Dê um abraço meu ao Vítor!... Até Lá!....
"Ta t'eu pa!..."


foto de António Martins (Cortecega, vista de Carvalhal-Miúdo, Setembro de 2007)

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Adeus, Carvalhal-Miúdo...até um dia destes!

Chegaram ao fim alguns dias de férias retemperadoras, com passagens por Cardigos (uma vila simpática, terra dos pais da minha namorada), Vila de Rei (com o seu marco geodésico onde se localiza o centro do país), Sertã (com os seus belos maranhos), Proença-a-Nova (onde encontrei praias fluviais de excelência), Piodão (linda como sempre, mas atenção ao abuso no negócio de turismo), Fraga da Pena (queda de água cristalina e fria, situada num local paradisíaco, no concelho de Arganil), Lousã (onde me banhei na Sra. da Piedade), Vila Nova de Poiares (que bela Chanfana!!!), Góis (Carvalhal-Miúdo, Ladeiras, Esporão, Cabreira - imperdível uma visita à praia fluvial do Lagar de Azeite -, Pena, Caselhos - onde houve um belo festejo, embora pouco concorrido), Mora (com as suas maravilhosas migas de espargos e uma inevitável visita ao Fluviário - que recomendo),... acabando em Vila Nova de Milfontes (onde tive oportunidade de fazer alguns dias de praia e visitar a FACECO, em São Teotónio).


foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (Despedida de Carvalhal-Miúdo rumo ao Sul, Julho de 2008)

domingo, 20 de julho de 2008

Clube de Futebol "Os Belenenses"

Hoje vou desanuviar um pouco...
Tempo de férias... praia, campo, viagens, em suma descanso laboral.
Início de nova época de futebol...
Como o meu avô (de Carvalhal-Miúdo) era do Belenenses, o meu pai é, eu sou, o meu filho é... e o meu tio Casimiro, também, é. E como o presidente da C.M.Ladeiras é, igualmente, dos pastéis, e o seu filho, idem (meu tio e meu primo)...
Aproveito para fazer uma pequena referência a um clube de que gosto muito, apresentando uma pequena súmula do seu palmarés futebolístico, a nível nacional...
I Liga/I Divisão: 65 presenças. Melhor: Campeão (1945/46)
II Liga/Divisão de Honra: 2 presenças. Melhor: 2º lugar (1991/92 e 1998/99)
II Divisão B: 2 presenças. Melhor: Campeão (1983/84)
Taça de Portugal: 67 presenças. Melhor: Vencedor (1941/42, 1959/60 e 1988/89)
Supertaça: 1 presença
Antiga I Liga: 4 presenças. Melhor: 2º lugar (1936/37)
Campeonato de Portugal: 12 presenças. Melhor: Vencedor (1926/27, 1928/29 e 1932/33)
E, pronto, aqui fica a referência, para a próxima voltaremos aos nossos principais assuntos...


foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (C.F."Os Belenenses", 1ª. Mão da 1ª. Eliminatória da Taça UEFA, Allianz Arena, em Munique, Bayern venceu 1-0 - Setembro de 2007)

sexta-feira, 18 de julho de 2008

"Ti Zé Sapateiro"

José Maria Alves (era o seu nome efectivo), com domicílio em Carvalhal-Miúdo, casado com a D. Maria... desse enlace nasceram sete bebés, quatro do sexo feminino (Silvina, Virgínia, Lucinda e Patrocínia) e três do sexo masculino (António, Casimiro e Armando).
Consertava calçado e fazia os sapatos brochados (tinham essa denominação, pelo espigão, de cabeça chata e larga, que era introduzido nas solas, a fim delas sofrerem menos desgaste). Concebia, igualmente, as tamancas feitas a partir da madeira. No fabrico destes artefactos, chegou a ter a colaboração de minha mãe, ainda adolescente.
Manipulava, paralelamente, as suas pequenas courelas.
No tempo das ceifas, no Alentejo, ía para lá trabalhar (para tentar ganhar algum pecúlio, que os rendimentos, naquele tempo, eram escassos).
Tinha uma pedra especial (presa ao chão), onde afiava as facas e os intrumentos da sua actividade, incluindo a roçadoura. Disponibilizava a sua pedra para os vizinhos poderem afiar, também, os seus intrumentos laborais.


foto de António Martins (Carvalhal-Miúdo, à direita local onde antigamente se encontrava a pedra para afiar os objectos cortantes, à esquerda a casa do "Ti Zé Sapateiro", agora restaurada pelos seus descendentes, Setembro de 2007)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Um abraço às nossas aldeias...

Dos Penedos aos Povorais,
vai o salto de um coelho...
é querer e chorar por mais,
paisagem vista ao espelho!...

A Pena não vou olvidar,
por paragem obrigatória...
da Folgosa ao Cadafaz,
é sempre a mesma história.

Para a Cerdeira a mensagem,
na Póvoa vou recordar...
onde os meus pais por miragem,
começaram, um dia, a estudar!...

Num roteiro pitoresco,
feito de simples maneira...
das Rodas nos vem o fresco,
da Cimeira e da Fundeira!...

Ao Esporão agora escrevo,
também com grande carinho;
esquecer-te, não me atrevo!...
"berço" do meu padrinho.

Para um contorno perfeito,
vou passar pela Ribeira...
num itinerário a preceito,
que nos fica ali à beira!...

Não me lembra quem lá vem,
nem disso eu faço alarde...
encosto em Cimo de Alvém,
meu pensamento, toda a tarde...

Ladeiras, por ti passei,
e isso ninguém o nega...
olho em frente, avistei
do outro lado Cortecega.

Carvalhal-Miúdo não esqueço,
calço, agora, os meus chinelos,
vou já, por qualquer preço,
com destino a Carcavelos!...

Alguns nomes de aldeias citei,
outros ficaram em carteira...
Mas para terminar me lembrei,
da povoação da Cabreira!...

Por António Martins (hoje... numa alusão incompleta ao Concelho de Góis)


foto de António Martins (Esporão, parte mais antiga da aldeia- Setembro de 2007)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Chico Larau

Homem pobre, deficiente, sem família (abandonado pela sua progenitora). Trabalhava a dias, guardando gado e apanhando mato (laborou para a família Neves em Carvalhal-Miúdo, onde viveu, em anexos pertencentes a essa família), mas raramente foi remunerado pelos seus serviços prestados... davam-lhe alimentação e sítio para dormir.
Fumava imenso (o tabaco Onça, que embrulhava em papel... mas muitas vezes não havia dinheiro para essa cobertura e, então, fazia o cigarro com as folhas mais finas das espigas de milho).
Nesse tempo, pleno de dificuldades, habitualmente comia sopa de castanhas piladas, por vezes algumas já tinham bicho, que ele ingeria, sem problemas, dizendo que era bichinho de pau santo.
Outro episódio (que repetia diversas vezes), era o de colocar um lacrau nas suas mãos, duramente calejadas, e o animal não conseguia picá-las...
Sendo conotado com o que, na giria, se denomina por "Zé Ninguém", continua a ter o seu nome pronunciado, mesmo por quem, na realidade, não sabe quem ele foi (até pelos mais jovens), tendo, por isso, todo o direito a ser recordado (embora de forma efémera), neste blogue. Teve uma vida de quase escravatura, com o mínimo de meios de subsistência. Faleceu num asilo, para idosos, em Coimbra.


foto de Adriano Filipe (Carvalhal-Miúdo, tirada a partir do Lavadouro - 25 anos atrás...)

terça-feira, 15 de julho de 2008

Festas das Ladeiras 2008 - 25, 26 e 27 de Julho

Uma vez mais terão lugar, no último fim-de-semana de Julho (6ª. feira, sábado e domingo), as festas de Ladeiras de Góis, numa organização da sua Comissão de Melhoramentos (com o acordo da edilidade local, delegada para o efeito). Seguidamente passamos a dar conta da respectiva programação:

6ª. feira, dia 25
17H - Abertura;
- Quermesse (que funcionará permanentemente, todos os dias);
22H - Baile, com o conjunto musical "Os Cheirinhos do Sul".

Sábado, dia 26
- Jogos tradicionais;
16H - Missa (na casa de convívio);
17H - Jogos tradicionais (continuação);
22H - Baile, com o conjunto musical "A Banda Mix" (de Vilarinho-Coimbra).

Domingo, dia 27
13H - Almoço tradicional;
16H - Leilão de ofertas;
17H - Entrega de troféus aos vencedores dos Jogos tradicionais;
18H - Actuação do Grupo de Concertinas "Irmãos Baptista";
- Encerramento.

Venham às Ladeiras para confraternizar, conterrâneos e amigos. As Festas são para todos!... Compareçam!!!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Metamorfose da vida

Ainda tenho na retina
as amanhadas courelas...
hoje ninguém imagina,
a alegria que era vê-las!...

Passaram anos e anos...
das mais variadas maneiras;
com verdades e enganos,
todos por ti, ó Ladeiras!...

Não te posso recordar,
somente pelas coisas boas;
porque a vida não é assim...

Nunca deixarei de te amar
e à música que tu entoas;
quando aguardas por mim!...

Por António Martins (hoje...)


domingo, 13 de julho de 2008

Idalina, das Ladeiras

...Não era, propriamente, uma peixeira (embora vendesse peixe), é que ela só vendia uma espécie... a sardinha. Portanto, era uma sardinheira!
Havia uma outra característica na sua apresentação e que lhe era peculiar... enquanto que as pessoas que andavam de canastra à cabeça, na faina da venda do peixe, colocavam o seu produto sob frescos vegetais (gelo não poderia ser, porque rapidamente derreteria... e quando iniciou a sua actividade seria coisa que não haveria por estes lados da serra), ela punha as suas sardinhas em cima de fetos, na sua canastra.
Era uma mulher muito animada, quando na companhia que lhe surtisse esse efeito (tinha o seu feitio, quando se aborrecia... mas isso qualquer um tem...), e possuia, apesar de tudo, um determinado carisma. Mãe solteira, vivia com imensas dificuldades para sustentar seus filhos, tendo de fazer pela vida, por essas aldeias da serra, na venda da sua sardinha, incluindo a "sui-generis" petinga, que foi ao longo de muitos anos o pequeno-almoço, senão o almoço, destas gentes que viviam do labor diário, nos seus campos.
Exerceu esta actividade pelos anos 50 aos anos 70.
Adorava o seu "copito" de vinho, que bebia, até, para matar a sede...
E contam, que um belo dia terá apostado que seria capaz de beber o conteúdo dum garrafão de cinco litros (em vinho), a acompanhar o simples chupar de um caroço de azeitona... não sei se terá ganho essa aposta?!...
Mas que foi uma personagem relevante para estas aldeias, lá isso foi.
Recordamo-la, hoje, com a inerente saudade!...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

XX Aniversário da Comissão de Melhoramentos do Esporão (1975)


Jantar Comemorativo do XX Aniversário da Comissão de Melhoramentos do Esporão (Casa do Alentejo, Lisboa - 13 de Dezembro de 1975)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Tão longe e tão perto (ou vice-versa)

Tenho os olhos rasos de água
quando me recordo de ti...
Carvalhal-Miúdo é com mágoa,
que constato, o tanto que perdi!...

Longos anos de leve ausência,
ultrapassados sem o sentir...
dessa única, frutuosa, essência,
não reflectida no teu porvir!...

Adiei inúmeras conversas,
iras, queixumes e confissões;
num tempo tido por incerto.

Existindo, não me dês meças,
nem me instaures sermões...
Nunca estive, assim, tão perto!...

Por António Martins (hoje, à passagem do 1º mês de existência de "Notas de Carvalhal-Miúdo e Ladeiras de Góis")


foto de António Martins (Carvalhal-Miúdo, visto a partir do Cabeço - Setembro de 2007)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Incêndio - Agosto de 1974

Carvalhal-Miúdo, férias... Manhã de dia 10 de Agosto de 1974, estávamos a terminar o pequeno-almoço... de repente alguém gritou: "Há fogo no Roubal!..."
Foi uma correria... apareceram pessoas das Ladeiras (os meus primos Luís e Jorge, também estavam de férias), do Esporão (recordo-me, plenamente, do "Ti" Américo...mais tarde explico porquê!...) e de outros lados. Fizeram-se aceiros para evitar a propagação do incêndio... sacudidela daqui, batidela dacolá... baldes de água que vinham chegando... e as chamas são dadas como controladas e de seguida extintas, pouco tempo depois...
...................................
Almoçávamos... num ápice todos se levantam!... Que é? Que é?...
Anda fogo lá em baixo, outra vez!...
Lá foram todos a correr, novamente. Mesmas atitudes, semelhantes movimentos, mais auxílio que chega (lembro-me do "Ti" Américo, do Esporão...), bate-se daqui, bate-se dacolá... mas, numa rapidez inesperada, o vento muda... o fogo altera o seu percurso e a sua "atitude", e, desembreadamente, inícia uma intensa galopada, ávido de mato para consumir e queimar. Todos começam a fugir!... Eu levava uns sapatos calçados que escorregavam nas carumas (dois passos para a frente, três ou quatro para trás...). O Luís gritava pelo meu nome e pelo do Jorge... já não se via ninguém e nada se vislumbrava (parecia que éramos incapazes de discernir e ver, fosse o que fosse...). Nunca mais conseguia chegar a terreno fixe, para poder zarpar dali... nisto surge uma mão amiga, era a do "Ti" Américo...
O fogo começou a galgar terreno, de forma tal, que, humanamente, se tornou impossível combatê-lo (pelos menos por civis, como nós), subiu a caminho da estrada nacional... outros focos apareceram, devido às fagulhas que o vento transportava (Celada da Corte, recordo-me...), e foi um ver se te avias!...
Vieram bombeiros de toda a parte, aviões de diversos lados... era jorrar água das mangueiras (gritos daqui, orientações dacolá), líquido para suster o incêndio, deitado pelos meios aéreos (ainda levei com parte nas costas, fiquei com o corpo todo pegajoso...). Nunca se bebeu tanto leite por estes lados!...
As pinhas estalavam, os troncos das árvores sucumbiam (menos os dos eucaliptos, que meses depois haveriam de dar novos ramos...) e as labaredas eram cada vez maiores. Só passadas algumas horas (e muitas...), o fogo foi dado como controlado.
Foram dois ou três dias de suplício e permanente vigilância. A quantidade de árvores queimadas, e terra ardido, foi imensa.
Só quando cheguei a Lisboa, depois das férias (mais tarde, bem mais tarde...), e depois de estabilizar ideias, dei conta do que realmente sucedeu e do desastre ambiental que foi... para além do prejuízo havido.
Ainda hoje, quando recordo este grande acidente (da natureza?!...), vem-me logo à lembrança o "Ti" Américo, do Esporão...

Obrigado sr. Américo!!!

foto de António Martins (No dia seguinte, novo episódio do incêndio - Celada da Corte, Agosto de 1974)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Notas poéticas sobre Carvalhal-Miúdo e Ladeiras de Góis

Ladeiras, lugar de encantos...
aldeia onde meu pai nasceu;
que por entre seus recantos,
sua infância, por lá viveu!...

E Carvalhal-Miúdo desponta,
Num dos cabeços da Serra...
O que é para muitos, afronta,
Para minha mãe, é sua terra!...

Sítios pitorescos a monte...
Canto da parede, Lameiros,
Cerrado e Costa do Pinhal.

Abeceira, Vale da Fonte,
Barroca, Calçada dos Sobreiros,
Coiço, Mioteira e Roubal.

Por António Martins (hoje...)


foto de António Martins (Ramalhuda - Carvalhal-Miúdo - Setembro de 2007)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Manuel Bandeira (pai)

Natural do Esporão, da Boleirinha. Era padrinho de baptismo da minha mãe...
Veio para Lisboa laborar na Fábrica da Central de Cervejas (no edifício contíguo à actual Cervejaria Portugália, na Avenida Almirante Reis). Ao aposentar-se (naquela altura não existia a reforma) regressou à sua casa, da aldeia onde nasceu.
Na luta pela sobrevivência teve de ír trabalhar a dias, nas terras de outrém... conforme as lides agrícolas, e as respectivas necessidades, dos possuídores de courelas e terrenos para amanhar e manipular.
Não foi fácil a sua vida, viveu com muitas dificuldades, e humildemente...
Antigamente, era hábito (aquando da passagem de férias) levar para os residentes (familiares e amigos) mercearias e outros produtos de efectiva premência. Para ele (da parte dos meus pais), ía sempre uma parcela, o que agradecia imenso... mas quando o meu pai lhe dava duas onças de tabaco, e o respectivo papel, até os seus olhos brilhavam!...
Sempre de cigarro na boca (era apagar um, acender outro, preparado, sempre, de forma idêntica...), trabalhou até quase ao fim da vida (perto dos 90 anos...). Ainda tenho na retina, ele, de provecta idade, com um molho de mato às costas...
Recordo as suas docilidade e ternura!...

domingo, 6 de julho de 2008

António Rodrigues "Linardo"

Uns dos grandes impulsionadores (senão o mais acérrimo...) do movimento dos anos 40 (um grupo de cinco ou seis pessoas, emanadas pelo mesmo ideal), tentado a organizar uma Comissão de Melhoramentos para a aldeia de Carvalhal-Miúdo, que por diversas situações nunca conseguiram levar a bom termo (nunca se concretizou a sua oficialização, embora o movimento tivesse conseguido alguns melhoramentos para a aldeia).
Comerciante em Lisboa, no ramo das engraxadorias (muitos conterrâneos vinham para a capital e inseriam-se a trabalhar nesta actividade). Teve dois filhos do seu segundo casamento, com a D. Olinda, Maria Emília (hoje residente no Esporão) e António (com o qual privei imenso, na minha infância, como companheiro de brincadeiras, pelos campos de Carvalhal-Miúdo). Do primeiro casamento, com D. Alice, teve três filhas.
Domiciliado em Lisboa, no Bairro Alto (o meu pai, em solteiro, chegou a ter um quarto alugado em sua casa), tinha o seu lar em Carvalhal-Miúdo, no Cimo da Sebe (local com uma vista previligiada). Eu gostava muito de frequentar aquela casa e os lugares que a circundavam... havia, por lá, um pequeno terreiro onde até era possível jogar à bola...
Após a sua reforma regressou, definitivamente, a Carvalhal-Miúdo, procedendo ao cultivo e ao trabalhar das suas terras até que as forças o possibilitaram.
Era um grande regionalista e defensor das suas origens...

foto de Casimiro Martins Rodrigues (António Rodrigues, 1ª, à direita, junto à entrada principal da casa dos meus avós - Final da década de 70)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O milho, a farinha de milho e a broa

O milho era parte integrante na agricultura dos nossos antepassados, nestas aldeias. Era preponderante, e um ano com produção de muitos alqueires era fundamental. Do milho, após moagem, "nascia" a farinha, que tinha imensas aplicações, entre as quais o fabrico do pão desta serra... a broa.
Todavia até chegar a essa fase, ter-se-iam de passar por muitas outras...
Tudo começava com a preparação da terra, lavrando-a e cavando-a, a preceito, fazendo-se a sementeira a seguir (meados de Março). Quando a planta começava a fervilhar, procedia-se à sacha e ao seu arrendado (retirar ervas daninhas e acamar a terra). Depois tinhamos o desfolhar (as folhas colocavam-se ao sol, a secar, e depois de secas eram empalhadas, enleiradas e guardadas, em palheiros para alimento do gado), um tempo depois, a planta era despontada (o tirar da bandeira e da barbela) e mais tarde era retirada a espiga, que era levada para o palheiro, para posteriormente, se proceder ao seu escapelar (descamisar).
Nesta fase, as pessoas das aldeias costumavam-se juntar, auxiliando-se umas às outras e em reuniões nocturnas fazia-se esse trabalho, acompanhado de cânticos, contar de estórias e anedotas (lembro-me ainda de algumas escapeladas no palheiro do Cabeço). Aí separava-se a maçaroca (espiga) da palha envolvente e quando se encontrava uma espiga de milho-rei (milho vermelho) era uma festa... abraços e mais abraços.
Seguidamente tinhamos o debulhar e/ou o malhar e, depois, de todo o grão estar solto procedia-se à sua secagem em eiras, ou em terrenos calcados, ao sol.
De Carvalhal-Miúdo os donos do milho transportavam-no em sacas, às costas, para o moínho no Porto Ribeiro, junto ao Rio Ceira para proceder à moagem. Depois de moído, o milho já em farinha, retornava, pela mesma via, da mesma forma, e era guardada em arcas.
A farinha era consumida durante o ano, para os animais (galinhas, misturada com restos de couves, pele das batatas, etc.) e para a alimentação (papas de milho diversas, com sardinha, enchidos...), para fazer a broa.
A farinha, neste caso, era peneirada, amassada, fermentada e ficava a tendar... depois fazia-se a broa, ía ao forno a lenha e aí cozia. Em tempos de festas também de confeccionavam as bolas (tipo de broas recheadas com sardinhas, bacalhau, cebola, enchidos, carne...).
E a broa que a minha avó fazia era tão boa!...

foto de António Martins (Despontar do milho - Courela das Loisas - anos 70)

Comissão de Melhoramentos de Carvalhal-Miúdo

Apesar do desconhecimento de muitos (até então, nosso também) a Comissão de Melhoramentos de Carvalhal-Miúdo foi criada, mesmo que de forma não-oficial, durante o inverno do ano de 1948, numa reunião, na Rua Nova do Loureiro, nº 24 - 5º andar, em Lisboa, organizada pelo seu grande impulsionador António Rodrigues "Linardo", que conjuntamente com Casimiro Rodrigues Martins, Fernando Alves e António Alves alinhavaram as primeiras traves mestras do que seria premente melhorar e cuidar na aldeia.
Depois, outros habitantes e nascidos na aldeia, mas residentes noutras localidades, começaram a envolver-se igualmente e a criar um simples, mas efectivo, esqueleto de funcionamento com angariação de quotas, entre outras coisas.
Segundo apurámos, e ao contrário do que está escrito no blog da Comissão de Melhoramentos do Esporão (ler aqui), desconhece-se que estas aldeias se tenham fundido em Comissão única a não ser durante o projecto comum de electrificação das aldeias em questão, no final dos anos 60.
Dos muitos melhoramentos efectuados na aldeia, e com a ajuda da Câmara Municipal de Góis e outras organizações, criou-se infra-estruturas de abastecimento de água a partir de uma mina situada no Vale do Velho; construíram-se quatro chafarizes (três de uso humano e um para os animais) e construção do Lavadouro (esta última, não há certeza, mas pensa-se que já com a Comissão desagregada).
A Comissão de Melhoramentos de Carvalhal-Miúdo, nunca oficializada e agregada na Casa do Concelho de Góis, durou apenas até meados dos anos 50 (possivelmente 55 ou 56, não temos certeza), pelo que, com o passar dos anos, se tornou muito difícil efectuar qualquer tipo de melhoramento na aldeia.
A estrada de ligação à EN2 alcatroada para a povoação apenas teve efectividade nos anos 80, com a total responsabilidade da Câmara Municipal de Góis, após alguns pedidos insistentes por parte dos habitantes; a construção de uma escada em cimento a atravessar a povoação também foi conseguida nos anos 80 (por obra feita pela Câmara Municipal de Góis) e, mais tarde, já nos anos 90, a autarquia acabou por alcatroar o pouco que faltava de estrada que atravessa a povoação até ao fim da mesma, onde está o Lavadouro.
Com a desertificação do interior, neste caso particular de Carvalhal-Miúdo, e por vezes, o desinteresse da Câmara Municipal de Góis, a povoação deixou de ter algum interesse (para muitos - para nós não!). Talvez, se no passado a Comissão de Melhoramentos tivesse sido oficializada e mantida as coisas pudessem ser agora diferentes, mas de "ses" agora não interessa falar.
Este blog serve também, não apenas para contar histórias de Carvalhal-Miúdo e das Ladeiras e, consequentemente, das suas gentes, como também servirá, pensamos, para que ninguém se esqueça que estas povoações existem e precisam que olhem por elas, pois ainda há pessoas que gostam de viver nelas ou, simplesmente, visitá-las.

NOTA: Toda esta informação foi apurada de acordo com o que as pessoas mais velhas, e ainda vivas, nos disseram enquanto foram inquiridas sobre o tema. Agradecemos a todos aqueles que tenham informações mais fidedignas que as nos transmitam para que assim possamos recriar, com maior fidelidade, toda a história verdadeira da Comissão de Melhoramentos de Carvalhal-Miúdo. Obrigado!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O Esperado...

...Diária e ansiosamente era aguardado pelas gentes da serra, nas suas respectivas localidades... Francisco Paula, o carteiro, que trazia as notícias dos familiares e amigos, para os habitantes serranos. Todos os dias palmilhava cerca de 30 km, num percurso feito a partir de Góis, com o saco da correspondência às costas, passando por todas as aldeias desta zona do concelho, demonstrando, sempre, as mesmas afabilidade e amabilidade, muito prestável para com todos os conterrâneos.
Quando soava o som da corneta, era ver gente saír de suas casas para lhe perguntarem se havia alguma carta para eles e /ou lhe trazerem uma sua para resposta a uma outra, ou na intenção dela obterem notícias de volta.
Outros houve, que exerceram a mesma função, fazendo, igualmente, o itinerário a pé, antes da bicicleta e da motorizada (lembro-me do Claudino...), mas o Chico Paula (como era conhecido), pelo seu carisma, tornou-se, quase, numa figura mítica da serra...

foto de Adriano Filipe (Não é o "Chico" Paula, mas terá sido um dos últimos carteiros a fazer as entregas a pé - percurso Carvalhal-Miúdo/Esporão - anos 70)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

"Chico Peras"

...Era a alcunha de Francisco Almeida.
Não era da terra, mas a Carvalhal-Miúdo veio desposar a D. Maria do Céu. Desse casamento nasceram cinco filhos, todos do sexo masculino. Tinha como profissão peixeiro e, em consequência disso, calcorriou inúmeros lugares por esta serra fora. Mais tarde largou essa actividade e dedicou-se mais à lavoura. Lembro-me, de ainda miúdo, estar junto a ele, no cimo da sebe, onde preparava o seu burro, animal que ficava num curral neste sítio (embora ele, o dono, morasse um pouco mais a baixo, na casa da figueira)... servia o macho para transportar o esterco dos animais (estrume) para as fazendas, a fim do referido exercer a função de adubo para as terras. O sr. Chico dava muita atenção aos miúdos, e ía explicando a sua tarefa, conforme os passos e os movimentos dados, depois perguntava-nos: - Querem um figo?...
Há um facto relevante na sua relação para com a aldeia e, posteriormente, para com toda a região: - Nas suas viagens, de compra e venda de peixe, acabou por trazer consigo o eucalipto (um, dois, três, depois mais...) que foi plantando nestes campos. Contribuiu, de certa forma, para (num futuro), se poder evidenciar (observando-se a época em questão, anos 50 e 60), algum vértice de riqueza, com o implantar da árvore e a proliferação do negócio da madeira, das resinas e da indústria do papel, no concelho. É certo que o eucalipto tornou-se uma árvore nefasta, pela secura que provocou nas terras, pois as suas raízes vão sugar a água a grandes distâncias, mas sob o ponto de vista evolutivo, veio proporcionar algum progresso. Hoje, talvez, se raciocine de um outro modo, e com perspectiva diferente...

foto de António Martins (ao cimo, à direita, ainda se veêm a figueira e as paredes claras da casa... Carvalhal-Miúdo - Setembro 2007)

terça-feira, 1 de julho de 2008

As Alminhas

Muitas povoações portuguesas têm estes pequenos monumentos religiosos (forma de culto, e hábito, que nos foi legado por alguns dos povos que habitaram a Península Ibérica, ex.: Celtas e Romanos, embora sem qualquer certeza) e quase todas, do nosso concelho os possuiem e os ostentam.
Para além do seu valor intrínseco no contexto da arte popular portuguesa (de que são uma original forma expressiva), são centros de meditação e culto, onde, habitualmente, se dizem orações a favor das almas do Purgatório (demonstração inequívoca da religiosidade do nosso povo).
Diversos energúmenos vandalizam este importante património (principalmente aquelas que não estão protegidas por grades), umas vezes em busca de alguns valores, que ali estão depositados, outras pela "simples" forma macabra de apenas destruír.
Em Carvalhal-Miúdo, as Alminhas foram recentemente limpas e pintadas, as suas paredes exteriores, por benfeitores particulares.

foto de António Martins (Alminhas, Carvalhal-Miúdo, Setembro de 2007)

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Abel das Neves

Personalidade diferente da generalidade das gentes, destes lugares da serra...
Tendo a sua vivência em Carvalhal-Miúdo, casou com a D. Zulmira... dessa união nasceram quatro filhos, três do sexo masculino e um do sexo oposto. Um homem que parecia trazer, quase sempre, consigo uma expressão sorridente. Adorava confraternizar, beber o seu copinho e degustar o seu petisco (sempre nos acompanhava, quando íamos até às Ladeiras, ou ao Esporão, para humedecer nossas gargantas).
Quando aos domingos, dia de descanso da faina campestre, nos juntávamos com os residentes, lá surgiam os jogos de sueca... hábito, que para ele, era recebido de bom grado.
Recordo-me do sr. Abel, já velhinho, sentado no Lavadouro de Carvalhal-Miúdo, nos dias de calor, do verão, saboreando o fresco que trespassava aquele imóvel.
Conta-se que, quando era mais novo sentia especial gosto por ser mandador de bailes (esta capacidade refere-se ao baile mandado, em que alguém, de certa forma, tenta coordenar os passos a serem executados pelos bailadores)... tendo ele uma fonética única, e própria (onde o som era emitido de forma a que a palavra proferida parecia uma outra), era gáudio para muitos que o ouviam, ou seja, ele mandava, por exemplo, assim: - Um para dentro, outro para fora!... (o som r, expulsava-se de sua boca como algo semelhante a d..., portanto estão a perceber aquilo que, por ilusão, se parecia ouvir...)

foto de desconhecido (Sr. Abel, 1º, em cima, da direita, ao lado de sua esposa - Serra da Estrela, Agosto de 1970)

sábado, 28 de junho de 2008

José Rodrigues

Mais um dos nove irmãos do clã Rodrigues... natural das Ladeiras, como os restantes, casou em Carcavelos com a, posteriormente minha tia, Alice... desse enlace nasceu o Hélder. Trabalhou, até à reforma, em Lisboa, para a firma Rodrigues & Rodrigues.
Um homem único no seu sentido de humor, pelo jogo que fazia com as palavras e com as situações do dia-a-dia... era óptimo estar na sua presença. Era deligente, perspicaz e tinha, igualmente, uma graciosidade exposta pela ténue utilização poética do humor, na aplicação oral de grafismos de quadras, nas suas mais variadas expressões e revelações. Era interventivo, na conotação mais mordaz da palavra, participativo e empreendedor desse dom, que a natureza lhe proporcionou. Até, por vezes, o sério, vindo da sua parte, trazia condimentos de humor, apimentados com leve sarcasmo. Muitos dos seus episódios, de vida, haveria para comentar e aprofundar, que o espaço para os desenvolver, e fazer desenrolar, seria imenso... vou falar, um pouco, sobre uma coisa das mais simples do Mundo, mas, significativamente, engraçada (presenciada, ao vivo, traria mais sorrisos aos semblantes...).
Ainda namorava, com minha mulher (embora se vá namorando sempre!!!), quando num domingo, de há 32 anos, fomos convidados para um almoço na casa de campo do tio António Rodrigues, um seu irmão, em Capelas (zona de Torres Vedras), com mais família e amigos (um dia inolvidável...assim o considerou meu avô, Casimiro Rodrigues, até aos últimos dias da sua vida). No percurso para lá, fizémos uma pequena paragem em Torres, para tomar o pequeno almoço. Entrámos numa pastelaria (não me recordo qual), minha mulher (ora, namorada) ficou algum tempo exitante, expectante, a olhar para o balcão-montra da referida. O meu tio, que observava aquela situação, desde o início, abeirou-se dela e inquiriu-lhe (como se de semi-piropo se tratasse): -"A menina deseja um bolinho?"
(Já a tinha apresentado, quando de Lisboa saímos...)
Intrometi-me e disse ao tio"Zé": -"Tio, é a minha namorada!..."
Respondeu, ele: -"Sim, está bem!... Mas, então não lhe posso oferecer um bolinho?!..."
Até sempre tio! Grato pelos bons momentos que me proporcionou (embora não tantos, como deveriam ter sido...), e pela aprendizagem que deles usufruí!...

foto de Alice Rodrigues (Tio José, o 3º, em cima, a contar da direita - EN2, algures entre as Ladeiras e Esporão - década de 60)

Viagem à Ilha da Madeira (Organizada pela Comissão de Melhoramentos do Esporão)-1976

De 3 a 9 de Julho, teve lugar esta viagem à Madeira, que circunstanciou a minha estreia nos transportes aéreos. Foi uma organização da C. M. Esporão e, após a sua conclusão, efectuei a incrição como sócio da mesma, a convite do sr. Avelino Martins.
A semana turística decorreu de forma exemplar, com muita alegria e em são convívio.
Tivémos a oportunidade de conhecer o majestoso Funchal, o grandioso Pico de Barcelos, a estonteante Eira do Serrado, o profundo Curral das Freiras, a localidade pescatória de Câmara de Lobos, a beleza do Cabo Girão, a formosura do Monte (e seu parque), os viveiros de Ribeiro Frio, a sublime Ponta de S. Lourenço, a exótica Santana, o fulminante panorama observado no Miradouro de S. Jorge, as cascatas de água de S. Vicente, a enternecedora Ribeira da Janela e as belíssimas piscinas naturais de Porto Moniz, entre muitos outros locais de interesse, na Ilha.
Ficámos instalados no Hotel Santa Maria (no centro do Funchal), onde na noite de dia 8 usufruímos de uma espectacular e esfuziante "Noite de Folclore".
Para além disso, foi entabulado um concurso de quadras populares onde teriam de constar, obrigatoriamente, as palavras Madeira e Esporão. Oportunidade gratificante, por privar com amigos e colegas de tropa do sr. Avelino (e da Companhia de Seguros Bonança...), entre os quais o sr. José Manuel (que me teceu alguns elogios, demonstrando admiração, pela quantidade de quadras que apresentei a concurso... só que nenhuma delas foi a vencedora!...) e um outro, de Coruche, que conhecia o meu primo Luís C. Martins, e seus pais (o Luís nasceu em Coruche).
A viagem foi estupenda e ainda, hoje, está registada na minha mente!...

foto de desconhecido (Santana, Madeira - Parte do grupo excursionista, Julho de 1976)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

"Lá vêm os putos da Serra!..."

...Exclamavam as pessoas em Góis, que diariamente os viam chegar saltando dos carros dos madeireiros (e de outros, de quem conseguiam boleias), numa azáfama encalorada, junto à Fábrica de Bolos, eram os verões da década de 70!...
Raramente estive de férias na companhia do meu primo Luís Cunha Martins... nossos pais trabalhavam juntos e quando um usufruía de um determinado mês, o outro teria de optar por outro diferente, mas conta ele...
"Por voltas das 3 da tarde (15 horas), os miúdos juntavam-se nas Ladeiras, vindos das mais diversas aldeias da Serra, montavam nos carros dos madeireiros (com sua anuência) e lá íam a caminho de Góis, a fim de "saborearem" os belos banhos no Rio Ceira, era diversão até mais não... (referencia, ele, alguns dos miúdos que habitualmente se viam nestas andanças: -Ivo, Abílio e Jaime (Cerdeira); Paulo, Filipe, Paula (mulher do "Zé Manel", do Esporão)) e Pedro (neste há um pormenor a considerar... esteve por Lisboa e regressou às suas origens para exercer a função de guardador de gado (ovelhas e cabras) (Ribeira); Luís, Abílio e Alfredo (Esporão); "Zé Manel" (Vale Torto); Jorge, Anabela, Rosa Maria, Ana Paula, "Gi", Maria e, ele próprio (Ladeiras), entre outros)". Chegavam a Góis, e junto à Fábrica de Bolos aguardavam uns pelos outros (surgiam uns num carro, outros noutro, num movimento sucessivo, conforme a boleia obtida), aí, e depois de se reagruparem, compravam um bolinho (às vezes, surripiavam 2 ou 3... ora vejam lá?!...). De seguida, íam tomar banho, no Rio Ceira, a caminho de Carcavelos, junto ao moínho... mais tarde, novo banho, junto ao açude de Góis (onde, hoje, se encontra a esplanada de verão) e à tardinha era a hora de retornar. Entretanto passavam pelo Café Figueiredo, bebiam uma cervejinha (malandrice!...) e, uma vez mais, reunidos, junto às bombas de gasolina, à saída de Góis, no caminho para a Serra, procuravam novas boleias para regressarem às respectivas povoações.
Ocasiões havia em que o transporte não era conseguido com facilidade e, nessas alturas, chegavam a casa um pouco mais tarde... logo as caras apresentadas pelos seus pais, eram para não fazer sorrir... Mas, no dia seguinte alguém, em Góis, ía murmurar novamente... "Lá vêm os putos da Serra!..."

foto de António Martins (Ponte sobre o rio Ceira, Góis, Agosto de 1992)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

"Karaoke" no Esporão

No próximo dia 28, sábado, terá lugar, pelas 22 horas, na Casa de Convívio do Esporão, o "karaoke" dos Santos Populares.
No Esporão, aguardam a sua presença e a comprovação dos seus dotes vocais... Vá! Participe!...

Para mais informações, clique no "link" TERRAS DO ESPORÃO.

Alfredo Rodrigues

Irmão de meu avô materno e de minha avó paterna. Pessoa muito dócil, reconfortante, sempre pronto a deixar uma mensagem de esperança (mas ao mesmo tempo pessimista, característica essa que envolveu, e envolve, muitos estados de espírito de diversos componentes da nossa família)... sentimentos aflorados, voz pausada, mente lúcida, cultura acima da média, para a época (dos irmãos foi o que mais estudos obteve), figura de muito bom aspecto. Sempre pronto a ouvir (sabendo ouvir, o que é importante...) e a aconselhar. Tinha uma caligrafia maravilhosa (minuciosa), e uma escrita peculiar, adornada (muito gostava de receber as suas cartas, por isso lhe escrevia periodicamente...). Contrariamente ao que era habitual, pois os jovens tinham o sonho de ír para Lisboa, em busca de uma melhor vida, ele foi para Coimbra. Por lá casou, com a tia Idalina (tia depois de ter casado com ele, é óbvio...), desse matrimónio nasceram dois filhos (um do sexo feminino, Maria Helena e outro do sexo masculino, Luís Alfredo), trabalhou nos Correios, onde chegou a ser Chefe de Estação. Era uma presença muito querida... e eu estava sempre à espera do seu postal de Natal!

foto de Casimiro Rodrigues Martins (os irmãos...Casimiro, José, Alfredo, Olinda, Alzira, António e Manuel...faltam o Armando e o Francisco - Ladeiras, anos 50)

terça-feira, 24 de junho de 2008

Casimiro Martins "Camarão"

Padrasto de meu pai... sempre o considerei como avô, e ele, penso, sempre me sentiu como neto. Era um homem alto, de largas costas, mãos com dedos compridos (devido a isso a alcunha, que era um dos nomes, pelos quais era conhecido, um dos grandes "boxeur's" da época, Santa Camarão), voz grossa e bons pulmões (muitas vezes o seu vozeirão serviu como elo de comunicação entre Ladeiras e Carvalhal-Miúdo, onde não havia telefone, e até mesmo com Cortecega?!... O meu avô chegava à Ponta do Aterro, e vai daí... em alta voz transmitia os recados e/ou solicitava a comparência de alguém, com a máxima urgência. Depois era uma correria...).
Este avô paterno era irmão da minha avó materna, e o meu avô materno, irmão da minha avó paterna, portanto os meus pais são primos direitos. Confuso(a)?... (Aqui houve troca dos homens (não é o que estão a pensar!...), do local onde nasceram para o local onde viveram, após casamento. O meu avô de Carvalhal-Miúdo, nasceu nas Ladeiras e o meu avô das Ladeiras, nasceu em Carvalhal-Miúdo).
O avô "Camarão" continuou o negócio do sogro, com a taberna/mercearia, ainda hoje activo, nas Ladeiras, mercê da perseverança da sua filha mais velha, a minha tia Arminda...

foto de Casimiro Rodrigues Martins (da esquerda para a direita: avó Alzira, tias Arminda, Maximina e Isaura, e avô Casimiro Martins, à porta do estabelecimento, Ladeiras, anos 50)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Antigo Arraial de Santo António do Esporão de Goes/2008

A aldeia vizinha (e amiga) do Esporão levou a cabo esta festa, no Lugar Antigo (como antigamente se fazia), nos passados dias 13 e 14, onde a alegria, os bons petiscos e as deliciosas bebidas estiveram presentes.
Segundo o blogue Terras do Esporão... "os assadores não pararam nas duas noites, era sardinha, broas de carne, de sardinha, de bacalhau..."
Clique no link "Terras do Esporão", e leia a notícia na totalidade.
Já agora... depois, clique no link "Aldeia do Esporão", veja a notícia referente ao Arraial e siga o percurso indicado para poder observar mais de 90 fotos sobre o evento.
Ficam os parabéns, por mais uma realização levada a bom termo!...




fotos de Paulo Afonso, em link no blog "Aldeia do Esporão"

100 visitas

O blog "Notas de Carvalhal-Miúdo e Ladeiras de Góis" tem o prazer de anunciar, na pessoa dos seus administradores, que em 13 dias de existência consegue chegar à marca de 100 visitas únicas e 1059 páginas vistas.

Obrigado a todos os que já fazem deste espaço um ponto de visita nas suas viagens virtuais.

António Martins
Gonçalo Lobo Pinheiro

domingo, 22 de junho de 2008

A Escola, anos 30

...A finalizar a década de 30, meus pais encontram-se na Escola Primária... um a terminar a 4ª. Classe (hoje 4º ano de escolaridade), meu pai, enquanto minha mãe dava os primeiros passos, nessa nova fase da sua vida, entrando para a 1ª Classe. Ainda chegaram a frequentar a escola juntos, poucos meses... contam eles, que ainda deu para o meu pai auxíliar minha mãe, durante uma daquelas brigas de miúdos, que sempre aconteceram, nas mais diversas escolas (seria a empatia que começava o seu fortalecimento? Todavia os meus pais são primos direitos e, nesse caso, talvez se perspectivasse uma defesa no âmbito familiar...).
O meu pai, depois, fez o exame de Admissão (hoje inexistente) e alguns meses mais tarde partiu para Lisboa, para casa do nosso tio António Rodrigues, residente na Calçada do Carmo, onde possuía um estabelecimento de pronto-a vestir e por medida, iniciando, aí, a aprendizagem daquela actividade comercial, que veio a ser, de resto, aquela que, praticamente, exerceu toda a sua vida profissional.
...Mas voltemos ao bancos da escola!... Naquele tempo havia muitos miúdos por estas aldeias. A escola que recebia as crianças das Ladeiras e Carvalhal-Miúdo era na Cerdeira (anos antes era na Póvoa), tendo eles de percorrer, todos os dias (muitas vezes descalços) uma distância de quase 7 kms (ida e volta), por atalhos e "caminhos de cabras", muitas ocasiões à chuva, permanecendo, nesses casos, na sala de aula com as roupas molhadas.
A professora era a D. Albertina, de quem os meus pais gostavam muito (afirmam-no).
Referem também alguns nomes de contemporâneos seus , naquelas lides... (Pai: - António, Acácio e Armando (Esporão), Isabel e Patrocínia (Carvalhal-Miúdo), Fernando (Ladeiras), Elias (Vale Torto), Alberto "Grande" e Alberto "Pequeno" (Folgosa). Mãe: - Hermínia e Adelina (Esporão), José Cardoso (Pai do Abílio e do José Manuel) e Arlindo (Esporão), "Batata" (Vale Torto), José Barata e Arlindo (Ladeiras) e Clarisse (Cerdeira), isto entre outros que a memória do tempo, e de suas mentes, fez ofuscar).
...Conta meu pai que... um belo dia a professora lhe pediu que fosse à procura de um pau, ou um ramo, que pudesse servir de ponteiro, para apontar as matérias no quadro. Assim fez, e ironia do destino foi o primeiro a levar uma "ponteirada" da professora...
(se isto acontecesse hoje, no dia seguinte estaria toda a família do aluno na escola para "pedir contas" à professora... Ai educação, educação, por onde vais!...).

sábado, 21 de junho de 2008

Jogos de Verão

...Tudo começou com uma ideia de um grupo de jovens dos Povorais por volta de 1975, que contou com o incentivo do Padre António Dinis. Em 1976 fizeram um jogo de futebol com a Ribeira, nos Povorais, num terreno "arrelvado". Após este prélio, Povorais e Ribeira apresentaram e discutiram essa ideia com as suas congéneres da região, e a partir daí se deu início aos Jogos, no seu epogeu...
Passaram a ter a regular participação das aldeias da Ribeira, Cerdeira, Esporão, Povorais, Ladeiras e Vale Torto, uns num ano, outros noutro, e os jogos foram-se realizando anualmente, por volta de 15 Agosto, durante 2 ou 3 dias.
Aconteciam naquela altura do ano, para colidirem com o tempo de férias dos naturais das diversas aldeias, a fim de poder aumentar o número de inscrições para os mesmos. Gerava-se, desse modo, um vibrante ambiente, com um salutar e são convívio, apesar de alguns contratempos que aconteceram, num ou outro ano, mas que não chegaram para desvalorizar a importância e o valor que os jogos tinham.
Atletismo (corrida e lançamento do peso), chinquilho, matraquilhos, sueca, dominó, tiro ao alvo, damas e, claro, o futebol, eram as modalidades (em generalidade) em competição.


foto de António Martins (Avelino Martins entrega a medalha ao vencedor da corrida de veteranos - Agosto de 1977)

O futebol, inicialmente jogado em Góis (e por menos elementos por equipa), passou, a partir dos IV jogos a ser realizado no Esporão, no campo "Cassiano Bandeira", independentemente (numa e noutra circunstância) de qual fosse a aldeia organizadora do evento.
Participei pelas Ladeiras em dois jogos: 1977 e nos anos 80 (não posso precisar do ano correctamente). Em 1977, numa organização da Cerdeira, fomos jogar o futebol a Góis. Depois de termos almoçado bem, e bebido a condizer, nas Ladeiras, fazendo o percurso a pé até à vila, por entre os pinhais (agora seriam eucaliptais), atalhos e carreiros, chegando um pouco cansados e quase à hora do jogo. "Levámos 3-1 na pá".


foto de desconhecido (A equipa de futebol das Ladeiras - Agosto de 1977)

Na prova de Atletismo (corrida) as Ladeiras ganharam a medalha referente ao 1º classificado, pela vitória do meu primo Luís Cunha Martins (ficou em 3º o Luís Filipe Martins, do Esporão, também, meu primo).


foto de António Martins (Luís Cunha Martins recebe medalha de 1º classificado - Agosto de 1977)

Mais tarde já o meu filho participou nos jogos, chegando, inclusivé, a jogar futebol pelo Esporão. Em tempos anteriores a estes, alguém pensaria que por aquela serra iriam acontecer coisas deste tipo, nas suas aldeias?!...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Antonino Barata Nunes

...Por ocasião do 25 º aniversário da sua morte, de forma abrupta e inesperada (...quando regressava, com a sua família, de um período de férias no Algarve, sofreu brutal acidente de viação, do qual veio a falecer), venho trazer-vos à memória a sua pessoa...

Natural do Esporão. Casou em Lisboa, com D. Odete Peres, e desse enlace matrimonial nasceram duas filhas. Funcionário da Caixa Geral de Depósitos e, naquele tempo, membro da Comissão de Melhoramentos do Esporão.
Era uma pessoa sensata, bom amigo, com bom sentido de humor...
Homem com uma cultura acima da média, adquirida pelo decurso da vida e pelos estudos nocturnos que encetou e o emanciparam no conhecimento e no estatuto. Estava sempre pronto a ajudar, tanto no aspecto físico, como no contexto intelectual (cheguei a obter dele explicações de Matemática, por altura do meu Ciclo Preparatório na Escola Nuno Gonçalves). Gostava, também, de confraternizar com a família e os amigos (diversas vezes nos encontrámos, e nos reunimos, em almoços, jantares, merendas, ou simplesmente para beber um copo e comer uns petiscos). Quando me casei fui morar para Alfama e, nesse tempo, quase todos os domingos nos encontrávamos para ír dar uns pontapés na bola e/ou fazer o circuito de manutenção no Estádio Nacional, com o meu tio Casimiro, o meu compadre Rui Salvo e seus filhos, o Luís Gomes, de Alfama, entre outros... que saudades!...
Em sua homenagem póstuma, vou transcrever, de seguida, um conjunto de frases semi-poéticas que ao momento do seu desaparecimento humano passei para o papel...

Falar de ti, meu amigo
é como escalpelizar minha mente!...
Algo se transforma
por embate incontrolável, bruscamente!...
Falar de ti, meu amigo
como se aqui estivesses...
com teu semblante sorrindo,
com tua alegria infinda!...
Como é possível?!...
Continuo a ver-te sem te encontrar!...

Por onde andas amigo,
porque te foste assim?

......................................

Talvez no próximo Natal
eu compreenda!...

......................................

Mas amigo, jamais compreenderei,
que aquele com que fiz "pelejas"
no Estádio Nacional,
que aquele que consentia
que com ele brincasse,
trocando da mesma forma
as minhas atitudes,
que aquele "careca"...
meu amigo de grandes virtudes,
desapareceu!...
Um abraço, amigo,
para sempre!...

António Martins
20/08/1983

Até sempre, amigo !!!


foto de Alzira Martins (um passeio a Évora...sr. Antonino é o 5º, em cima, a contar da esquerda - Agosto de 1973)

Carvalhal-Miúdo, mais uma foto


foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (Carvalhal-Miúdo, em 2005, publicada no jornal O Varzeense)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

António Rodrigues "O Bernardo"

(...após o "terminus" do jogo Portugal-Alemanha, onde demos um banho de futebol (segundo a minha óptica), em que falhámos em termos defensivos, em situações pontuais, onde Ricardo, uma vez mais, nos deu a (re)conhecer que não consegue saír convenientemente aos cruzamentos... penso que merecíamos um pouco mais!...)

Meu bisavô, natural das Ladeiras, onde possuía uma taberna (isto há cerca de 80 anos)...
A certa altura da sua vida viu-se confrontado com a situação de, um pouco mais abaixo, surgir um novo estabelecimento com as mesmas características do seu, ou seja uma outra taberna, pertença de José Almeida. Logo o povo começou a comentar... por um lado dando força ao aparecimento de uma nova loja, pois a concorrência é sempre boa, por outro proferindo palavras contra essa iniciativa.
Ora, António Rodrigues "O Bernardo", pensava que tudo aquilo era salutar. Qualquer um tinha o direito a investir, perspectivando a sua melhoria financeira, e se assim pensou, melhor o executou.
Mandou fazer um sol em cobre e colocou-o na parede exterior, da sua taberna, com o seguinte dístico por baixo: O Sol quando nasce é para todos.

(...A liberdade de uns termina onde começa a liberdade de outros. Conclusão: - Devemos apoiar a iniciativa de cada um, desde que ela não moleste o colectivo...)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A videira, as uvas e o vinho

A nossa região nunca foi, propriamente, uma potência na produção de vinho, como são o Alentejo, a Bairrada, o Dão, o Douro ou a Zona Oeste da Estremadura, quaisquer que sejam os seus tipos e castas, mas sempre existiu empenho no cultivo e manutenção da vinha nestas aldeias.
Era normal, em volta dos terrenos (courelas) ser introduzida a vinha, que era devidamente cuidada pela poda anual, a fim de se preservar a sua qualidade e vitalidade, e em meados de Setembro proceder à vindima. As uvas seguiam para adega, eram misturadas (as brancas e as pretas, muito raramente alguém produzia vinho branco), pisadas pelos homens com seus próprios pés (mais recentemente, foram adquiridas máquinas que faziam esse trabalho por trituração, via manivela movida manualmente), fervia, passando por diversas etapas. Uma delas era a sua passagem por vinho doce (que muitas vezes se utilizava como remédio para a prisão de ventre...) e depois de estar no ponto era separado do cardaço (este era levado para o fabrico da aguardente, onde, para o efeito, ía queimar ao alambique) e colocado em barris, devidamente fechados, para acamar e deixar que o frio por ele passasse para o dotar de uma melhor qualidade.
O vinho na nossa região nunca atingiu muito grau. Era bastante saboroso, normalmente com um leve pico (muitos produziam o denominado vinho morangueiro, obtido a partir de uma uva especial que facilmente despegava a sua pele do conteúdo... um pouco como se faz aos tremoços, quando os comemos a acompanhar uma imperial... e tinha a característica de ser muito doce), e bebia-se muito bem tendo como resultado disso uma imensa vontade de urinar, sendo, portanto, assaz diurético...
Quando o ano era bom para a uva (essa conclusão tinha muito a ver com tempo que tinha feito, ao longo do ano, e do trato que havia sido dado às videiras) os habitantes destas terras tinham vinho em casa para todo ano. Às vezes a produção suplantava-se, mas também existiam anos negativos.
Hoje, no que concerne a Carvalhal-Miúdo há pouca uva. Motivado pelo êxodo dos seus habitantes, por todos os motivos: - Abandono, falecimento, emigração ou simplesmente impossibilidade de continuar a dura faina nos campos.
Parece que ainda sinto na boca o paladar do vinho do meu avô...

foto de António Martins (Só falta o vinho... - Carvalhal-Miúdo, Cimo da Sebe, Setembro 2007)

A desertificação do Interior


foto de Jorge d'Azevedo (Casa abandonada em Carvalhal-Miúdo)

terça-feira, 17 de junho de 2008

João Antunes

Dedicou-se a Carvalhal-Miúdo, após se reformar, para onde veio viver com sua mulher D. Preciosa... casal de fracos recursos económicos, sobreviviam com muitas dificuldades, vivendo numa casa bastante humilde, junto às Alminhas, com restrições. Mas recordo a sua voz ligeiramente rouca, a sua amabilidade e o seu trato (para mim) bem diferente de todas as outras pessoas que eu por ali via (pelo menos com os meus olhos e ouvidos de criança), naquele tempo. Gostava de conversar com ele!... Falava-me muito do seu clube, "Os Belenenses" (que é, por coincidência, também o meu)... de nomes como o de Moreira, José Pereira, Tonho, Matateu, Vicente, Di Pace, Paz, Yaúca, Peres, Godinho, Estevão, e de outros nomes mais antigos, tais como: - Pepe, Mariano Amaro, Capela, Vasco, Feliciano, Serafim e mais, mais... muito gostava eu de o ouvir. Entretanto, mais tarde, mudaram-se para uma casa mais nova, um pouco mais acima, mas ainda por acabar, mesmo assim com muito melhores condições que a anterior. Faleceu, creio, na década de 70.
Hoje, seu filho José e sua neta Irene, também já reformados, são dos habitantes mais assíduos da aldeia, permanecendo em Carvalhal-Miúdo, mais ou menos, nove meses por ano. Residem na última habitação de seus pais e avós, que melhoraram, com o tempo, dotando-a de infraestruturas adequadas ao seu bem-estar e conforto...


foto de Casimiro Rodrigues Martins (João Antunes, marcado na foto, anos 50)

NOTA: Antigamente, as pessoas juntavam-se a fim de se despedirem daqueles que, estando fora, vieram passar uns dias à sua terra natal.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

As Ladeiras

"Texto publicado no CORREIO DA SERRA (Boletim Regionalista * Propriedade da Secção Recreativa e Desportiva da Comissão de Melhoramentos do Esporão), em 1984, nº. 4, páginas 9 e 18, de minha autoria... outros tempos!..."
"Ladeiras tens recantos tão bonitos..." lá diz o refrão da cantiga, que alguém convencionou pelo hino da nossa aldeia.
Sita na EN 2, a 1,5 km do Esporão e a semelhante distância de Cimo de Alvém, lá fica ela deslizando o seu casario ao longo da serrania, que faz lembrar sucessivas ladeiras (daí, talvez, a origem do seu nome?!...), que embranham por entre recantos pitorescos, onde abundam os pinheiros e eucaliptos, em seu redor, e os terrenos amanhados, pertença de seus habitantes, na maioria. Para quem vem de Lisboa, vislumbra-se um aglomerado de casas, denominado de Ladeiras Fundeiras, onde prolifera a maior quantidade de fogos e habitantes, depois a parte média, onde fica situado o lavadouro, de características e aspecto arquitectónico inerentes aos da região, e, depois, a finalizarmos as Ladeiras Cimeiras, que é a parte mais antiga do lugar.
Tempos houve, em que o desenvolvimento do lugar esteve sujeito a uma certa estagnação, talvez pelo facto da contínua emigração, que sempre assolou toda a região, e pelas dificuldades em que viviam os que permaneciam; mas hoje, algo se faz brilhar no horizonte, e renasce a esperança de todos os Ladeirenses... é a electricidade.
Vão-se fazendo os mais diversos melhoramentos, os quais não devem ser alheios às actuais dificuldades da vida citadina, fazendo pensar um pouco todos os naturais a fim de criarem a maior estabilidade possível na sua aldeia, lugar que os viu nascer para a vida, pensando, talvez, num possível regresso à origens, num futuro próximo.
Como previlégio primário do lugar, cita-se a passagem da EN2 pelo meio. Como projecto a concluír nos próximos anos, distinguem-se as construções da Casa de Convívio (que muito beneficiará todos os conterrâneos e ladeirenses, em particular), posteriormente pensa-se na construção da Capela.
Os ladeirenses são hospitaleiros, características que se estendem a todos os habitantes das aldeias vizinhas, e são acérrimos defensores do regionalismo.
Bela é a nossa região, da qual nos podemos orgulhar, onde se inclui a nossa bela terra... e lá diz o refrão!... "Ladeiras tens recantos tão bonitos".

A transcrição do texto, tal qual foi publicado (alguns lapsos de pontuação e textualização são patentes, tal como de informação, por se encontrar desactualizado), é feita no sentido de prestar homenagem à Comissão de Melhoramentos do Esporão, pela iniciativa que teve na criação e publicação do Correio da Serra, em contextos muito diferentes dos actuais, portanto com muitas mais dificuldades e à aldeia das Ladeiras e a todos os ladeirenses...

Correio da Serra (Boletim Regionalista * Propriedade da Secção Recreativa e Desportiva da Comissão de Melhoramentos do Esporão), em 1984, nº. 4

domingo, 15 de junho de 2008

Um pouco de história...

Uma grande placa de sinalização aponta para uma velha estrada alcatroada quase completamente coberta de caruma. Esta estrada desce serpenteando até a pequena povoação de Carvalhal Miúdo. No censo de 1527, ‘Carualhall meudo’ é alistado como tendo duas casas de habitação permanente. Hoje, a aldeia é constituída por duas ruas, (uma com muitos degraus, e a outra estreita e alcatroada), pequenas casas de xisto, algumas renovadas, algumas com alvenaria de grés vermelho à volta das janelas e portas e algumas até com granito. Mas no fundo da aldeia existe uma enorme quinta em ruínas. Isto era a casa da família mais rica da área, chamada Neves. Eles tinham muitas terras e cultivavam-nas com milho e azeitonas e com todo mais que a terra produzia. A quinta tinha cavalos e bois, muitos criados e os habitantes da aldeia trabalhavam nas terras. A produção era tão alta, que até pessoas de Cimo de Alvém vinham para comprar milho e azeite. Hoje, pouco restou da prosperidade da aldeia de outrora. Uma estreita estrada de terra batida leva até ao rio Ceira, onde, no passado, a aldeia tinha o seu próprio moinho, num local chamado Porto Ribeiro.

in Góis Property


foto de António Martins (Lavadouro de Carvalhal-Miúdo, Setembro de 2007)

Casa de família nas Ladeiras


foto de Jorge d'Azevedo (Casa de família nas Ladeiras, 2006)

sábado, 14 de junho de 2008

Alzira do Rosário Rodrigues

Minha avó paterna... Natural das Ladeiras.
(em sua homenagem, o meu pai deu o seu nome à minha irmã, que teve como padrinhos de baptismo, dois dos seus filhos: - Arminda e Luís).
Mulher de um grande dinâmismo, com um forte semblante... cozinheira eficaz e uma mãe extraordinária (dizem seus filhos). Viu-se viúva muito cedo, com a morte do seu primeiro marido Manuel (meu avó) e voltou a casar com um outro seu irmão, Casimiro (a quem sempre chamei de avô...). As suas lutas, na vida, não se confinaram ao período em que teve de tomar conta dos filhos sózinha, nem mesmo às grandes dificuldades de sobrevivência e de alimentação dos elementos sobreviventes do seu lar... Mais tarde a diabetes cercou-a e levou-a a dependência da mesma (isto numa difícil época, numa aldeia com muitas limitações, na dificuldade de chegar aos locais necessários para tratamento, pela escassez de meios financeiros e pelo cerne de um estado de espírito embrenhado no deixa andar...), levando-a a cegar.
É esta a recordação que tenho dela, sempre sentada na sua cadeira de braços (que durou anos...), enquanto que meu "avô" teve de encetar a aprendizagem de manusear os utensílios de cozinha, fabricar as refeições diárias, tratar da minha avó, como é óbvio, e de um sem número de situações que se lhes foram deparando, isto para além da sua actividade profissional e comercial, a de taberneiro. Mas lembro que era de uma perspicácia acima da média (talvez por ter perdido o sentido da visão, apurando, assim, os restantes...), estando sempre ao corrente do que o meu avô fazia, sempre muito atenta, descortinava, com facilidade, quem entrava na loja, reconhecendo as pessoas, muitas vezes, pela simples presença. Era uma senhora muito meiga, a quem apetecia fazer uma festinha nas bochechas de sua cara. Faleceu, tinha eu 13 anos!...
Bom... depois de ter colocado meus avós maternos neste ambiente virtual, é agora a vossa vez... Certo é que tenho mais recordações deles (também deixaram este Mundo mais recentemente), daí ter cimentado uma maior empatia para com eles... Mas também vos adoro (fui o vosso primeiro neto...). Até sempre!...

foto de Casimiro Rodrigues Martins (avós maternos, à esquerda, e avós paternos; anos 50)

Pormenor de janela em Carvalhal-Miúdo


foto de Jorge d'Azevedo (Pormenor de janela numa casa abandonada, Carvalhal-Miúdo)

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Flatulências e pingos de água...

Hoje, dia de Santo António ( e como eu tenho esse nome), vou aligeirar um pouco a minha regular referência...
Esta pequena história foi-me divulgada pelo meu pai, que já a conhecia desde os seus 9/10 anos (há cerca de 70 anos), por altura da sua partida das Ladeiras para a capital, a caminho dos "trapos"...
Passada nas Ladeiras, em casa de gente humilde... o "ti" António e a "ti" Joaquina...
Noite de temporal, chuvosa... páginas tantas, quando ambos estão na cama, e a D. Joaquina já dormitava começa a caír um pingo de água na cabeça do sr. António, ele para se proteger cobre-se com o lençol, nisto a mulher liberta um pequeno gás intestinal, com um aroma nauseabundo (que havia ela comido?!...). Ele torna a pôr a face fora dos lençóis, mas lá vem outra pinga, esconde-se, novamente, por baixo do lençol... D. Joaquina faz surgir outra flatulência e a situação fica insuportável... o homem já bufava. O cenário repetiu-se e ele continuou a bufar, e a praguejar, até que acorda a mulher... Ela ao senti-lo naquela inconstância, inquire: - Ó homem que é que tu tens, que só estás para aí a bufar?... Que é que eu tenho?... Que é que eu tenho?!... Já cá tomara a manhã... para ír tapar aquela beira e tu íres cag.. para a pu.. que te par..!...
E pronto!... Aqui fica a história de hoje. Bom dia (e boa noite) de Stº. António, comam muitas sardinhas, bebam uns copos (regradamente), divirtam-se e... cuidado com as flatulências. Quanto à chuva, não tenham problemas!...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Chafariz, em Carvalhal-Miúdo


foto de Jorge d'Azevedo (Chafariz principal de Carvalhal-Miúdo, ao nascer do dia)
Duas quadras populares cantadas pelos tempos fora, nas nossas aldeias:

Era meia-noite cerrada,
dizia o filho para a mãe...
debaixo daquela arcada
passava-se a noite bem!...

No cimo daquela serra
tem meu pai um castanheiro,
que dá castanhas em Maio
cravos roxos em Janeiro!...

António Martins "Rato"

Meu padrinho de baptismo (sua mulher, Olinda Rodrigues, foi minha madrinha)...
Natural do Esporão, onde nasceu na zona antiga da aldeia, veio a residir, mais tarde (mesmo depois de casar) no Cabeço da Fonte, outro cantinho da povoação. Em Lisboa era comerciante, em conjunto com a esposa (possuíam uma engraxadoria e um lugar de frutas e legumes, em Alcântara, onde passámos muitos e belos sábados de tarde e domingos...)
Homem que muito admirava, áustero, rude, amargo (por vezes), agreste, mas um bom coração. Quando era ocasião para tal, gostava de animação, convívio da família (em amenas petisqueiras) e, se fosse oportuno, pegava na sua viola e lá se seguiam a música e as respectivas desgarradas ao desafio: - Venho agora do Porto Alto e queira Deus que não ouça; a Rosalina das Ladeiras queria que eu lavasse a louça!... (cantou-lhe, numa dada festa, o meu tio José Rodrigues).
Deu-me o nome, António, com a anuência de meus pais (Manuel, surge por homenagem ao meu avô paterno...).
Faleceu, ainda eu estava solteiro, e devo ter sido a última pessoa a vê-lo em vida, nos Olivais, em Lisboa, para além dos elementos do seu seio familiar (esposa, filho, nora e netos).
Esta minha singela alusão e homenagem da sua pessoa, reporta-se ao tempo da inauguração da sua nova casa nas Ladeiras, ainda eu era miúdo (já lá vão mais de 40 anos), e para a qual foram convidadas dezenas de pessoas, entre família, amigos e representantes das edilidades locais, da época.
Foi uma festa com muita gente, alegria (não faltou muita comida e imensa bebida), música e cantares diversos com lançamento de foguetes...um deles houve que fez um percurso inusitado, dando azo a um pequeno fogo, logo apagado, mas que levou a que algumas pessoas ficassem com alguns picos na pele ao caírem sobre os silvados e mioteiras, no sentido apressado de não deixarem ecludir qualquer incêndio(já era noite). Tudo acabou em bem, e foi, concerteza, para quase todos os presentes um dia para não mais esquecerem!...


foto de desconhecido (Reunião de família - António Martins, 1º à esquerda e… eu último, à direita, em baixo - anos 60)

Vista da Janela


foto de Irina Oliveira (Carvalhal-Miúdo - 2005)

quarta-feira, 11 de junho de 2008

"Bobi"

Tinha 10 anos...
1966, por ocasião do Mundial em Inglaterra, mais umas férias. Numa manhã ou tarde, não posso precisar, mais um passeio a pé até ao Esporão. De saída para as Ladeiras lá íamos nós, quando de um momento para o outro somos acompanhados por um cãozito preto que nos não largava. Alguém o tenta enxutar, mas ele voltava...faço-lhe umas festas e começo a chamá-lo de "Bobi" e ele sempre connosco. E assim se passou o dia, dando-se o regresso a Carvalhal-Miúdo. Iniciei o meu convívio diário com o "Bobi". Alimentava-o, dava-lhe carinhos e ele acompanhava-me para todo o lado, respondia, sempre, pelo nome que lhe havia dado, tudo era maravilhoso, pois estávamos no início das férias. O tempo foi passando, cada vez mais a empatia entre nós era maior, e mais fortalecida, e o regresso a Lisboa avizinhava-se.
O meu pai começou a magicar a forma de me afastar do cão, pois a casa na capital era pequena para mais um elemento e, fundamentalmente, porque não era apologista de ter animais daquele tipo, e porte, em casa. Pássaros e grilos ainda vá lá!... (as vezes até apareciam formigas e "baratitas", mas isso era outra história...). Num dia em que o meu avô ía para o Vale da Fonte, tratar das videiras, levou o "Bobi" com ele, na tentativa de o fazer afastar de mim. Quando acordo e me levanto, não o encontro... Onde foi o Bobi? Onde foi o Bobi?... Assim que me disseram para onde tinha ido, corri para o Lavadouro e junto a uma casa que na altura já estava em ruínas (dizia-se ter pertencido a umas pessoas que tinham emigrado para o Brasil) comecei a gritar pelo "Bobi". Passado algum tempo tempo lá vinha a ele a saltar e a latir, encaminhando-se para junto de mim, foi extraordinário. Em vésperas de regressarmos o meu pai diz-me, nas Ladeiras, que tinha feito um negócio para mim. Tinha vendido o cão a um homem da Serra, que dele necessitava, pela importância de 20$00. Mas a verdade, penso, é que ele me deu aquele dinheiro (que era um montante de algum valor para a época), com a intenção de que o esquecesse e, igualmente, ofereceu o Bobi a alguém. Chorei, chorei, chorei!...
Quando chegámos a Lisboa gastei o dinheiro todo em cromos do Mundial de 66...

terça-feira, 10 de junho de 2008

Casimiro Rodrigues

Era o meu avô...
Mais um Casimiro, nome de meu pai, meu tio e mais, e mais...
Pessoa que eu muito admirava e com quem muito gostava de brincar com as palavras. Era muito inteligente, tinha umas mãos que criavam milagres... na terra, na escrita (tinha uma caligrafia linda)ou num simples aceno. A sua partida levou-me a um pouco de desinteresse por me deslocar à sua aldeia, Carvalhal-Miúdo. E não era assim...
Na juventude, estávamos sempre desejosos que chegásse o tempo das férias grandes, para, uma vez mais, com os nossos pais passármos por lá o "mesito" de "vacances". E então era corrermos por aqueles campos, furtarmos um cachito de uvas, uma ameixa ou umas cerejitas, conforme a época do ano em que as férias ocorressem. Gostava de ír guardar as ovelhas com o meu avô, mas ele não gostava muito... começáva a correr atrás delas e espantava-as, lá tinha ele de as ír juntar, novamente: - Anda cá Quita, anda cá... vem para aqui, ai estupor, desgraçada, olha que levas. Já viste o que é que fizéste!...
Hoje lembro tudo isto com saudade e nostalgia, e recordo, também, uma infinidade de nomes de locais da redondeza onde os meus avós (minha avó Olinda Martins), íam amanhar os campos, regar as couves ou tratar de outro assunto relativo à faina agrícola, quase diariamente: - Quintal, Ramalhuda, Cabeço, Vale da Fonte, Celada da Corte, Mioteira, Porto de Bóis, Roubal, Courela das Loisas, etc...

Avô (e Avó), não vos queria deixar de estar presentes na minha iniciativa. Vocês, agora, estão na"net"!...
Até sempre! Adoro-vos!!!

foto de António Martins (avó Olinda e avô Casimiro, Góis, anos 90)

A casa de meus avós (Carvalhal-Miúdo)


foto de António Martins (Carvalhal-Miúdo, Setembro de 2007)

Casimiro Neves

Recordo este habitante de Carvalhal-Miúdo nos anos sessenta (tempo em que Os Beetles eram número um mercado discográfico, vendendo milhões de cópias dos seus discos e tendo um número incontável de fãs. Elas começavam a chorar assim que eles surgiam em palco. Mas não acontecia só com eles, era com Elvis Presley, Paul Anka, Bee Gees, etc...). Mas voltemos à minha referência, Casimiro Neves. Tinha eu cerca de seis anos, quando este episódio se passou, que sem ter qualquer significado neste momento, na altura teve muita importância, um tanto pela minha ignorância, outro tanto porque na cidade ouvimos falar de outros assuntos. Páginas tantas, em amena cavaqueira com o referenciado aldeão, começamos a falar de insectos. Não me recordo bem o total contexto da conversa, mas certo momento ele diz: -Sabes as moscas são muito boas para comer, eu costumo fazer um prato de moscas fritas especial, que é muito bom!...

Não sei por carga de água acreditei naquelas palavras, tanto que, durante algum tempo, quando me perguntavam o que eu queria ser quando fosse "grande", eu dizia que queria ser polícia ou caçador de moscas...

Casimiro Neves, era uma pessoa considerada importante na aldeia, dono de uma das maiores casas da aldeia, junto ao Lavadouro. No último incêndio que fustigou a periferia de Carvalhal-Miúdo a casa acabou por ceder, o telhado caiu (já os seus donos haviam falecido há algum tempo, ele e sua esposa D.Arminda). Hoje já a vegetação cresce no seu interior. Carvalhal-Miúdo tens passagens no inverno, que não tem habitantes...

Até já!

foto de Casimiro Rodrigues Martins (D. Arminda e Sr. Casimiro Neves, anos 50)

Dia de Portugal

Nasceu mais um blogue...

Por influência do amigo Abílio Cardoso Bandeira, criador do blogue "Terras do Esporão", que me inquiriu: "...para quando um blogue das Ladeiras e Carvalhal-Miúdo?...", e depois de determinada troca de correspondência no seu aludido blogue, venho junto da comunidade virtual, em geral, dar conta da criação deste local, que com o acompanhamento do meu filho Gonçalo, vou procurar dar a conhecer estas esquecidas aldeias do concelho de Góis, onde nasceram meus pais: - Carvalhal-Miúdo, minha mãe e Ladeiras, meu pai.
Vou tentar contar histórias antigas, coisas passadas comigo (nas minhas infância e juventude), algumas coisas que ficaram de recordação dos meus avós e passagens indicadas pelos meus pais e também dos meus amigos. Vou passar a estar convosco o mais assiduamente possível. Um abraço a todos que queiram, também, colaborar, ler-nos, acompanhar-nos e, sobretudo, alimentar-nos com muitas e boas ideias.

Até já!