quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Monumentos - II


foto de António Martins (Igreja Matriz, Lousã - Setembro de 2004)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Monumentos - I


foto de António Martins (Igreja Matriz, Coja - Setembro de 2004)

Ramalhuda

Em Carvalhal-Miúdo... fica situada na antiga estrada que nos trazia até ao fundo do lugar, da aldeia, desde a EN2 (na parte que não foi alcatroada).
Quando se fazia o caminho a pé das Ladeiras para Carvalhal-Miúdo, descendo aos Lameiros, vinhamos desembocar à aludida estrada, à curva que antecedia a chegada à Ramalhuda. Aí, descendo uma pequena recta, a meio do lado direito, tinham os meus avós um rudimentar imóvel, onde estavam instalados o forno, o curral do gado (com casa de apoio) e um pequeno palheiro.
Tinhamos que subir uma pequena escadaria, elaborada a partir das fragas que faziam (e fazem) parte integrante daquele solo, e após abrirmos uma velha cancela em madeira, surgia-nos do lado direito o forno (com a lenha emergente acamada ao fundo, num espaço construído para o efeito), à esquerda, a primeira porta era a do curral (onde os meus avós recolhiam o seu gado, composto, normalmente, por 6/8 cabeças, sendo 2 cabras e restantes ovelhas), a segunda era um compartimento de apoio ao gado. Havia um palheiro, cuja entrada era pelas traseiras, na parte superior. O recinto que mediava tudo isto, e pelo qual nos movimentavamos, estava coberto de fetos e algum mato.
Neste forno cozia-se a broa e a popular chanfana, prato típico da região. Em recipiente de barro era levado ao forno para cozer (composto por carne de cabra velha, batata e temperado, essencialmente, com vinho tinto, para além das especiarias e condimentos necessários à sua elaboração). Ainda hoje, é um prato tradicional em determinadas zonas beirãs.
Deste local tinhamos outro privilégio... uma vista extraordinária e maravilhosa, onde podiamos, igualmente, observar a vila de Góis.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Outras terras... (Gramaça)


foto de Hugo Mendonça (Gramaça, paisagem - Maio de 2005)

domingo, 10 de agosto de 2008

C.M.Ladeiras em assembleia geral

Decorreu, ontem, dia 9 de Agosto a assembleia geral da Comissão de Melhoramentos das Ladeiras, na casa de convívio da referida aldeia, com a participação de 27 pessoas.
Todos os itens referentes ao exercício de 2007, e os restantes que compunham a Ordem de Trabalhos (colocados à apreciação e discussão da assembleia), foram aprovados por unanimidade.
Nada a dizer contra!...
Parabéns!!!
Força para o presente ano!...

Outras terras... (Aldeia das Dez)


foto de Hugo Mendonça (Aldeia das Dez, vista panorâmica - Maio de 2005)

A água dos Lameiros

Como era fresca e límpida a água que brotava por entre fragas, vinda algures da serrania, e se esvaía numa espécie de bica rudimentar, moldada ao longo dos anos (senão séculos) pelo seu correr contínuo, pelos Lameiros (Ladeiras)...
Inquiro-me: - Se ela era tão boa, tão fresca, no meu tempo de criança, como terá sido a água, naquele local, nos tempos de infância dos meus pais e dos meus avós?
A água era, no entanto, um pouco férrea (parece-me que chegaram a ser feitas análises laboratoriais à mesma... e foi detectada uma quantidade de ferro superior aos níveis considerados normais, senão teriam sido, mesmo, estudadas as questões do engarrafamento e da respectiva comercialização), pormenor que se vislumbrava, só pelo olhar, pela côr castanho dourado das pedras que circundavam o terminus do seu percurso.
Este leito de água encaminhava-se, depois, para um poço que se encontrava numa courela em frente, onde os donos (ou os seus caseiros...) semeavam milho, feijão, para além de diversas verduras, sujeitas à rega periódica.
Lembro-me que o milho que por ali crescia... havia anos em que atingia um porte soberbo, tal como os feijoeiros.
Como era fresquinha e saborosa a água dos Lameiros!...

sábado, 9 de agosto de 2008

Outras terras... (Moínhos de Gavinhos)


foto de António Martins (Moínhos de Gavinhos, vista parcial - Maio de 2005)

Carvalhal-Miúdo, uma casa por construir...

É, sem sombra para dúvidas, uma das grandes frustações dos meus pais, ao longo de toda a sua vida...
Já lá vão cerca de 35 anos (tinha eu dezasseis anos), quando o meu pai encetou conversações com o sr. Cassiano Bandeira, do Esporão, no sentido de elaborar um orçamento para a construção de uma casa em Carvalhal-Miúdo, a ser feita no Quintal.
Chegaram a conclusões e acordos, e já tudo se encaminhava para que o imóvel pudesse iniciar a sua edificação.
Surge, no entanto, na época uma situação na actividade profissional do meu pai, na qual era sócio com o tio Armando... a hipotése de adquirirem o trespasse de uma loja de rés-do-chão (a que possuíam, embora na mesma rua, era de 1º andar, logo esta teria melhor localização), e todo o dinheiro poupado seguiu para uma aplicação diferente da anteriormente desejada.
Foi o caír de um sonho, jamais possível de concretizar, conclui-se hoje.
A conjuntura geral, e o movimento político e financeiro, do país, fizeram com que esta tomada de posição não viesse a dar os melhores frutos (acumulados a outros factos que não interessa, aqui, abordar), redundando num conflito de dificuldades, que teve o seu final com a necessidade premente do meu pai se desfazer do estabelecimento, para não piorar a situação.
Gorou-se, no tempo, a ambição de contruír uma casa na terra. Se tivesse sido levada a efeito, faria (talvez!...) com que outros seguissem as mesmas pisadas e Carvalhal-Miúdo, se calhar, não estaria como hoje se encontra...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Outras terras... (Vale de Maceira)


foto de Hugo Mendonça (Vale de Maceira, vista geral - Maio de 2005)

Querido mês de Agosto

A mata silenciada pelo ruído inexistente,
só sopro do vento se ouve num repente...
no ramo de uma árvore um pássaro canta,
como que aquele, ténue, momento espanta,
de uma alegria efémera, infelizmente!...

Mas eis um veículo que surge na estrada,
alguém que regressa à antiga morada?!...
Mais atrás vem outro, e um outro mais,
é a chegada das férias para os naturais;
momentaneamente a alegria é redobrada.

É tempo de festas nas nossas aldeias,
Parecem abelhas chegando às colmeias...
Preâmbulo de saudade, vivência e alegria
Renasce a força perdida, surge a euforia,
Por breve tempo se fazem novas teias...

Que regalo ver na serra gente presente...
só os campos não estão como antigamente,
cultivados, lavrados, plantados a preceito,
quase nada se vislumbra do mesmo jeito,
será que é facto para estar contente?...

Deixem que um sonho dure trinta dias...
que o tempo urge, no pulsar das cortesias,
No desfragmentar a memória da mente,
Estou alegre, Carvalhal-Miúdo tem gente...
Só não consigo ouvir as antigas melodias!...


Por António Martins (hoje, mesmo hoje...)

Outras terras... (Avô)


foto de António Martins (Avô, vista parcial, a partir da praia fluvial - Maio de 2005)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O resineiro

"Resineiro engraçado, engraçado no falar. Eu hei-de ír à terra dele, se ele lá me quiser levar...", dizia (e diz) a cantiga da Tonicha, que começou a interpretar na década de 70.
Não me é fácil desenvolver um texto informativo sobre o teor e especificidade do trabalho do resineiro, porque não sou conhecedor (também o não sou, profundamente, sobre outras áreas laborais já afloradas, mas sempre há mais tópicos para serem desenvolvidos e mais pormenores memorizados), das tarefas que o mesmo impunha, mas vou tentar divulgar alguns passos de que me recordo.
A sua principal função era extraír a resina dos pinheiros, fazendo a sangria nos troncos dos mesmos (daqueles que, pela sua robustez e idade, já o permitiam), e colocando púcaros (pequenos vasos) de barro abaixo das mesmas, para onde escorreria a respectiva resina. Após o encher dos púcaros, eram substituídos por outros vazios... por vezes vezes era preciso fazer sangrar a árvore noutro local, para se continuar a obter resina do mesmo pinheiro.
Preparavam e exploravam a resina, que depois dos recipientes cheios era transposta para grandes bidons, a fim de ser negociada com os industriais das celuloses.
Fartavam-se de caminhar por essas serras fora, durante todo o dia (até ao pôr do sol), pelos mais diversos pinhais, de quem os donos tinham feito, com ele, acordo para o efeito.
Recordo-me de uma "patifaria" que em miúdo lhes faziamos... com aquelas fisgas "para os pássaros", tentávamos acertar naqueles vasinhos de barro, e quando lhes acertávamos (hoje concluo), lá se ía o acumular de muitos dias de trabalho. Isto há cada um!...

Outras terras... (Coimbra)


foto de Gonçalo Lobo Pinheiro (Coimbra, vista parcial - Março de 2005)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Outras terras... (Arganil)


foto de António Martins (Arganil, vista geral, tirado do Mont'Alto - Setembro de 2004)

O porco... vizinho por um ano

Era assim... comprava-se o porco (ainda leitão) numa feira, ou num mercado qualquer, e ao longo do ano engordava-se, para nos meados do outono se proceder a sua matança...
Era instalado sempre muito perto da habitação do dono, por vezes por baixo da mesma (assim era com os meus avós), ou ao lado (mas haviam excepções), na denominada quintã. Era alimentado diariamente (daí a sua localização perto da casa, para se encontrar mais acessível), com restos vegetais diversos, farinhas, pedaços de abóbora (em miúdo, tinha o hábito de lançar abóboras inteiras para o animal comer, e a minha avó ficava sempre zangada... Que "tás" a fazer menino? Não deites comer para o suíno!... Ai o teu avô se vê o que "tás" a fazer, catrino!...) e outras iguarias.
Periodicamente a "cama" onde o porco se deitava, ou seja o mato por onde andava e fazia as suas necessidades fisiológicas, era substituído e reposto por outro novo, apanhado para o efeito.
A comida era colocada numa maceira em pedra... cada "curral" tinha duas, uma para os sólidos outra para os líquidos, a água (muitas destas peças são hoje aproveitadas, após limpas e preparadas, para serem colocadas em muitas casas rústicas, para servirem de lavatórios).
O tempo passava, e chegados ao mês de Novembro (normalmente), procedia-se à sua matança...
Em Carvalhal-Miúdo, os meus avós, chamavam muitas vezes o sr. António, do Esporão, para a fazer (existiam outras pessoas, habilitadas para esse procedimento), mas teria de ter o auxílio de mais dois ou três homens, para segurar o animal, que por aquela altura era já de grande porte e com poder físico substancial.
Após à matança, o porco era estendido numa mesa, elaborada para a situação, e era chamuscado, para se queimarem todos os seus pelos. Posteriormente era pendurado e aberto para se lhe extrairem os diversos tipos de carne. Uns íam para a salgadeira, para serem consumidos durante o ano, outras para o fumeiro (caso dos presuntos)... aqui ficavam, também, os enchidos, mas neste caso teria de haver uma preparação mais elaborada (lavagem das tripas, colocação no seu interior da carne adequada, em conjunto com alguma parte mais gorda, respectivo têmpero e após serem cosidas, com linha especial, iriam passar pelo percurso necessário até poderem ficar penduradas no fumeiro).
O dia da matança do porco, era um dia de festa nas aldeias. O dono do animal convidava muita gente, a família comparecia... da carne retalhada, alguma era frita e comida nesse dia (a torresmada fresca, era belíssima), a cabeça do animal (a cachola ou cacholeira), no dia seguinte. Enfim, eram dias muito especiais estes, os da matança do suíno...

domingo, 3 de agosto de 2008

Outras terras... (Goulinho)


foto de António Martins (Goulinho, vista parcial, que esteve em festa este fim-de-semana - Setembro de 2004)

Retalhos da vida e do pão...

"Casa onde não há pão, todos ralham ninguém tem razão...", diz o provérbio.
Antigamente, no tempo dos nossos avós, bisavós, trisavós, tetravós... o pão era base intrínseca de uma refeição, se não fosse ela própria. Era confeccionado nos próprios lugares, pelas próprias famílias, nos fornos a lenha (às vezes tinha-se um forno, para o efeito, outras recorria-se ao forno do vizinho, ou de um aldeão com que se tivesse mais confiança), era a broa, feita à base de farinha de milho.
A broa foi suporte integrante da alimentação regular de muita gente... contam os meus pais que, enquanto miúdos, uma fatia de broa com uma sardinha, retalhada por 3 ou 4, era sinónimo de um almoço (isto se não existissem mais filhos no seio de uma família).
Haviam muitas dificuldades por estas serras... e as pessoas tudo tentavam trazer dos campos para casa, com o amanhar das suas terras e mediante as espécies de sementeiras escolhidas... a batata, o feijão, as couves, etc.. Muitas vezes trabalhavam a dias para os proprietários mais abastados e o pagamento, desse labor, era feito em géneros alimentares...
Eram tempos muito difíceis, inimagináveis para a juventude de hoje em dia, mesmo tendo em conta que muitos vão sobrevivendo com dificuldades, principalmente nos grandes centros urbanos. Mas, mesmo aí, existem entidades associativas e estatais, vulgo banco alimentar contra a fome, "sopa dos pobres"... e lá se vão alimentando, embora possam dormir ao relento e desabrigadamente (mas isso são outras histórias...).
Nas décadas de 70 e 80, o padeiro começa a ír às povoações aldeãs, para fazer a sua venda... outro tipo de pão surge regularmente à mesa dos lares das nossas aldeias... o pão de trigo, o pão de mistura, entre outros.
Quando as populações, em determinados lugares começavam a rarear (Carvalhal-Miúdo é disso, infelizmente, um exemplo), os bens alimentares vêm ter com elas. Para os meus avós, já na terceira idade, foi bom, pois deixaram de ter necessidade de palmilhar quilómetros em busca do alimento base. A broa é que foi desaparecendo destas mesas, pelo menos "aquela broa!..."

Outras terras... (Piódão)


foto de António Martins (Piódão, vista geral - Setembro de 2004)

sábado, 2 de agosto de 2008

(In)consequências e (in)contingências...

Qual mágoa, qual
inerência?...
Qual virtude, qual
imensidão?...
jamais negarei a
insapiência,
ou ultrajarei a
insatisfação!...
Não vos quero
boquiabertos,
nem com espasmos
de sonolência.
Nunca de ouro
cobertos...
se não gostardes
paciência!...
Não sou matéria
espectante,
nem um soberbo
historiador!...
Só quero levar
por diante...
este percurso de
contador!...
De contos
mirabolantes,
ou relato do
quotidiano...
Já nada é como
dantes!...
Como será daqui
a um ano?...
Sonhador de muitas
maneiras,
de um sentir
já graúdo...
passo um olho
pelas Ladeiras,
e o outro por
Carvalhal-Miúdo.
Neste caminho
aqui à mão,
desenvolvido
na "net"...
não vou esquecer
o Esporão,
e outras(os) mais
dezassete!...

Por António Martins (hoje...)